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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Globo Esporte e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
( O Caçador de Barangas, em 2000,



BRAZIL: FUTIBOL PROFIÇIONAL


A frase mais divertida do futebol brasileiro é: - Eu sou um profissional.

Cartolas, jogadores e treinadores adoram justificar certas atitudes incompreensíveis que esbarram na falta de ética com este argumento do profissionalismo.

Ora, ora, futebol brasileiro profissional? Risos Futebol Clube. Muitos Risos Futebol Clube. Há talento e muita qualidade, o resto é penduricalho. O que aconteceu no Fluminense é mais um exemplo. Um treinador sair acusando patrocinador. Aliás, os patrocinadores também se acham muito profissionais. Principalmente na arte de emporcalhar as camisas com publicidade exagerada.

E que contratos são esses que possibilitam a uma descoberta, como Jonatas, do Flamengo, ir embora na primeira convocação para a Seleção. Que cartolas profissionais são esses que não tem visão alguma de futuro?

Aqui mesmo no blog, um comentarista relatou a saga e o desespero para assistir ao jogo Flamengo x Goiás, sábado passado. Eis o drama:

2. Quem foi ao Maracanã ontem a procura de ingressos teve de passar por duras batalhas. A desorganização da SUDERJ e da Polícia Militar estava claríssima, comprar ingressos nas bilheterias era quase como uma distribuição de alimentos da ONU naqueles países em guerra. Nem os cambistas deram as caras, em toda a minha jornada em busca de um ingresso, não fui abordado por nenhum cambista, e sim pelos que precisavam loucamente de ingressos. Fui parado no mínimo 10 vezes por pessoas que ofereciam uma quantia considerável por ingressos sobrando. Resultado, acompanhei a partida pelo GloboEsporte.com .

Guilherme | E - mail | 06/08/06 10:48:16

Só corajososos vão ao estádio. Amanhã, no Morumbi, quem for de carro será extorquido. Tem gente cobrando R$ 50. Será que isso que é a badalada regulamentação do mercado? Ou, ao contrário, é o famoso argumento hobbesiano para a existência de um Estado forte e até autoritário, mas que garanta a segurança do cidadão.

Teorias à parte, o futebol brasileiro é um sobrevivente. Já o torcedor está cansando, quase deixando a paixão morrer. Porque em última análise, como defende Affonso Romero, é um consumidor. E está sendo desrespeitado constantemente.
Escrito em 08/08/2006 |Comentários: »


O cavalo selado


Toninho Cerezo, craque de outrora, brilhou no Sampdoria. Certa vez, perguntaram a ele qual o segredo por ter escolhido a hora certa de sair do Brasil e tal tal. Ele, que tinha sido palhaço na juventude, foi simples:
- A vida de vez em quando nos dá alguns cavalos selados. Ou você sobe ou ou corre o risco de perder o trem da história.

Aconteceu na rodada do Brazucão 06. O que teve de cavalo selado trotando e galopando pelo Brasil. E muita gente deixou ele passar.

Primeiro o Cruzeiro. Se vencesse o Santa em casa, voava para a vice-liderança. Empatou, foi vaiado e caiu de terceiro para quarto. Depois o Fluminense. Vixe maria, o Fluminense, este está tendo cavalo selado há três anos e não consegue montar no bicho. Se vencesse a Ponte, também assumia a segunda colocação. Perdeu pênalti, perdeu o jogo e mais uma vez começa a capengar quando a competição pega fogo para valer.

O Internacional tem desculpa. Boa desculpa. A Libertadores. O São Paulo, que tem se mostrado o melhor cavaleiro do Brasil nos últimos anos, empatou sabiamente com o Botafogo. E continua líder, disparado. Já o alvinegro carioca acordou na segunda-feira na Segunda Divisão. Pocotó, pocotó.

Já Santos e Paraná deram bela lição de seriedade matemática e, de uma hora para outra, já estão nas cabeças. O Fortaleza, entretanto, podia ter trocado de lugar com o Palmeiras, e mesmo em superioridade numérica, frustrou os cearenses e manteve o time de Tite fora da sarjeta.

