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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Globo Esporte e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
( O Caçador de Barangas, em 2000,
ROGÉRIO MIS-EN-CENI







Que é um goleiraço ninguém duvida. Mas sempre o achei desconfiado. Sentindo-se preterido e, por vezes, transbordando personalidade. Rogério Ceni fez cara feia no vice da Recopa, jogou a medalha fora, deu lá uma desculpa e foi um pouco rude com quem o criticou.

Quando faz gol, sai correndo meio solitário, como que feliz com mais uma vitória pessoal. Há quem diga ser apenas preocupação em evitar um gol-surpresa do adversário.

Eis que segunda-feira, na cerimônia de premiação do Craque do Brasileirão, em plena canícula carioca, enfurnado num terno, Rogério Ceni é convidado pelo espetacular palhaço do Cirque du Soleil a bancar o escada. Servir de trampolim para o palhaço brilhar. Rogério topa, ao contrário de outros velhos de espírito, que fugiram do convite simulando até estar falando ao celular. O goleirão se vê no palco, olhado por milhares de colegas, torcedores e jornalistas ácidos. E não se faz de rogado. Entra no jogo circense, joga-se no chão, tenta voltar para a platéia, o palhaço não deixa, ele cede novamente, brinca com as onomatopéias do novo parceiro e passa mais de dez minutos se expondo.

Ganhou aplausos. Muito mais importantes que os troféus de craque do campeonato e melhor goleiro. Rogério Ceni aproveitou tudo que o futebol lhe deu. Ao contrário dos bobocas milionários, que não têm a menor idéia da fama mundial do Cirque du Soleil, fundado no Canadá e atualmente com cinco espetáculos simultâneos no mundo inteiro. Sucesso de público durante dois meses em São Paulo com ingressos que beiravam os R$ 200. Atualmente em cartaz no Rio e com êxito semelhante. Os bobocas milionários ganham dinheiro e não investem em si.

Rogério, que nunca jogou no exterior, aprendeu violão, fez um discurso diplomático e lindíssimo, elogiando o povo carioca e mostrando-se siderado com a beleza do Municipal.

Rogério é símbolo de numa nova geração de craques. O que compreende seu papel na sociedade. O que estuda o próprio ofício. O que consegue entender que o futebol é muito mais do que 90 minutos suando. E não é porque vem de uma família classe média do planalto brasileiro. Vários jogadores nascidos pobres são iguais a ele. Aproveitaram o futebol não para abrir uma conta gorda administrada por algum empresário. Mas para se transformar num cidadão melhor. E, por tabela, influenciar um pouquinho os que batem palmas por suas jogadas. No gramado ou no palco, ao lado de um palhaço.

Aliás, o palhaço é o artista completo.

E Ceni, pelo jeito, é um atleta completo.
Escrito em 05/12/2006 |Comentários: »
QUE JOGO É ESSE?

Voltemos ao tempo de criança. Eis aqui um desafio para os mestres que freqüentam o Garamblog. Escolhi seis fotos do meu arquivo pessoal. Cabe ao leitor curioso descobrir as dicas dentro da própria foto. Será que vai ter gente gabaritando? Vale chamar o colega do lado ou o irmão mais novo ou o parceiro de trabalho. Vale copiar e mandar para algum outro tarado por futebol. Boa sorte! Se bem que não é o caso de sorte... Como sou uma besta também em informática, não consegui separar as fotos, mas acabou ficando mais divertido e confuso.



















Seis fotos. Seis desafios.


Ah, sim. O filme "Um bom ano" não é espetacular, mas um importante personagem principal usa a camisa de um importante time francês. Alguém sabe qual?
Escrito em 06/12/2006 |Comentários: »

Agora eu quero ver!!!


Os queridos comentaristas acertaram mole os primeiros seis desafios e ainda deram de ombros e cobraram algo mais difícil. Eis aí uma foto bem interessante, com algumas dicas sutis na própria imagem. Como não sou carrasco, aviso que foi tirada numa Copa. Quem se habilita???? E ainda não peguei pesado...

