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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Globo Esporte e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
( O Caçador de Barangas, em 2000,
Pequena explicação luso-brasileira

Não tenho absolutamente nada contra Portugal. Conheço o país e adoro os portugueses. Não entendi a reação de alguns. Brasileiros limpam latrina em Paris, é uma pena, mas é solução para muitos que emigram ilegalmente para a Europa. Geograficamente, Portugal tem uma posição isolada e, infelizmente, milhares de portugueses concorrem com imigrantes do Leste Europeu pelas vagas de trabalho menos nobres nos países mais bojudos economicamente. Não acusei ninguém. Apenas retratei uma realidade econômica. Todos os portugueses que encontrei em um mês de Alemanha estavam fazendo serviços que não exigem segundo grau. Tocar na ferida é feio? Já não basta fingirmos que o Brasil é um paraíso racial, por exemplo? Abraços e perdão se alguns ficaram chateados. Não foi a intenção.
Escrito em 04/07/2006 |Comentários: »


No centro de imprensa de Dortmund, o blogueiro + Renato Ribeiro + Dario Leite + Rogério Litvoc + Edson Silva. Entrando para a história?
Escrito em 04/07/2006 |Comentários: »
O MILAGRE DE BERLIM



Faltam menos de duas horas para a primeira semifinal. Faz muito calor em Dortmund, o sol é escaldante, a Alemanha não dá entrevista, expulsa torcida do campo do Borussia e ao redor do estádio, o clima ainda é de confiança. Imprensa e torcida só tratam a copa como "O Milagre de Berlim", parafraseando o milagre de Berna, em 1954, quando ninguém acreditava nos alemães e deu no que deu. Na loja da Adidas, camisas vermelhas feitas de anteontem para hoje vendem como água. Na frente, Road to Berlim com o portão de Brandemburgo, atrás a campanha da National Mainschaft até agora. Já já sento-me no seat 26 do row 26 do block 77. Ao meu lado, o companheiro Dario Leite, que também encarou o desafio de estar num jogo que pode estar na história.
Escrito em 04/07/2006 |Comentários: »
Semifinal Ferrari

Terça-feira, em Dortmund, alemães e italianos juntos. Mas desta vez, só um vencerá. Foi curioso ver Schumacher vencendo em Indianápolis, o hino alemão tocando no pódio e a italianada em pé, praticamente cantando junto. Os mecânicos já se provocam, se bobear o heptacampeão dá um pulo no estádio e nos resta eleger um dos quatro para torcer, tudo em nome do futebol. Listo abaixo características, simpatias e motivos do verdadeiro quadrado mágico:



Alemanha - Não à toa fizeram o marketing da terra das idéias. O país da intolerância virou palco da tolerância entre torcidas. Bateram forte na tecla do racismo, colocaram um mulato alemão em campo e encheram o país de propaganda enaltecendo as boas-vindas ao mundo. E fizeram isso. Conseguiram, atráves das bandeiras e sorrisos, mudar a fama de sisudos. Jogam para frente, sem nenhum grande talento, mas a correria de Podolski, Lehman, Schweinsteiger e Klose já caiu na boca do povo. Até do brasileiro.



França - Eram despeitados e consideravam o futebol uma arte menor. Tradicionais amarelões, ganharam com autoridade a Copa de 98 e finalmente resolveram seus problemas psicanalíticos. Agora a classe média adotou o futebol como esporte número um. O jeito blasé de comemorar os gols ainda irrita, mas é impossível resistir à elegância educada de Zidane. Num toque resolve uma jogada inteira. Para muitos um time velho. Nada mais natural. O estado francês é o mais antigo do mundo.



Itália - Amam o futebol, choram com o futebol, cheiram a futebol. O calcio. Há anos desfilam charme nos uniformes e possuem a irritante beleza masculina que tanto cativa nossas amigas brasileiras. O time deste ano, porém, não tem uma grande estrela inesquecível e joga sob a suspeita da corrupção. Mas a máxima Itália é Itália está cada vez mais presente. Podem ser tetra. Melhor torcer contra. Se bem que a Alemanha também pode.



Portugal - País simpático, esquecido pela Europa, fornecedor de mão-de-obra barata. Irmandade óbvia com os brasileiros. Futebol sempre frágil e carente de títulos. Aí vem a polêmica. Felipão e seus berros pouco acrescentam ao futebol. Algumas declarações dele assustam pelo machismo e preconceito. Mas é um vencedor. Que adora chutar uma segunda bola para dentro do campo em busca de cera. Acho estranho colônia torcer para metrópole. Só que todo brasileiro tem um portuga de estimação. Um ou mais.


Escrito em 02/07/2006 |Comentários: »
C´est la vie



Uma e meia da manhã. De volta do estádio. Refletindo. Pensando. Postando. Em pequenas partes, como um bom jantar francês. Onze conclusões, razões, reflexões, como queiram, deste jogo histórico.


1 – Vou torcer para a França agora. Zidane merece. O futebol merece.