Parabéns para Ponte, Flamengo, Grêmio e Corinthians. Este último ainda na lanterna, mas pelo menos se aproximou dos outros companheiros de sarjeta.

Cavalo selado, cavalo selado. Não deixe de montar o seu e sair por aí. Ele pode não voltar jamais.


E ainda...



Tinga na ponta dos cascos, cuidado São Paulo.


Ricardo Oliveira pelo menos num jogo, cuidado Inter.


Mesmo pensando em sair, Tévez continua correndo em campo.
Escrito em 07/08/2006 |Comentários: »



Se um viajante numa noite de inverno


Se um viajante numa noite de inverno baixasse no Rio de Janeiro, mais precisamente ali perto da Tijuca, vizinho ao morro da Mangueira, não iria entender nada.
Quarenta mil pessoas no Maracanã.

Se um viajante numa noite de inverno baixasse em São Paulo, ali um pouco abaixo da Avenida Paulista, nas imediações de Higienópolis, não iria entender nada.
Trinta e três mil pessoas no Pacaembu.

O Corinthians em vigésimo e o Flamengo em décimo-oitavo. Agora já não estão mais. Aguardam o resultado de domingo. Mas as maiores torcidas do Brasil mostraram porque são as maiores. No Rio, um capixaba que já foi batizado de Anjo Louro, foi capaz de seduzir uma massa rubro-negra esquizofrênica, campeã da Copa do Brasil e saco de pancadas no Brazucão 06. Perdeu mais da metade dos jogos. Sávio voltou, e voltou bem, dando mais opções para o time e tentando desesperadamente acabar com o problema crônico do Flamengo. O time corre, marca, rouba a bola e simplesmente não tem a menor idéia do que fazer com ela no ataque. Coube então ao maldito Obina, odiado por metade da torcida, fazer de novo um daqueles gols meio malucos que ele gosta de fazer. Obina é um mistério.

Em Sampa, mal o jogo começou e o Atlético Paranaense cravou a desesperança no peito da Fiel. Um a zero já? Eis que Coelho, corintiano desde Coelhinho, devassa o lado esquerdo da defesa paranaense durante todo o primeiro tempo e aos quinze minutos a virada já havia se consumado. E nada mais aconteceria no placar. Graças ao ex-santista Paulo Almeida, que salvou um gol na última girada do ponteiro.

O Grêmio venceu da forma mais gremista possível nos últimos tempos. 1 x 0. E o Léo Lima, que loucura, ontem mesmo no Santos, estreou e jogou bem.

E o Figueirense vacilou em casa, empatando com o São Caetano de Leão, que desta vez não reclamou da arbitragem nem de favorecimento aos times do Rio.


E AINDA


Santa Cruz e Palmeiras têm jogos importantíssimos fora de casa. Ao contrário de alguns matemáticos, acho empate excelente resultado para ambos.


E o Paraná doidinho para já bicar a zona da Libertadores


Felipão vai torcer para o Internacional na Libertadores, afirmou esta semana. E Dunga?
Escrito em 06/08/2006 |Comentários: »