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E no último post, falei da camisa do francês no filme "Um bom ano". É do OM!!!
Escrito em 07/12/2006 |Comentários: »


UMA HISTÓRIA MINEIRA


Juarez era atleticano. Pedro cruzeirense. Amigos de jogar Atari em dias de chuva. Ambos fanáticos, doentes, pelos clubes. Ambos fanáticos, doentes, em perturbar a vida do outro nas vitórias e derrotas respectivas. No século passado, Juarez mandava telegramas bem-humorados para o amigo quando o Galo vencia a Raposa. Clássico seguinte, o triunfo se invertia, e Pedro inventava moda grafitando um outdoor na frente da casa de Juarez. Um encarnava no outro que encarnava no um. Já não sabiam se curtiam mais vencer o rival no Mineirão ou esperar a segunda-feira para bolar alguma traquinagem para cima do amigo.

Jamais brigaram. Ficavam furiosos um com o outro, mas sabiam que fazia parte do jogo essa provocação. Foram crescendo, estudando, trabalhando... passando mensagens SMS depois dos jogos, e-mails, MSN, enfim... continuam zoando sem dó. Um brigando para ser mais criativo que o outro.

Eis que um dia, o Brasil parou. Havia um Cruzeiro x Atlético de arrepiar. O alvinegro vinha de várias vitórias sobre o time azul. Juarez ganhara almoços, cervejas e se divertia atazanando a vida de Pedro depois de cada vitória. Trabalhavam juntos na UFMG, eram professores, um de Ética outro de Legislação. Na última vitória do Galo, Juarez arrumara um jeito de imprimir um anúncio, tipo classificado, vendendo “um amigo pato”, contando que era uma beleza ter um amigo pato, porque ele perdia sempre as apostas e ainda aceitava com esportividade as dezenas de brincadeiras no dia seguinte. O anúncio ficou pregado em todos os murais de cortiça dos corredores da universidade.

Mas voltemos ao jogo. Que jogo. Dois esquadrões em campos. Cariocas, paulistas, gaúchos, pernambucanos, goianos... todos os estados grudados na televisão. Em campo, a decisão do campeonato mineiro, a disputa pela artilharia, goleiros menos vazados, duelos para todos os gostos. Na arquibancada, Pedro de um lado, Juarez de outro. Antes da bola rolar, Juarez ainda mandou um SMS para Pedro. “E aí, Pato? Vai pagar o jantar para mim onde?”. O Atlético era o favorito.

Mas deu Cruzeiro. No último minuto. Num gol de zagueiro, numa bicicleta de letra antológica.

Juarez tremeu. O inverno chegara mais cedo. Calafrios por todo o corpo. Depois de tanto tempo transformando a vida esportiva de Pedro num inferno, qual seria a vigança? O que o amigo estaria aprontando? Um anúncio na TV? Um complô para todos da sua família vestirem a camisa do Cruzeiro? Pintaria a rua dele de azul? Juarez ficou ansioso.

Mas na primeira hora depois que o jogo terminou, nada. Nem celular, nem mensagem, nada. Pedro devia estar aprontando algo para a segunda-feira, no campus.

Acordou transtornado, nem café tomou. Temia encontrar o amigo no corredor na primeira hora da manhã. O que Pedro faria? Passeata de estudantes? Recado do reitor?

Estacionou o carro, nem cumprimentou o porteiro, caminhou tenso até a sala dos professores. Súbito, Pedro.

Ai, meu Deus.

Porém, Pedro apenas deu bom dia. E foi dar aula. Juarez estacou no corredor. O que houve? “Nenhuma palavrinha, nenhuma gozação. Deve estar aprontando algo terrível este meu amigo”. À tarde, almoço no bandejão. Comeram com duas professoras da psicologia. Pedro ria, contava piadas, falava de política, mas futebol que é bom, nada. Juarez, introspecto, temia pelo pior a qualquer momento. O dia acabou, Pedro se despediu. E Juarez ficou ainda mais tenso. Talvez algo em casa o aguardasse. Nada.

