SEJA BEM-VINDO, ADRIANO!!

Dunga acerta aqui, erra acolá, acerta mais que erra... e fez muito bem em reconvocar Adriano. Rancor e rótulo são coisas de almas menores. O Brasil que fracassou na Alemanha foi praticamente o mesmo Brasil que passou alguns anos dando alegrias e orgulho à torcida. Não dá para crucificar 23 atletas porque nada deu certo. O véio e bom Renato Russo ensinou isso em várias letras, algumas piegas, outras melosas demais, porém certas composições do ex-vocalista do Legião Urbana ensinavam muito sobre recomeço e perdão. Adriano é um cara legal. Adriano tem um apelido genial. Scooby-Doo. Um cara com um apelido desses merece todo nosso apoio. Voltou à Seleção porque voltou a jogar bem, porque mostrou em campo e não em entrevistas, que merecia vestir novamente a malha canário. E nada de pegar no pé do Scooby, senhores. Já basta o Salsicha.
Carioquinha virou CariocãoOlhem que interessante. Há anos desacreditado, o Estadual do Rio de 2007 carrega uma característica ímpar. Todos os grandões são favoritos. Há muito isso não acontecia. Em Sampa, há um certo desequilíbrio, no Sul e em Minas, as duplas majoritárias disputarão cabeça a cabeça, no Paraná, o Coritiba anda desacreditado e no Rio, todos os 4 Fantásticos têm condições de ser campeão. Não ponho peso algum na balança. O Vasco é o mais veloz, o Botafogo o mais entrosado e a dupla Fla-Flu saiu contratando. Não acho que o tricolor foi muito mais eficiente. O rubro-negro trouxe gente boa. O maior inimigo será o entrosamento. Porque senão os grandões virarão os 4 cavaleiros do apocalipse. E para não irritar os anti-cariocas, evitei usar o jargão do campeonato mais charmoso do país.
Arrogância inglesa
Quem a McLaren pensa que é, pergunto. Ou, para não ser injusto, qual o prepotente diretor da escuderia inglesa que recomendou, ou melhor, orientou, ou quem sabe, mandou o espanhol Fernando Alonso não falar italiano, pergunto. O bicampeão mundial fala bem a bela língua da minha mãe por ter disputado categorias na terra tetracampeã de futebol. Aí, por birra com a Ferrari, presumo, a McLaren o proíbe de dar entrevistas na língua de Canavarro. Em janeiro de 2007 somos obrigados, dentro do tal mundo globalizado que tanto gostam de badalar, a aceitar uma tiranice dessas. Revoltante uma medida dessas vir logo de um país que há muito já tinha apagado seu timbre imperialista e que tanto de bom já deu a este mundo tão intolerante e burro. Alonso, que mostrou-se independente e bravo como um touro, devia ter batido o pé e feito o que achasse melhor. O resto é mente tacanha.
ANTES QUE AS BRIGAS COMECEME antes que minhas férias terminem. Por que odiamos alguém? Várias razões. A maioria insana. Uma das que mais dão ibope é a de pensar diferente do odiado. Você é gremista, ele é colorado. Você é corintiano, ele é palmeirense. Você é vascaíno, ele é rubro-negro. Você é remista, ele é papão. E por aí vai. O problema é que este ódio não sustenta um segundo de argumentação, logo é irracional. Se você é cruzeirense e se apaixona por uma atleticana? Se você é timbu e no comício do seu candidato favorito às eleições está cheio de torcedores do Santa e do Sport? Se você é Vitória e na faculdade o melhor amigo, o parceiro das idéias e manifestações, é Bahia?
Reduzir o futebol ao mundo é pensar pequeno. É desdenhar do mundo e do futebol. A rivalidade é divertida, mas quando é divertida. Essa lorotinha de que rivalidade é saudável mais parece combustível para mais confusões e brigas de conseqüências bobas ou trágicas. Tenho muitas saudades da época em que os estádios possuíam grandes pedaços da arquibancada reservados para ambas as torcidas. Era o local com menos conflito.
Talvez aja esperança. É difícil um intolerante deixar de sê-lo. Mas é fácil um limitado ler um, dois, três livros e abrir sem pudor os próprios horizontes. Passar a amar o futebol muito mais do que o próprio time. Passar a ir a jogos com amigos rivais, mesmo que seu clube não esteja jogando.
Algo parecido ocorreu na primeira rodada do Carioca 07. Rodada dupla. Mais cedo tricolores, mais tarde alvinegros. Conseguiríamos fazer isso em São Paulo, com Palmeiras e Corinthians? Ou no Mineirão com Galo e Raposa? Por que não tentar? O brasileiro está farto da cultura do medo e da covardia. Por causa de poucos, e isso permeia todos os níveis, muitos pagam o pato. Se o espertalhão falsifica carteira de estudante para pagar meia-entrada, adivinhem quem entra de gaiato? O otário que paga inteira, bem mais cara do que devia ser por causa exatamente da enxurrada de carteirinhas falsas. Se centenas de motoristas desleiais, em todas as rodovias do país, usam o acostamento para fugir de engarrafamentos, adivinhem quem é o prejudicado? O motorista correto, que enfrenta o tráfego e se atrasa meia hora, mas não corre o risco de atropelar pedestres ou carros com defeito.
Foi pensando nessas bobagens juvenis que achei um bom exemplo pictórico. Brasil x Gana. Dortmund. Único jogo em que a Seleção jogou bem e atacou sem dó. No intervalo, em vez de salsichão, preferi fotografar os brasileiros presentes ao estádio. Será que, fora dali, encontrando-se numa rua qualquer do Brasil, eles sairiam no tapa?
Perdoem a melancolia.