Um fim de semana de gols e história


Dois pequeninos causos urbanos. Semana passada, num cruzamento da Avenida Rebouças, em Sampa, parei com o carro e um ambulante veio me vender tralha qualquer. Olhou para mim e mandou:
- Zidane!
Mas será que ele já me viu jogar bola? Ou é por que sou careca? Ao se aproximar melhor, me viu com a camisa branca da Alemanha número 13. E retificou:
- Opa, é o Podolski! Não, é o Schweistein Schivastein... aquele outro lá. Não, é o Ballack.
Uma camisa poderosa, um time esforçado, uma torcida empolgada e até no Brasil a linha germânica era conhecida.
Não comprei nada dele.
Sabadão, saí para tomar um café cedinho pelas ruas da Vila Madalena. Envergando uma camisa antiga do América. O Ameriquinha, carioca, rubro e presente em nossos corações. Fui parado diversas vezes na rua. Torcedores de tantos outros times me saudavam, elogiando a camisa. Um deles foi genial:
- Opa, América! Você é carioca?
- Sou, mas não sou América.
- Puxa que saudades, muito bacana a camisa. Difícil de achar.
- Pois é... lembra Juventus e até a Portuguesa, quem sabe, num futuro próximo.
- E o meu Corinthians...
- Que isso, rapaz? Campeão Brasileiro.
- Quem vive de passado é museu – e saiu, triste, ladeira abaixo, prometendo-me que não iria ao Pacaembu.
Tenho dúvidas se boa parte dos jogadores atuais têm esta percepção do que significa o futebol. Um amigo meu, tricolor, diz que, aos 10 anos de idade, para fugir dos pesadelos noturnos, pensava num gol de bicicleta do Manfrini num Fla-Flu histórico. E que certa vez reencontrou o atacante, contou a história e percebeu uma nostalgia absurda em Manfrini, que filosofou:
- Nós não temos idéia do que representamos.
Quando Gustavo Nery abandona o Corinthians, quando Luisão abandona o São Paulo, quando Toró abandona o Fluminense, quando um torcedor briga com outro torcedor do mesmo time, quando um cartola rouba e mente, quando a Seleção anda em campo... eles sabem exatamente o quanto estão nos magoando?
Hoje mais uma rodada para essa turma provar que essa historinha de “sou profissional”, no futebol, pode soar como balela. Não à toa Marcelinho representa tanto para o Corinthians e Sávio pode ser a estrela que faltava na camisa do Flamengo. A estrela do verdadeiro Flamengo.
Na Libertadores, o São Paulo e sua torcida construíram uma identidade que impregnou a camisa e todos os jogadores que lá chegam. O que se viu no Beira-Rio também foi uma semente de retorno àquele outro Internacional, poderoso e tricampeão brasileiro. Não se trata de nostalgia, mas de resgatar a personalidade dos clubes brasileiros. Isso vem da alma e não do marketing.


E ainda


Acho que os bancários e os artistas estão exagerando ao reclamarem de Marcelinho. Ele disse “quem não quer pressão que vá trabalhar em banco ou fazer curso de teatro”. A expressão é velha e nada tem a ver com suposta preguiça bancária e teatral. É o mesmo que ser processado por Putin se falarmos “a coisa está russa no Corinthians.”


Os incendiários gremistas não queimaram apenas os banheiros do Beira-Rio. Queimaram a chance do Grêmio subir na tabela ao serem punidos pela perda do mando de campo em oito jogos. É o fogo amigo.


Olho no Figueirense. Pode voar nesta rodada.


E mais uma vez Edmundo amadureceu. E mais uma vez acreditamos.


Cavalo selado para o Botafogo. Se não aproveitar... pode amanhecer na sarjeta segunda-feira.


Será que alguém já passa o Dodô nesta rodada?
Escrito em 05/08/2006 |Comentários: »

Na foto, Alex vê o mundo ao contrário depois do gol ( Jefferson Bernardes)



Caim & Abel


Muricy é bravo. Abel também. Ambos conheceram o paraíso dos estaduais, ambos já se acostumaram a ser expulsos. O time do São Paulo é melhor, mas desde o começo da Libertadores que o Internacional também tem lá sua pinta de campeão. A torcida colorada conhece seus ídolos, Rafael Sóbis é daqueles que pode se iluminar em dia de decisão, aliás fez isso no fatídico jogo contra o Corinthians, ano passado, no Pacaembu. Brilhou mais que o sol naquela tarde. Mas aí veio o Tinga, o pênalti, o juiz....

Um bom filme ainda está em cartaz em alguns cantos do Brasil. “Três enterros”. Direção e atuação de Tommy Lee Jones. Um matuto americano que trabalha na fronteira, cheio de amigos mexicanos, se revolta contra a impunidade policial americana ao descobrir que um tira de Bush matou, sem querer, um parceirão asteca. O chicano foi enterrado como indigente e Tommy faz o próprio assassino desenterrar o amigo duas vezes. Daí o nome do filme.

Pois então. Que entrem em campo as metáforas! Abel viu o título da Copa do Brasil ser enterrado pelo Santo André quando dirigia o Flamengo. Desenterrou a taça. Abel viu novamente o título ser enterrado, desta vez pelo Paulista, quando dirigia o Fluminense. Desenterrou. E agora, um ano depois. Está novamente numa final de uma copa importante. Aliás, mais importante.