Pedro ignorou a vitória cruzeirense sobre o Atlético.

No dia seguinte, idem. Havia uma festa de aniversário de um aluno. Balões, bexigas, bolo e salgadinho. E o silêncio de Pedro. Juarez realmente estava incomodado e ansioso. Parabéns para você. Mas nada de trucidar a honra do Atlético Mineiro através de uma boa gozação.

Veio quarta-feira e nada. Pedro seguia a vida como nada tivesse acontecido. Juarez passara a noite em claro. No limite do desespero, como se houvesse uma sentença de morte a ser proferida a qualquer momento, mas o juiz protelava para seu terror.

Uma tortura branca.

Quinta-feira chegou em Belo Horizonte. E Juarez contava os minutos que encontraria Pedro. É hoje. Mas apenas um aperto de mão fraterno, um assunto banal qualquer e nada de futebol.

Até que chegou a sexta. A vida de Juarez transformara-se num inferno da ansiedade. Não conseguia dar aula, emagreceu e estava uma pilha. Resolveu acabar com esta palhaçada. Pediu licença aos alunos e saiu tresloucado pelos corredores, olhou no mural onde Pedro estava lecionando, subiu as escadas, tropeçou, trombou no inspetor e nem pediu licença. Empurrou a porta com força e praticamente despencou no meio da sala de aula. Os alunos se assustaram, mas Pedro, de pé, escrevendo no quadro-negro, apenas parou e observou. Bufando, Juarez chegou perto, agarrou o amigo pelos ombros, o sacudiu freneticamente e berrou num lamento que se ouviu por toda a universidade.

_ POR FAVOR, ME SACANEIA!!!!!!!

E Pedro apenas sorriu, vitorioso.
Escrito em 08/12/2006 |Comentários: »

O Divino Futebol





Seguia o poeta Virgílio pelo inferno. Mostrando as mazelas da humanidade quando teve que parar para explicar. O que era aquilo? Um posto avançado do purgatório? Dentro de um semicírculo, em forma de arquibancada, vários torcedores sentados, cotovelos nas pernas, alguns deitados olhando o nada, sem sorrisos, sem brilho nos olhos.

- O que é isso? - perguntou o visitante.

E Virgílio deitou prosa.

Era um lugar muito especial e recente. Os que lá viviam tinham um passado de glória e êxtase. Haviam vencido batalhas inesquecíveis, parado as cidades com festas antológicas, orgulhavam-se de desfilar com seus uniformes cobertos de glórias. Cada um do seu jeito, cada um vindo de um vilarejo, cada um com uma combinação de cores preferidas.

- Ficarão aqui eternamente? – insistiu o visitante.

Não. Muitos já voltaram ao andar de cima. O tempo mínimo de estadia é de um ano. Mas há quem não consiga retornar de jeito algum. Não que tenha gostado daqui. Simplesmente se acostumaram.

Dentro do semicírculo não havia exatamente um sofrimento, ninguém tinha as costas lanhadas, o fogo lá não chegava, o sentimento geral era de decepção, frustração, tristeza e nostalgia. Virgílio se aproximou e permitiu ao visitante descobrir o que havia de comum entre todos aqueles moradores. De perto, percebeu-se que eram torcedores típicos. Uns de chinelão, bermuda e camisa do time. Outros agasalhados. Alguns enrolados em bandeiras.

- Existe algum líder? – questionou o visitante.

- Eu! – respondeu uma voz do meio da turba desanimada.

Chamava-se Cláudio, apelido Calígula. E recontou sua história.

- Eu sou América. O Ameriquinha. Do Rio. Estou aqui desde 1987. Ao meu lado, outros americanos. O de Minas, o de Rio Preto, o de Natal. Não, esse foi embora. Vivo num mundo à parte. Excluído das conversas de bares, dos gols do Fantástico, das capas dos jornais, dos papéis de parede da Internet, das mesas redondas, dos álbuns de figurinhas, dos ovos de Páscoa, dos videogames. Sou obrigado a freqüentar muito mais cinema e teatro, leio vorazmente os lançamentos literários, porque senão seria eu um homem sem assunto. Minha alma solitária vaga durante nove meses do ano. Se não fosse o Campeonato Estadual, apelaria para a solução final.

