SALVEM A AMAZÔNIA

Salvem a Amazônia!!!
Lamenta-se a queda de dois times paulistas. Fala-se muito do declínio do futebol do interior de um estado que já participou do Brasileirão com nove equipes. Vertem-se algumas lágrimas cearenses pela queda do Fortaleza. E o Santa Cruz não causou tanta comoção por causa da subida dos primos Sport e Náutico.
Eu aqui me entristeço pelos povos da floresta. Cadê a região Norte no campeonato do ano que vem?
Teremos 3 nordestinos, 6 sulistas, 10 do Sudeste e um do Centro-Oeste. Cadê Remo? Cadê Paysandu?
Este último caiu para a série C. O penúltimo nem chegou perto da A. Do Amazonas, foi-se embora também o São Raimundo.
Retrato de um país financeiramente dividido desde colônia. Quando tínhamos um campeonato inchado e gigantesco, havia o luxo de colecionarmos escudinhos da Placar com times realmente de todo o Brasil. Depois de muita grita, justa grita, temos hoje uma competição magra e enxuta. Mas que não resiste ao Darwinismo esportivo.
Nada de viradas de mesa e complacência com quem simplesmente não faz gols nem vence jogos. Mas é triste. Belém do Pará é uma cidade simpaticíssima, o povo de lá talvez seja o que mais bem fala o português, a paixão pelo Papão e pelo Leão é maior do que qualquer dependência “colonialista”. Ou seja, torce-se para os times de Belém mesmo. O próprio Mangueirão, que já recebeu a Seleção, é paisagem já consagrada com suas arquibancadas tremendo o tripé da câmera da televisão.
Ah, Belém. De moças chamadas Lindalva, da Casa das Onze Janelas, do mercado Ver-o-Peso, da Estação das Docas, das praias de Rio.
Que algum dia possamos ter um campeonato brasileiro do Brasil. Há solução?
Reflexões peripatéticas...
- Ronaldinho vai ganhar.

- Viva Jota Júnior.

- Alguém acreditou que Tévez vestiria a amarelinha?

- Marcinho e Juninho Pernambucano: qual a novidade?

- Preparem-se. Vai começar o chutômetro das contratações. A qualquer momento, Messi pode estar no seu time.

- Sai do Iraque, Bush.

- Demorei a postar novamente pois fiquei com pena do post “Figurinhas” sumir. Foram tantos comentários generosos que, confesso, emocionei. Bom, pelo menos foi para o arquivo.
SEGUNDA-FEIRA
Uma tarde perdida de fim de ano na Avenida Paulista. Num bar qualquer, daqueles que servem refeições. Nosso personagem pede um bife qualquer. Sozinho, percebe uma moça almoçando também, na mesa do córner. Estranho, pensa. E não se furta, sem cogitar flerte, em perguntar:
_ Olá, boa tarde. Almoçando a esta hora?
_ Pois é. Talvez driblando o relógio seja mais fácil achar lembranças perdidas.
Perfeito. Uma sonhadora. Vale dar corda.
_ Posso me sentar?
Disse que sim, ainda de boca cheia. Engoliu e desandou a falar. Tinha saudades dos garçons que mexiam nos pratos do cardápio. Que trocavam a alface por uma batata corada. E no final, traziam a conta e ainda davam o troco, mexendo em carteiras pretas milimetricamente organizadas.
A moça também suspirou pela falta de fósforos. Era fumante, daquelas charmosas, e achava um absurdo comprar cigarros no caixa da delicatessen, perguntar por fogo e o rapaz treinado dizer que não tem. Nem um isqueiro pendurado com uma cordinha furreca. Vendem-se cigarros. Mas nada de fogo.
Nosso personagem resolveu confessar. Gostava de futebol. E também morria de saudades.
_ Sabe, moça. Eu adoro futebol. Já perdi namoradas por causa disso. Troquei cinema por jogos horríveis nas tardes de sábado. Sempre achei que haveria ao menos uma lição de vida num jogo entre XV de Piracicaba x Sampaio Correia, transmitido por uma emissora qualquer. O pior é que nem sempre havia. Conheço vários estádios do Brasil. E não foi em caravanas promovidas pelos torcedores do meu time. Estava de férias e adorava conhecer o universo dos times locais. Também perdi namoradas assim. Mochileiro na Europa, fui parar num jogo entre o Manchester City e o Queens Park Rangers. I lost a girlfriend. Quando vejo briga no estádio, raiva na torcida, reflito sobre minha paixão. Amo futebol. Tantos amigos meus amam também. Cansamos de ir a jogos numa época onde era possível torcidas adversárias dividirem o mesmo espaço. Onde não existia extorsão de flanelinhas. E com todo o desconforto, qualquer partida acabava em vários chopes culturais.
Mas a moça não pareceu surpresa. Achou que eram lembranças perdidas. E perguntou:
_ Isso ainda acontece?
E aos prantos revelei a perda da minha última namorada.
_ Mas por quê?
Fui ver Barueri x Ferroviário, pela série C, decidindo a última vaga para a série B. Ela não me perdoou.
_ Também, né...
Acabou-se o encanto. Paguei a conta e me despedi. Não perdi mais tempo. Ela lá ficou, também sem entender os mistérios da paixão.