O que se passa na cabeça do Abelão? Terá calma para tocar o seu pianinho nas horas vagas? Ou já está insone desde hoje? A vitória no Beira-Rio foi cirúrgica. A do São Paulo foi homérica. A final é no Beira-Rio. Ano passado a final foi no Morumbi e o Atlético Paranaense não teve forças para segurar o jogo solidário, rápido e de rodízio de posição do tricolor paulista.

O Internacional é o mesmo Internacional do ano passado, com pequenos ajustes. É mais forte, calejado e decide em casa. No Brasileirão, também andou aprontando quando jogava fora. Mas e Abel? Terá cabeça para esquecer a repentina fama de perdedor em final? O matuto Muricy vai partir enlouquecido dia 9, em São Paulo.

O velho e bom futebol brasileiro. Depois do tombo na copa, duas belas decisões, com quatro gigantes. Na primeira deu Flamengo. Agora é Caim ou Abel.


E ainda...


Falcão já jogou nos dois. Vai ter que falar sobre isso.


No dia 9 de setembro, um domingo, o Brasil estréia nas Eliminatórias. Vai começar tudo de novo... Ainda bem. Rumo ao hexa!


Santos e Botafogo estão rindo à toda. Jogam em casa contra reservas de Internacional e São Paulo. Luxemburgo, além de bom é sortudo.


Nadson no Corinthians. E a parceira continua achando que o problema é dinheiro.
Escrito em 04/08/2006 |Comentários: »
USE CAMISINHA

O futebol, como a vida, é cheio de pequeninos detalhes. Quando a torcida do Fluminense eriçou os pelos, revoltada com o short verde, o fabricante acabou mudando. Agora só o branco e o grená, este último ainda sob protestos, entram em campo vestindo o tricolor. Pois é, e eu com isso? E você com isso?
Pense no teu time. No que ele representa. No imaginário emocional que ele carrega contigo desde o primeiro jogo. Agora pense nele hoje. No uniforme dele. Um escárnio, um descaso, um exemplo de marketing de terceira categoria.
O Flamengo decidiu a Copa do Brasil com um outdoor ambulante vermelho e preto. Propagandas exageradas por um preço de banana. E a incrível novidade. O sobrenome Petrobras nas costas. Obina Petrobras, Juan Petrobras, Toró Petrobras. Programação visual horrenda e letras com fontes diferentes. Além da condenável comemoração com camisas Hering de motivos diversos.
Do outro lado, o Vasco. Com uma camisa não fede nem cheira que mais parece de treino. Continuando no Rio. O Botafogo é um arco-íris também de péssimo gosto. Outro alvinegro, o Atlético Mineiro, idem. Quem é palmeirense lembra da Academia de camisa verde, short branco e meia verde. Cada vez mais difícil entrar em campo. O Corinthians virou time de árbitros, todo de preto. Saudades de Palhinha, Sócrates e Casagrade com o bom e velho branco, preto e branco. O São Paulo, tão clean e poderoso, por pouco não vira o LGFC. E por aí vai.
Certa vez, quando trabalhava na Istoé, lembro-me de ter ligado para o Milan. Disseram-me que para colocar uma logomarca Opel, a montadora pagava, na época, 8 milhões de dólares ao time italiano. E não tinha direito a emporcalhar o uniforme milanês. Também na época, o Flamengo ostentava BR em tudo quanto é lado. E recebia pouco mais de 1 milhão de dólares.
Ganância, burrice ou apenas falta de respeito com a história dos clubes brasileiros? Não à toa tem torcedor preferindo comprar camisa de treino...

E ainda...


O Corinthians é engraçado. Acha que futebol é jogo de buraco. Que basta sair comprando, comprando...


O Fluminense tem defesa de Fluminense, meio-campo de Fluminense e ataque de Brasiliense.


Não quebrem a cara. Palpites de quem ganha ou quem cai no Brazucão 06 só quando faltarem 10 jogos.


O segredo do Santa Cruz é o técnico. Maurício Simões forjou a carreira na dobra de cima do mapa do Brasil. Mas ainda é cedo...
Escrito em 03/08/2006 |Comentários: »
PASSADO, PRESENTE E FUTURO










De volta à labuta cibernética, retomo o blog com um texto interessantíssimo para os que, já com a alma fria, repensam e refletem sobre a frustração brasileira na Copa. É um exercício curioso. Vale a pena ir lendo e descobrir o autor e a época só no finzinho.