O suicídio??

- Não. Trocar de time.

À medida em que Calígula desfiava seu rosário, aproximavam-se outros nômades do local. Tão triste quanto ele, chorava pelos cantos o torcedor da Portuguesa, consolado por um da Ponte Preta e outro do Guarani, irmãos agora na desgraça. O périplo niilista ainda tinha gente do Remo, Paysandu, Avaí, Coritiba, Vila Nova, Ceará, Bahia, Vitória, e os recém-chegados Santa Cruz e Fortaleza, que já conheciam o inferno de outros carnavais. Do São Caetano, só um boneco, já que ninguém torce de verdade para o Azulão.

De quatro em quatro anos todos eram liberados por um mês. Na Copa, ficavam de pé de igualdade com a turma de cima, já que cada vez mais pouquíssimos times brasileiros forneciam jogadores para a Seleção.

Depois voltavam para o inferno. Saudosistas por obrigação, reféns de um mundo onde tradição regional já não conta muito, o clã dos rebaixados enfrenta uma provação diária. São fortes, não desistem, mas não conseguem esconder a mágoa de quem entregou seu coração a uma paixão e foi traído.

E ninguém tem pena.


POR QUE NÃO VER?

OS INFILTRADOS, de Martin Scorcese. O diretor de Táxi Driver acertou a mão de novo. Os primeiros quinze minutos são uma aula de técnica cinematográfica, apresentação da trama e introdução aos personagens. E para os que torcem o nariz, Leonardo Di Caprio está excelente.

POR QUE NÃO LER?

O RETRATO DE DORIAN GRAY, de Oscar Wilde. Num mundo louco, movido à vaidade, sempre é bom reler clássicos que anteviam a pobreza de espírito do futuro.
Escrito em 10/12/2006 |Comentários: »



CARIOCAS FELIZES


Há quanto tempo os nativos do Rio de Janeiro não dão um sorrisinho quando o assunto é futebol. O último título brasileiro foi o do Vasco, em 2000. E o atual, da Copa do Brasil, é bom, mas não é bom, porque os adversários do Flamengo foram mais fracos. Falando em Flamengo, a festa dos 25 anos do Mundial trouxe à mídia os cracaços da Gávea que encantaram o Brasil inteiro pela classe e categoria em campo. Aquele time era inesquecível. Cleber Machado, por exemplo, gosta de citá-lo como o mais incrível que já viu ao vivo.

Mas o sorrisinho não tem nada a ver com isso. Muito menos com a declaração de Rogério Ceni no Municipal elogiando a cidade, ou com os versos de Adriana Calcanhoto na música “Cariocas”.

O assunto é Campeonato Estadual. Ou Campeonato Carioca para os antigos. Há muito, mas muito tempo que a competição não começa com os quatro grandes em pé de igualdade. Ninguém é favorito. É claro que não são quatro esquadrões. O Flamengo não é o de Zico, o Vasco não é o de Roberto, o Botafogo não tem Ferretti, Fischer ou Garrincha, e o Fluminense nem de longe merece o apelido antológico de “A Máquina”. Mas também não são quatro porcarias de dar dó. Ninguém brilhou no Brasileirão, mas ninguém caiu, ao contrário das previsões dos Apressadinhos de Abril.

Time por time, um rápido resumo.

O Botafogo manteve Cuca, Zé Roberto, Reinaldo e tem de volta um Lúcio Flávio em forma. Voltou a ser respeitado nacionalmente e chegou a fazer jogo duro com o São Paulo no Morumbi.

O Vasco só não foi para a Libertadores porque pecou em São Januário contra Goiás, São Caetano, Ponte Preta e Juventude. O time está certinho, apesar do risco de perder Andrade e Jean. Morais, Igor e o zagueirão Dudar são esperanças de um ano tão digno quanto 2006.

