globoesporte.com
Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Globo Esporte e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
( O Caçador de Barangas, em 2000,
MANIFESTO DO BOBO




O bobo sou eu. Bobo de acreditar num futebol onírico e hedonista. Um futebol revolucionário, capaz de mudar hábitos milenares de brutalidade, de transformar obtusos em filósofos. A cada rodada, a cada exemplo lamentável, convenço-me mais e mais de como sou bobo. Eis, pois, os 20 mandamentos do bobo. Dependendo do apoio, poderá ser protocolado e enviado à CBF. Fazendo sucesso, poderemos fazer camisetas “Bobo 100%” e quem sabe influenciar novas gerações de craques e torcedores. Sou muito bobo mesmo.

1 – É proibido gritar “ela, ela, ela silêncio na favela”.

2 – Todo técnico involuntariamente beneficiado pela arbitragem deve confessar isso na coletiva após o jogo.

3 – Não se xinga a mãe do juiz.

4 – Jogador que simular falta deve ser processado judicialmente pelo sindicato dos atores por exercício ilegal da profissão.

5 – Cartolas, atletas e torcedores estão proibidos de justificar o racismo em campo, alegando razões hediondas como folclore, tradição e “num tem nada demais”.

6 – Toda jogada bonita deve ser aplaudida por ambas as torcidas presentes, independentemente da cor do uniforme do autor.

7 – Futebol não é para homem. É para todos os cidadãos.

8 – Nenhum escudo de clube pode ficar escondido no emaranhado de patrocínios da camisa.

9 – Ninguém expulso por agressão ao colega de profissão da agremiação adversária pode ser aplaudido pela própria torcida.

10 – Jogador algum tem o direito de fazer um gol importante e bradar para as câmeras “eu sou f...”. Futebol é um jogo de conjunto.

11 - Treinador que chutar uma segunda bola em campo é banido por um ano.

12 – É inadmissível puxar a camisa do adversário.

13 – A PM não bate, protege.

14 – Torcedor não bate, torce.

15 – Todo torcedor que invadir o campo será preso por três dias e ganhará um espanador, se quiser “aparecer” novamente.

16 – O futebol deve respeitar todos os credos e religiões.

17 – Gandula desonesto jamais voltará a “gandular”.

18 – Nenhuma Seleção campeã do mundo irá receber parabéns do presidente da República, qualquer que seja ele.

19 – A mídia não poderá usar termos bélicos como “matou a jogada”, “Sicrano é matador”, “Beltrano fuzilou”...

20 – O Estado providenciará estacionamento gratuito em todos os estádios do Brasil.


E AINDA...

Junte-se a nós. Nós? Até agora só tem um bobo.



Crie também seus mandamentos. Não só no esporte.



Na revolução francesa, a guilhotina poupou os bobos da corte.


Cantinho da infâmia...

O blog registra a primeira adesão de um craque ao manifesto. O croata Boban.

Escrito em 22/08/2006 |Comentários: »
APAGÃO APAGÃO APAGÃO APAGÃO APAGÃO APAGÃO APAGÃO APAGÃO APAGÃO APAGÃO APAGÃO APAGÃO



Tem explicação? O primeiro exemplo é tricolor. Há seis rodadas, o Fluminense tem chances de subir na tabela, quiçá ponteá-la, mas se recusa. Apaga. Deixa de jogar bem. Parece uma geleca, aquela massa disforme infantil. Se a defesa e meio estão bons, o ataque está ruim. Se o ataque acerta, o sistema defensivo desanda a dar boas-vindas ao ataque adversário e toma goles em profusão. É má-vontade? É biológico? Psicológico? Num mesmo elenco, há quem apague mais do que os outros. E treinadores incapazes de acender o interruptor.

Acontece na música. Chico faz discos piores do que outros. Na literatura. Rubem Fonseca acorda, escreve e quando vê não foi tão brilhante quanto será no próximo. No cinema. Basta ver Woody Allen no último filme.

Há apagões injustos. O Botafogo luta, corre, se esforça, não apaga a chama. Mas empata, perde e despenca tabela abaixo. O Santa Cruz fez o caminho inverso. Apagou feio antes da copa e ressuscitou. O Palmeiras idem.

Quando o Guarani viaja até Pernambuco e toma oito gols... aí já é pior que apagão elétrico do governo FHC. Quando a Seleção viaja até a Alemanha e não joga nada... mais parece um apagão coletivo cerebral, incendiado devidamente pela soberba, mas diretamente ligado a um espasmo catatônico. Esquece-se de jogar bola durante um mês e joga-se fora um caneco.