A PALHAÇADA DE 1º DE ABRIL
LIVERPOOL – A palhaçada, que começou a primeiro de abril, no Brasil, e terminou com o desastre de ontem, em Liverpool, é um retrato fiel dos crimes que a Comissão Técnica cometeu contra o futebol brasileiro. Era desejo de todos nós que o nosso escrete conquistasse o "tri", sem que isso tivesse o caráter de imposição ou mesmo obrigação, porque, afinal, outros países também se prepararam – e com que seriedade – para arrancar a Taça "Jules Rimet". Mas entre perder a Copa e uma eliminação vergonhosa nas oitavas-de-final a distância é muito grande, principalmente quando olhamos o excelente material humano que os homens da CBD recrutaram e não souberam orientar convenientemente. Estes foram de uma irresponsabilidade comovente e imperdoável, pois, em 108 dias, os jogadores brasileiros fizeram 52 jogos e treinos com apito, e nunca o mesmo time foi escalado duas vezes. Isso sem contar os ensaios de dois toques, festas, viagens, autógrafos, palmas das mãos dos craques impressas no cimento em Serra Negra, e outras extravagências.
Quando eu dizia, depois do vigésimo treino do escrete brasileiro, que os jogadores estavam sendo massacrados, o time continuava subindo e descendo serras, recebendo homenagens daqui e dali, numa sucessão de palhaçadas sobre palhaçadas. Agora, a festa acabou e os irresponsáveis da Comissão, que pisotearam a crônica esportiva e botaram banca, sentem a realidade por nós apontada e devem corar de vergonha. Para o leitor ter uma idéia de como os craques brasileiros estavam caindo pelas tabelas, basta que se lhe diga que Feola, Nascimento & Cia. Substituíram nove dos que atuaram contra a Hungria, todos eles sem condições físicas. Silva, por exemplo, ao final do primeiro tempo, estava com a mão na barriga, de tão cansado, Fidélis, agachado, em busca de fôlego; Lima e Denílson sem poder correr. Uma cena triste e deprimente. Isso, entretanto, não foi tudo, no jogo contra Portugal. Imaginem os leitores que a Comissão e os seus olheiros cansaram de ver Eusébio e Simões manobrando na esquerda, coisa que os dois vem fazendo há oito anos e fartamente conhecida pelo mais modesto treinador de futebol. Pois é. Eusébio e Simões fizeram a mesma coisa em cima do Fidélis e com isso Portugal conseguiu os gols no primeiro tempo. Na fase final do jogo, os dois craques lusos voltaram e continuaram a fazer as mesmas manobras, impunemente, porque a Comissão cega, esclerosada, estúpida e irresponsável não quis esconder o mapa da mina dos portugueses. E foi o que se viu. Diante da falta de comando, eu me recuso a analisar a atuação dos nossos craques. Eles são excelentes, mas não foram orientados. A palhaçada acabou. E acabou mais cedo do que se esperava.

Foi escrito no extinto jornal carioca Última Hora, por João Saldanha, em 20 de julho de 1966, logo após a eliminação do Brasil. Dá vontade de substituir os nomes e escrever “preencha as lacunas”. A descoberta foi de Affonso Romero, publicitário e estudioso não do futebol brasileiro, mas como o futebol brasileiro pode virar um negócio sério. Tadinho do Affonso.

E AINDA...


Felipão esteve no Brasil e deu palestra para funcionários da Claro. Disse que Figo estava para lá de bichado no jogo contra a França, quis poupá-lo, mas o Beckham luso mandou essa: “Chefe, se for preciso eu morro, mas preciso jogar esta partida”


Branco de Neve, o conselheiro de Dunga, pergunta: por que não, na próxima convocação, Arouca, Mineiro, Marcelo Matos e Josué?


Cantinho da Infâmia

Sabe por que a Ferrari economiza em lanternagem? Porque o carro do Felipe não amassa.
Escrito em 02/08/2006 |Comentários: »
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