O Flamengo, todo animado com a Libertadores, manteve Ney Franco e sua mineirice. Renato está identificado e com o chute cada vez mais calibrado. Ainda podem chegar reforços de peso. E Obina, grande Obina, pode ser o cara dos jornais. Paulinho e Vinicius Pacheco são promessas e Toró precisa desabrochar. E o goleiro Bruno é muito bom.

O Fluminense foi o campeão da frustração e está numa encruzilhada. Chamou Branco, que não costuma ser dobrado por idéias “geniais”. Se convencer a todos que o elenco é metade velho e metade sem brilho, já dá um gigantesco passo para reaproveitar xerémboys queimados e contratar gente boa.

Não há favoritos. E isso já é muito bom. O carioca é um torcedor engraçado. Que brinca com a própria desgraça e faz festa para um jogo só. Reconhece quando times de outros estados estão mais fortes e acolhe a todos com biscoito Globo, Mate Leão e sol. Não merece o rancor do resto do país.


Escrito em 11/12/2006 |Comentários: »
Qual o seu maior trauma?


Existe mais do que um? Foi resolvido no divã? Futebol não é tão sério assim?

O trauma normalmente é erigido pelos traiçoeiros tijolos do favoritismo. Você acorda num domingão, por exemplo, e tem a certeza que seu time vai estraçalhar o rival ou algum outro oponente na decisiva partida da tarde. Pode ser num Estadual, no Brasileiro, na Libertadores ou na Copa do Mundo.

Eis que a noite só sobram lágrimas. Derrota fragorosa e trauma para toda a vida. O quase martelando a sua cabeça. Quase que aquela bola entrou, quase que teu goleirão defendeu, quase que o juiz marcou pênalti, quase quase quase.

O meu é o seguinte:

5 de julho de 1982. Espanha. Catalunha. Parque Sarriá. Brasil x Itália. Era eu de uma geração que foi massacrada com as imagens da Seleção de 70 imponente, vitoriosa, indestrutível, imbatível, inesquecível e jamais superada. Eis que Telê monta também um time mágico. Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho, Junior, Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico, Éder e Serginho. Do outro lado, na minha concepção, onze botinudos: Zoff, Gentile, Scirea, Colovatti e Cabrini, Tardelli, Oriali, Antognoni e Graziani, Bruno Conti e Paolo Rossi.

Aos cinco minutos, gol da Itália. Paolo Rossi. Aos 12, Sócrates empata. Aos 25, o maldito Rossi desempata. Tensão no intervalo. Fazia sol no Rio. Fazia calor no meu coração. Será? Não é possível. O time vinha de uma vitória espetacular na Argentina do jovem Maradona. No mesmo estádio, 3 x 1. Volta o segundo tempo. O Brasil vestido de Brasil e a Itália de Itália. Camisa amarela, short azul e meia branca. E eles de azul, branco, azul. Súbito, as veias de Falcão quase saem da derme. Uma explosão de alegria e desabafo aos 23 minutos. Driblou meia defesa e acertou um chute sagrado. Mas a Itália naquele dia não deixava os brasileiros comemorarem por mais de quinze minutos. De novo, Paolo Rossi. Aos 30. E por mais que martelássemos, nada mais aconteceu. Saí vagando pela cidade. Saindo da adolescência e aprendendo que era possível uma só dor ser sentida por milhões.

Depois passou. Bom, teve também aquele fora da namorada, o tombo de skate no meio da rua, o cheque sem fundo, a bronca tomada na frente de todos da redação, a batida na pilastra da garagem, o porre na frente da mãe, a primeira visita a uma favela, o voto errado...

Traumas. Como viver sem eles?

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NOVA SESSÃO NO GARAMBLOG!!!

Você sabe que o mundo já acabou quando...

Um canal de filmes exibe legendas em internetês e ninguém do ministério da Cultura proíbe, já que o prejuízo futuro é irrecuperável para o idioma.
Escrito em 12/12/2006 |Comentários: »
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