O goleirão Fábio, do Cruzeiro, não consegue sair do apagão técnico em que se meteu depois que saiu do Vasco. Tomara que a Seleção o desperte. Aliás, por mais que Rogério Ceni seja um cracaço nas faltas, muitos dos gols que faz é devido ao apagão do outro goleiro, que parece não estudar, não perceber, não saber o jeito e os lados preferidos do número um são-paulino.

O apagão muitas vezes é um álibi. Outras vezes um mistério. Senna teve um e bateu no meio de uma corrida ( deixo para os corajosos pesquisarem qual no Google). Daiane pode ter tido um em Atenas, mas ela mesmo, sábia, disse que faz parte do esporte não brilhar certas vezes e isso não é pecado.

Grandes jornalistas escrevem matérias fraquinhas e sofrem com o crivo dos próprios colegas. “Ih, Beltrano errou a mão”. Atores esquecem falas, disfarçam e criam cacos que divertem a platéia. Até o presidente do Brasil sofreu um apagão na bancada do JN.

O problema é que apagão, lanterninha e brilho são todos do mesmo campo semântico. E as torcidas de Goiás, Cruzeiro, Fluminense e Atlético Paranaense ( mesmo com um jogo a menos) estão perdendo a paciência. Se até os apagadões Corinthians e Flamengo andam tendo seus “insigths” em campo e já correm em busca do tempo perdido, não custa lembrar, com o auxílio da rasa e rasteira infâmia, que quem sofre muito apagão acaba apagando a conta. Lá na frente.

E AINDA..

E ninguém passa Dodô.



Agora nem a Fifa tem mais coragem de dizer que Ceni não é mais goleador que Chilavert.



Renato Gaúcho deve estar rindo de quem apostou em sua saída. O Vasco é uma das grandes surpresas do campeonato. Mas apagou na final da Copa do Brasil.



E a campanha por um futebol onírico continua. Ei, Marcinho Guerreiro, que tal mudar o apelido para Marcinho Filósofo?

Cantinho da Infâmia...

Sabe por que a Miriam Lane joga vôlei de celular? Por que o Super Liga.

Escrito em 20/08/2006 |Comentários: »


O FIM DOS LATERAIS E A CONTENDA VERBAL DO CORINTHIANS

O título do post parece nome de seminário da Fundação Getúlio Vargas ou título de filme cult do Irã. Mas é uma questão bacana. Quarta-feira passada, em Campinas, André Cunha, ex-palmeirense, fez dois gols para o Fortaleza contra a Ponte. No papel, no álbum de figurinhas e nas conversas de botequim ele é tratado como lateral-direito. Será?

Lateral lateral, como pensado há décadas, era o homem da defesa responsável em conter o ponta. Lateral esquerdo marcava o ponta-direita e vice-versa. Aí o ponta sumiu. Com o congestionamento do meio-de-campo, ficou inviável jogar com três atacantes. E não dá para lembrar com carinho do visionário e moderno Telê. Havia um personagem do Jô Soares que enchia a paciência do treinador, em 86, berrando “Bota ponta, Telê”. Quebramos a cara, éramos nós os anacrônicos.

Pois é. Sem ponta, os laterais ficaram liberados para atacar. E esqueceram de defender, por cansaço, preguiça ou vontade de marcar goles ( he, he...). Criou-se a opção três zagueiros, que logo logo vai virar “default” em todos os times. E o lateral virou ala. Um caminho que começou a ser pavimentado pelos laterais mais habilidosos, que migraram para o meio. Hoje a posição é híbrida e múltipla. Eles cortam para o meio, marcam na frente, dão lançamentos e o lugar onde menos se encontra um lateral... é a lateral. Paulo Bayer é lateral? Não. Grosso é lateral? Não. Júnior é lateral? Não. Jorge Wagner é lateral? Não.

E a briga no Corinthians? Grande bobagem. Cansativa.


E AINDA....



Você acredita no basquete masculino brasileiro?



Hoje, mais uma chance para Sávio fazer um gol pelo Flamengo.



Dois jogos interessantíssimos na rodada. Cruzeiro x São Paulo e Internacional x Palmeiras. Um belo estudo da mente humana. O São Paulo está abalado? E o Inter? Empolado?


Cantinho da infâmia...

Sabe porque o Schevchenko não jogou nada na Copa? Traumatismo ucraniano...

Escrito em 19/08/2006 |Comentários: »


A mão e luva

Rogerio Ceni falhou na final da Libertadores? Oliver Kahn falhou na final da Copa de 2002? Por que os goleiros contemporâneos batem tanta roupa?

