
10 PERGUNTAS PARA A HUMANIDADEPor que o Grêmio não é favorito?
Por que insistimos em achar o time gaúcho o patinho feio que veio da Série B e lutaria apenas para não cair novamente?
Por que Hugo e Léo Lima resolveram fazer jogadas de alta classe e ainda serem úteis para o esquema tático do time?
Por que ninguém badala Patrício, o Zanetti gaúcho?
Por que ninguém badala o argentino do Grêmio, Herrera?
Por que Mano Menezes continua sendo uma aposta?
Por que a torcida gremista não reflete sobre as vantagens de não ser punida por atos de vandalismo?
Por que Muricy Ramalho resolveu falar só agora que Grêmio e Figueirense são os dois times que estão jogando o melhor futebol pós-Copa?
Por que o DVD Batalhas dos Aflitos não está disponível nas locadoras de todo o Brasil?
Por que Rômulo ainda não é o artilheiro do campeonato?
O PÊNALTI DE WILLIAM – PRIMEIRA PESSOADeus meu, quem sou eu? O que passou pela minha cabeça? Eu, que treino tanto, que lutei tanto para chegar até aqui. Fui inventar moda. Por acaso sou Marcelinho? Sou Zidane? Quem sou eu? Sou William Xavier Barbosa. Lá em Campo Grande, onde nasci, no Mato Grosso, família chora minha incompetência. Logo ela, que vibrou tanto quando consegui uma vaguinha no Vasco. Time grande do Rio. Chance de vencer na vida.
Fui parar no Botafogo. Para alegria de alguns primos. Gostei da torcida. Aprendi que coisas estranhas só acontecem ao Botafogo. Mas fui treinando, conseguindo meu espaço... Seu Cuca passou a confiar em mim. Entrei bem ontem. Puxei bons contra-ataques, fui aplaudido. E vieram os pênaltis.
Maldito Marcão, maldito bandeirinha. Por que os pênaltis? Até os 47 minutos do segundo tempo eu já estava pensando se meu passaporte estava atualizado para eu viajar pela América do Sul com o Botafogo. De repente o gol do Fluminense. Lá do ataque, vi a euforia dos tricolores.
Voltei caminhando para o banco. Tínhamos noção da nossa força, da boa fase. E fiquei feliz, um pouco ansioso, quando o Seu Cuca resolveu que eu bateria o quarto pênalti. Mas aí o Thiago Marin perdeu o dele. E agora, o que que eu faço? Todos ali, abraçados no meio-de-campo, me dando aquela força. Zé Roberto, Júnior Cesar, Reinaldo...
- Vai lá, William, vai lá moleque.
E lá fui eu. Chuteira nova. Todo pimpão. Preciso fazer o gol para reacender a esperança. Na minha frente o Diego, com aquele uniforme roxo horroroso. Eu tinha reparado, juro, que ele pulava antes para algum canto. Estou confiante. Vou bater no meio.
Onde eu estava com a cabeça?
Vão me achar um mascarado, um maluco, um burro. Se eu ainda tivesse isolado a bola... ou dado um bico na trave... ou escorregado igual ao Anderson Lima. Mas não... resolvi dar uma de Marcelinho Carioca, de Zidane, sei lá de quê... Fui confiante para bola, percebi com o rabo de olho que Diego já estava caindo para o meu lado esquerdo. E...
Poff...
Bati na bola fraco, péssimo, meio que com o calcanhar. Fui olhando ela rumando para o centro do gol, aquele barulhinho inesquecível da grama. Rangi os dentes. Percebi que Diego, também com o rabo de olho, viu que a bola não estava tão veloz.
Não, não, não!
Sim. Ele voltou, defendeu minha bola de joelhos. Suprema humilhação. Eu sou uma besta. Burro, burro, mil vezes burro.
Quem sabe o Lopes me salva agora? Perde, Tiago, perde! Não perdeu. Meu Botafogo foi eliminado.
E fez-se noite o meu viver.
O GANDULA BOBALHÃONão importa que a juíza Silvia Regina disse que a culpa foi dela e do bandeira. Não importa que é divertido ver um senhor repetir a cena patética de colocar a bola para dentro no jogo enquanto exercia a função de gandula. Não importa que a cidade de Pardo, no interior de São Paulo, perde tempo discutindo se ele teve razão ou não.
O gandula é um bobalhão.
Rimou. Como são bobalhões todos que se acham acima da verdade. Recentemente foi um jogador do Atlético Paranaense, que como o gandula, não terá o nome citado aqui. Ele, em pleno campeonato paranaense, chutou para gol, a bola foi para fora, ele viu, mas saiu comemorando igual cabrito quando vê cabra e induziu o juiz e o bandeira a marcarem o gol ilegal, imoral, irracional.
Mas parece que nos acostumamos a dizer que um dos maiores lances de um gênio do futebol, Maradona, foi feito com a mão. Não vejo graça. Como também o passinho do elefantinho dado por Nilton Santos na Copa de 58, livrando-se assim de um pênalti claro. Ou mesmo Pelé, que vira-e-mexe é enaltecido pela incrível habilidade de cavar pênaltis fazendo falta no zagueiro. Não vejo graça.
Certa vez, no Arena, compararam o futebol ao pôquer, e assim legitimava-se todo e qualquer blefe. É muito engraçado quando o nosso time ganha...
E o mais cruel, voltando ao gandula bobalhão, que ele não vê nada demais no que fez. Lembrou-me o Congresso Nacional.