2 – O time brasileiro reverenciou, educadamente, o desfile de Zizou pelo gramado. Só faltaram bater palmas. Devem ter pensado: “Era isso que queríamos fazer”.

3 – Trocaram as camisas antes do jogo. A França jogou exatamente como o Brasil onírico. Toques rápidos, talentos, movimentação, controle de bola, jogadas de efeito e um camisa 10 possuído.

4 – Teve gente da equipe devolvendo a camisa comemorativa das quartas-de-final com as bandeirinhas de Brasil e França. Eu fiquei com a minha e usarei com orgulho. Se perguntarem, responderei: neste dia vi ao vivo o maior jogador de futebol da minha geração.

5 – Eu pedi aqui no blog para chutarem de fora da área. Ninguém me leu.

6 – Acertei tudo ontem. Errei tudo hoje.

7 – Copa do Mundo virou Eurocopa.

8 – Romário vendendo os direitos autorais da música “Treinar para quê?”.

9 – O Brasil é 8 ou 80. Quando vence dá show. Mas quando perde... capricha. Nem entra em campo e deixa todas as suas noivas frustradas, decepcionadas e humilhadas pelo vencedor.

10 – Pelo menos seremos poupados agora de ver aquele escambo maluco de camisas que Zagallo insistiu em fazer durante toda a copa.

11 – A culpa foi das meias azuis.
Escrito em 01/07/2006 |Comentários: »





COISAS DE COPA



Lá estava eu no centro de imprensa do estádio de Frankfurt. Consternado com as lágrimas da voluntária alemã. Gol da Argentina. Um silêncio de luto, de pesar. Dos alemães e dos estrangeiros que, aqui, estão sendo bem tratados. Penso na possibilidade da virada, do trânsito e do caos. Saio batido rumo ao hotel da Seleção, onde funciona a redação. Um policial me vê correndo e oferece carona. Estranho. Comento do gol da Argentina e ele, matemático, me devolve. “Melhor para a Polícia. Menos confusão”. Com o trânsito livre, igual no Brasil, mas com barreiras policiais por causa do retorno do ônibus dos craques brasileiros, sou obrigado a estacionar num canto qualquer. Súbito, coisas de copa.
Entrei num bar espanhol. Estaquei. Lá dentro, dois portugueses, penca de alemães, dois argentinos escondidos, vários espanhóis e alguns brasileiros do Banco Real, que vieram só para as quartas.
É agora! Em alemão: Jetz! Berrava o bonachão tedesco. E nada. Mas Klose empatou e os anfitriões pulavam e berravam, igualzinho qualquer boteco brasileiro. Nada de brigas. Os argentinos com um discurso muito curioso: “que vença o melhor”. Os espanhóis, gaiatos, berrando: “Espanha! Espanha”. Deu Alemanha. Acertei o primeiro palpite. E sugiro ao governo brasileiro, qualquer que seja o partido. Mandem brasileiros sorteados para todas as copas do mundo. Pobres e ricos. É uma grande lição de tolerância e alegria. E as buzinas não param em Frankfurt. Bacana.


BRANDENBURGUINHAS

Estranho a Fifa ter escolhido um estádio para 45 mil pessoas nas quartas.

Os argentinos, que tanto vencem nas penalidades pelas Libertadores da vida, dançaram. Que mistério.

Morte às meias azuis na Seleção.

Henry não falou que criança brasileira não estuda. Teve gente carregando na tinta e interpretando demais. Os franceses adoram nosso futebol e nosso país.

Números curiosos: Lampard é o jogador que mais finalizou até agora. 21 tentativas. E Beckam foi o cara que mais cruzou. 43 vezes.
Escrito em 30/06/2006 |Comentários: »













Tchau, Bergisch Gladbach

Mais uma sede da Seleção deixada para trás. No rol das reclamações contra a CBF, essa era uma delas. Por que pular para lá e para cá se outros países costumam ficar a copa inteira num só lugar? Deu certo. E o dinheirinho das prefeituras entrou nos cofres. A relação com a torcida continua distante. O que temos de talento não temos de marketing. Em momento algum fez-se uma atividade na cidade. Em Königstein foi assim também. Uma visita a uma escola, uma tarde de autógrafos e fotos, um muito obrigado. Publicamente, a Seleção passa ao largo. O encanto se mantém pela fama e jogadas dos craques. Nem é uma crítica. Apenas constatação. Do lado de dentro, Emerson fora e Robinho no segundo tempo. Os franceses, de uma hora para outra, empinaram o nariz e desfilam confiança prêt-a-porter. Melhor assim. Ribery novo Zidane é a maior piada do século 21. Será um grande jogo, como os outros três. Até se tivermos quatro 0x0, serão quatro magníficos e inesquecíveis 0x0.


BRANDENBURGUINHAS.

Frankfurt finalmente. O Brasil ficou perto da bela cidade durante a estada em Königstein. Agora é hora de jogar.