A culpa não é da mão, é da luva. A bola cada vez mais sintética, leve e traiçoeira. E a luva, com seus dedoes enormes e forma espalmada, virou alvo fácil. Repare como todos os goleiros adoram defender a bola em dois tempos. Poucos tentam segurá-la, como antes faziam os antigos arqueiros. As luvas pré-historicas eram finas e continham curiosas ventosas. Fora os goleiros românticos, que agarravam sem luvas.

Já que o assunto é a nova forma de catar no gol. Ninguém mais sai da área, como fazia por exemplo o alemão Meyer ou o próprio Wendell, hoje treinador da Seleção. A desculpa é que os laterais e meias aprenderam a cruzar com efeito, jogando a bola na direção da pequena área, mas fazendo com que ela mude a trajetória no meio do caminho. E ai ninguém quer deixar a meta desguarnecida, sob o risco de levar goles em profusão.

Hoje, para ser um goleiro destemido, seguro e dono da área, usa-se de artifícios distintos, como o berro, o lançamento com os pés e eventualmente correrias desenfreadas tentando fazer algum gol de cabeça na área adversária. Saudade dos antigos. Dos que faziam pontes e ainda encontravam tempo de sorrir para o fotografo. Agarrar, alem de ser uma escolha insana, era um oficio baseado no instinto e a coragem. Hoje é técnica demais... e talento de menos.


E AINDA...

Devagar com o andor corintiano, o Fluminense estava bastante desfacaldo.



Falando em Flu, ou o time deixa de ser uma peneira ou pode desistir da Libertadores e do titulo.



Falando em Flu, Josué foi corajoso enfrentando as bravatas de Leão, que foi deselegante e anti-etico ao ironizar o companheiro de trabalho. Quem e Josué?



O blog vai lançar uma campanha contra a violência. Muda o numero da camisa, Carlinhos Bala!!! Usar o 38, numa analogia bélica rasa e perigosa, não vai te fazer bem.



Blogando remotamente, faltam acentos no teclado. Perdão.



Mas ainda temos tempo para lembrar de Machado e seu romance...

Guiomar, que estava de pé defronte dele, com as mãos presas nas suas, deixou-se cair lentamente sobre os joelhos do marido, e as duas ambições trocaram o ósculo fraternal. Ajustavam-se ambas, como se aquela luva tivesse sido feita para aquela mão.

Escrito em 17/08/2006 |Comentários: »
QUARTA NOBRE


E o Saci assustou Muricy!




Rapazes & Moças, quantos gaúchos moram em São Paulo? E quantos deles torcem pelo Internacional? Mal acabou o jogo e começou um foguetório e um buzinaço. É até divertido, mas é muito exagero perder a voz só para torcer contra o rival. Os corintianos ainda tiveram o bônus de vencer o Fluminense no Maraca. Enfim, o Colorado é campeão. Viva a redistribuição de renda.

Temos, pois, mais um brasileiro na galeria de triunfos sul-americanos. Desde o começo, falei para amigos torcedores do Inter que esse ano estava fadado, destinado e endereçado para a taça ficar no Sul. O São Paulo, obstinado mas jogando menos do que o ano passado, quase chegou. Só que o título foi para lá de merecido. Rafael Sóbis joga o fino da bola e Fernandão merece ser campeão no time que ajudou a recuperar e que o ajudou a virar estrela. E o pianista Abelão, com aquele barrigão, merece também. Final histórica, paz histórica e últimos minutos para desentupir qualquer coronária.

A quarta foi nobre porque mostrou uma correria desenfreada, jogadores novamente correndo atrás da bola como um faminto em busca de um prato de comida. Êita jargão velho. No Maraca, o Corinthians resolveu correr, fez jogo duro e segurou o tricolor, que não desistiu nunca e só não empatou porque o goleiro Marcelo agarrou a bola como a primeira namorada.

Em Floripa, correria menos qualificada, mas um empate disputado entre Figueira e Flamengo, que aos pouquinhos deixa de ser piada no Brasileiro. Já no tira-teima nordestino, melhor para o Fortaleza, que saiu da sarjeta, venceu fora de casa e viu o Santinha ser atropelado pelo Grêmio. Aliás, o time do Olímpico está pensando seriamente em se mudar para Recife. A cidade virou amuleto desde a subida para a Primeirona naquele jogo doido contra o Náutico.

E o Botafogo... quase... quase... vence o Goiás, que continua devendo. O elenco também é mais fraco do que o ano passado, mas continua devendo.

Talvez surjam comentários vingativos, geográficos e raivosos. Mas vamos ser sinceros. A Libertadores está em belíssimas mãos. E até os gremistas vão dormir felizes, pois já povoam o hemisfério norte da tabela de classificação. Quando se perde para um rival digno e, por que não dizer, melhor no balanço dos dois jogos, dorme-se com dor de cabeça, claro, mas consciente de que se fez tudo para reverter a história. São-paulino, não reclame de barriga cheia, troque o chip e foque o Brasileirão. Colorado, vai que é tua Taffarel. E boa sorte no Oriente, afinal... a bandeira japonesa é vermelha e branca.
Escrito em 17/08/2006 |Comentários: »
O Zangado Mestre Dunga
Já dá para criticar?

Não. Mas já dá para jogar conversa fora sobre a Seleção. E como prega Mariano Baptista, editor executivo do GE, nada de chamar de Nova Era Dunga. Foi bacana ver o time correndo, ainda desorganizado, mas vibrando e tentando acertar. Confesso que me irrita o jeito blasé dos medalhões comemorarem gols pela Seleção. Algumas pequenas observações, pois:

- O artilheiro do amor não pode perder um gol daqueles.

- Lúcio de capitão é tragicômico.

- Maneiro ver o Dunga fulo da vida no gol da Noruega.

- Fred a cada jogo se firma como reserva imediato dos atacantes medalhões.

- Elano esqueceu o futebol em alguma praia de Odessa.

- Pode ser implicância leviana, mais parece que Robinho ganhou corpo, ficou forte e perdeu a mobilidade moleca.

- Cedo perguntar, mas será que o time do Zangado Mestre Dunga foi orientado a bater pouco? Apenas dez faltas.

E AINDA...




Não sei se tem a ver com futebol, mas.... A Nike está vendendo um tênis a R$ 750. Mais de dois salários mínimos. O mundo acabou.



Linda a camisa da Noruega. Difícil é achar para comprar.



Tira o bigode, Américo Faria.



Chove o dia inteiro em Porto Alegre. Ou os jogadores calçam chuteiras biscoito ou vai virar patinação.

Cantinho da infâmia

Abre o Oslo, Dunga!
Escrito em 16/08/2006 |Comentários: »
O que você vai fazer hoje à noite?




1 – Separar cerveja, pipoca e ver, da poltrona, ao jogão do Beira-Rio.

2 – Tirar a camisa colorado da sorte, ir cedo ao estádio e ainda ficar na Coréia, pulando o jogo todo.

3 – Ir à Vila Madalena, procurar um telão, ignorar corintianos, palmeirenses e santistas, saudar o aniversariante Bukowski com um copinho de cachaça e torcer para o São Paulo.

4 – Assumir o nervosismo, ir para a avenida Paulista, se enfurnar no Cine Bombril e ver a última sessão do filme Zuzu Angel. Se tiver barulho na saída, festa, se houver silêncio, luto.

5 – Ignorar a Libertadores e procurar Figueirense x Flamengo na TV para ver o duelo Schwenk x Renato Augusto.

6 – Justificar o pay-per-view e começar a zapear os jogos Vasco x Azulão, Ponte x Fortaleza, Goiás x Botafogo.

7 – Esticar todas as toalhas da casa, torcer para o Grêmio no Recife e reforçar a vedação das janelas. Porque se o Inter for campeão, Porto Alegre, para você gremista, ficará insuportavelmente barulhenta.

8 – Ir ao Maracanã ver a estréia de Leão contra um Fluminense ainda sob suspeita.

9 – Ficar conectado na Globo e no computador, entrando no blog do Lédio e batendo papo com outros comentaristas.

10 – Rever o jogo do Brasil, porque você estava trabalhando e acha a estréia de Dunga mais importante que a final no Sul.

11 – Ir à uma igreja, mesquita ou sinagoga. Agradecer por ser brasileiro e estar no Brasil nesta quarta-feira inesquecível. É muita história para contar aos netos.


E AINDA....



Até agora, sucesso total no cessar-fogo entre Inter e São Paulo. A paz reina. Tomara que no sul do Líbano também.



Espanha x Islândia foi o pior jogo do século 21.



Se você jogasse no Inter ou São Paulo, fosse campeão da Libertadores, aceitaria alguma proposta estrangeira ou esperaria seis meses para tentar ser campeão mundial. Dinheiro ou glória?



Hoje à noite, mesmo sendo ruim, o jogo vai ser bom.
Escrito em 16/08/2006 |Comentários: »
CENTRAL DE RELACIONAMENTO TODOS OS SITES MEUS DADOS POLÍTICA DE PRIVACIDADE