Tomara que a Fifa deixe a Seleção jogar com o uniforme oficial. Meia azul não!

Franceses revoltados com os espanhóis. Dizem que Aragonés foi racista, mal-educado e que não soube perder.

Se a imponente catedral de Colônia permite que os visitantes entrem de bermudas, por que Parreira não poderia colocar Juninho no lugar de Emerson?

E lá vai o chute! Alemanha, Ucrânia, Inglaterra e Brasil.

Barthez é o caminho. Chutes de fora da área já.
Escrito em 29/06/2006 |Comentários: »
Ô Francesada, pode esperar, a tua hora vai arriver!!!

Escrito em 28/06/2006 |Comentários: »
Letárgico e letal


Nas famosas resenhas de redação, Marcelo Barreto ergueu a voz para defender a Seleção: “É um time letal. Ataca pouco, mas quando ataca é eficiente”. Fiquei refletindo sobre o letal. E me veio o letárgico. O Brasil às vezes é molenga que dá dó. E passa para um e passa para outro e atrasa a bola e Dida demora e por aí vai. Súbito, um lançamento surpreende a defesa impaciente do outro lado e gol brasileiro. Não é de hoje, mas parece que a torcida esquece para que time torceu nos últimos 76 anos de copa do mundo. Raras vezes tivemos um time veloz e de toques rapidíssimos. Não há craque nosso que não tenha um ciúme doentio da bola. Como é duro soltá-la, assim, de repente, sem antes conversar, marcar um chopinho.

Outra: passamos o ano inteiro dizendo que Ronaldinho Gaúcho teria marcação forte, que os outros jogadores teriam que brilhar, que ele prefere dar um passe a finalizar e eis que o Cristo da vez veste a 10 amarela. Que o dentucinho não está jogando nada... que pode render muito mais... estamos parecendo a imprensa inglesa. Carrancuda, implicante e ranzinza. Bem disse o treinador francês Domenech, “pudesse eu ganhar de 3 x 0 jogando mal, como vocês dizem do Brasil”.

E só para lembrar: em 2002 passamos sufoco contra Turquia e Bélgica. Mas já virou passado e o penta é lindo. Em 1998, os primeiros 15 minutos contra o Chile foram terríveis, o primeiro tempo contra a Holanda um desespero, chegamos à final. Levamos um baile. Em 1994, Romário tirou das cartolas alguns golzinhos salvadores. Raí não jogou o que sabia e ficamos com um meio-campo para lá de burocra, com Dunga, Mazinho, Zinho e Mauro Silva. O jogo contra os EUA foi milagroso. Em 1990, até contra Costa Rica e Escócia fizemos jogo duríssimo. Em 1986, 1 x 0 chinfrim na Argélia. E para ir mais longe, em 1958, contra País de Gales, nas quartas, outro 1 x 0 com direito a primeiro tempo sem gols. País de Gales que vinha de uma vitória sobre a Hungria por 2x1 depos de três empates horríveis.

Enfim, deixemos a carruagem andar sem colocar pedras no caminho.

BRANDENBURGUINHAS

Tymoschuk é o cara. O ucraniano de cabelo horroroso e número 4 às costas detém a marca do maior número de desarmes na Copa ( 24). Sem ele, a Ucrânia fica ainda mais vulnerável.

Coca-Cola Light fez uma série de latinhas comemorativas com a seleção alemã. Só que Kevin Kuranyi está numa delas. Podiam ter recolhido.

Amigo Flávio Orro manda levantamento curioso sobre Ronaldinho Gaúcho. Ele já deu 29 passes errados, levantou 16 bolas, recebeu 6 faltas e deu 4 chutes.

Sabe o que a Fifa coloca no estádio quando a prorrogação termina e vai para os pênaltis? “O que será será... whatever will be will be...”. Sadismo oficial.
Escrito em 28/06/2006 |Comentários: »
VENDO O JOGO


Nobres, neste caso os números são e não são burros. 52% de posse de bola para Gana não significa nada. Os africanos rodavam, rodavam e bicavam para fora. Marcavam mal, defesa em linha e entraram na roda várias vezes. O Brasil fez três gols, perdeu 5 incríveis e ainda tem que ouvir que foi dominado? Precisamos saber ler taticamente uma partida. Regra 2 do futebol: time bom que faz 1 x 0 finge-se de morto para matar de vez o jogo nos contra-ataques. Regra 1: quem ganha ganha. É preciso criticar na hora certa. E como diria amigos meus da Panelinha. Um bonde chamado Adriano está destoando um pouco. Mas corre atrás e ajudou na marcação.

França: é fraca, mas tem o componente Adeus, Zidane. Defesa frágil e atacantes especialistas em perder gol. Mas é clássico mundial e ultimamente somos fregueses.

E vai aí uma foto da festa brasileira.... Boa noite porque o sono é grande e a viagem de Dortmund para Bergisch Gladbach foi na madrugada alemã.

Escrito em 27/06/2006 |Comentários: »
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