O grupo está de parabéns, Elano?A declaração foi no fim do jogo, para o microfone de Mauro Naves. Confesso que estranhei. Elano disse que o time perdeu, mas o grupo está de parabéns. Moral confusa, pois o Brasil fez um primeiro tempo confuso e um segundo para envergonhar o funcionário do scout. Nenhum chute a gol. Dunga ainda tentou uma explicação tática, mas Elano deu uma pisadinha na bola. Era mais simples dizer que Portugal está muito mais afiado, jogou a 90 km/h enquanto a Seleção parou no 70 km/h. Nada demais. Acontece nas melhores famílias. Perdeu, perdeu. Ponto final. Só não pode é dar os parabéns.
De bloquinho na mão, algumas observações e reflexões:
- Dunga se superou. Que camisa. Por pouco o auxiliar da Fifa não apostou no milhar.
- O lateral Daniel precisa mostrar algo. Não acertou nada. Talvez nervosismo.
- Quaresma. Sabe jogar e é fanfarrão. Mas quem não é?
- Ronaldinho Gaúcho não jogou.
- O Helton não pulou atrasado no primeiro gol, de Simão?
- Kaká estava chique contra o frio. Mas não honrou a camisa 10.
- Em todo jogo o Lúcio sempre quase faz um gol e volta resmungando.
- Edmílson, Elano, Gilberto Silva... este meio-campo ainda não me convenceu.
- Estaremos virando freguês de Portugal? Prefiro ser colônia.
Homenagem ao Calígula
Dois jogos na TV me emocionaram nesta quarta-feira perdida do mês do carnaval. Para ser cirúrgico, dois lances, dois gols. O primeiro foi o de Júnior Baiano. Zagueiro que foi a Copa do Mundo e jogou em grandes clubes brasileiros e europeus, JB entrou para a galeria dos jogadores folclóricos. Talvez pelos gols contras que fez, ou pelas botinadas que deu, mas o saldo técnico dele sempre foi positivo. Aos 35 anos, Júnior Baiano estava treinando numa universidade carioca quando foi pescado pelo América. Ao vê-lo, aos 5 minutos do primeiro tempo, cabecear a bola de uma cobrança de escanteio para a rede cruzmaltina, me surpreendi. Não pelo gol, uma de suas especialidades. Mas pela comemoração. Seus berros praticamente podiam ser ouvidos no Maracanã. Ele, que tanto ouviu a torcida do Flamengo berrar seu nome no refrão antológico “Junior Baiano é mau, pega um pega geral ôôôôôiiii!!!”, escutou os poucos torcedores do América pularem no cimento vazio. O zagueirão quase chorou na beira do campo.
Ele faz parte de uma casta curiosa no futebol. A dos veteranos que ainda acreditam em si mesmo. E quando aprontam para cima dos grandes, enlouquecem. Vibram como que esfregando na cara do Tempo que ainda é cedo para parar. Aposentados por críticos ranzinzas e torcidas intolerantes, vagam em contratos de três meses, empreitadas duvidosas e vão sobrevivendo.
O outro jogo, lance, gol foi em Itu. Sorato, também de cabeça, desvirginou o placar contra o Palmeiras. E saiu puxando a camisa rubro-negra, que não era a do Flamengo, mas a do Ituano. Olhos esbugalhados, veias saltitantes e o mesmo olhar de rancor de Junior Baiano. Discípulos de Asterix e Obelix, essa rapaziada conseguiu canequinhas do caldeirão e continuam desafiando nossa implicância com os velhos. Implicância que não é só esportiva, é social.
E Calígula?
Calígula é o apelido de Cláudio Uchôa. Jornalista experiente, sambista tradicional da Tijuca e câmara de confiança. Calígula é americano. Jamais trocou de time, como Chico Anísio, que também era América e virou Vasco. Calígula sempre se emociona com o time do Andaraí. Sua pequena filha Isadora tem várias fotos portando a camisa encarnada. Certa vez, numa mesa de bar, todos disseram suas preferências clubísticas. E Calígula virou motivo de risos femininos ao dizer o seu. Disse meia-dúzia de desaforos e foi embora. Certíssimo.
Calígula encarnou Júnior Baiano, que encarnou Calígula. Eram uma alma só esgoelando-se no Maracanã. Era gol do América. A mesma laringe expunha dois desabafos. O de Júnior Baiano: “Eu ainda existo!”. O de Calígula: “O América ainda existe!”
QUE DIA ESTRANHO...
"O Ódio", pintura do espanhol Jose Luis Fuentetaja. 1971Talvez por isso esteja chovendo em boa parte do país. Talvez até os lá de cima estejam chorando. A história da criança arrastada arrebentou a resistência até dos mais durões. Difícil demais imaginar que os bandidos tenham nascido no mesmo planeta que eu.
Que dia estranho.
Voltando ao nosso mundinho mais raso, e que mesmo assim causa mortes estúpidas, deparo-me com a despedida curta e melancólica de Milton Leite. Companheiro a quem admirava de longe e pude conhecer pessoalmente, partilhando idéias e convergindo mais do que divergindo. Costumamos brincar, dizendo que somos da guerrilha rabugenta.
Que dia estranho.
Aí fui buscar na pastinha “algum dia uso isso”, dentro do Word, o texto do admirado colunista Tutty Vasques, publicado na revista Veja Rio. Tutty escreve na página www.nominimo.com.br e em novembro de 2006 foi alvo de uma saraivada de palavrões, agressões verbais e parágrafos deselegantes depois de um texto postado. Atônito, encurralado na esquina do ringue, ele desabafou.
Eu, como sócio-permanente do “Clube dos Blogueiros Ofendidos Diariamente por Pessoas que Jamais Trocaram uma Idéia e Preferem com um Português Tosco Generalizar e Desrespeitar Qualquer Cidadão”, passei dias mastigando o texto de Tutty. Cheguei a ligar para ele pedindo autorização para publicar no Garamblog. Eis que semana passada, fui xingado por um certo Roger11 ou qualquer outro nome já deletado da minha mente. Respondi educadamente com uma simples pergunta: “Roger11 é por causa da tua idade?”
Era. Curiosamente fiquei aliviado. Não culpei os pais deles, a escola. E preferi ter a esperança de que ele vá crescer, apanhar na vida, conhecer pessoas bacanas e ler alguns livros fundamentais. E passei a relevar muito mais os comentários risíveis. Até me divertir, em vez de ter gastrite e pensar em chutar tudo para o alto.
Entretanto, o texto de Tutty é uma cutucada das boas. Vale a reflexão.
Que geração é essa?(TEXTO ESCRITO POR TUTTY VASQUES NO WWW.NOMINIMO.COM.BR)Não faço a menor idéia de como é ser jovem na era moderna da Internet. A possibilidade de se trancar no quarto depois da escola com todos os mistérios e maluquices do mundo às suas ordens na tela do computador, santa banda larga, precisa ter um tanto de juízo que eu não sei se dispunha aos 16 anos. Outras tantas gerações – não me deixem só, leitores - que na adolescência nem sonhavam com tamanha independência e liberdade de busca jamais saberão exatamente que sensação é essa de crescer sem precisar perguntar nada olhando nos olhos de alguém. As respostas, meu amigo, estão ar: no Orkurt, no You Tube, no Wikipedia, no Msn, no Skype, no Google, na blogosfera.
Qualquer esquisitice – a vida de Van Gogh, o sexo tântrico virtual ou o voto do Caetano –, está tudo lá pro garotão ver, ler, ouvir, interagir e, se não gostar, mandar quem de direito às favas, sem qualquer cerimônia com a celebridade do autor do arquivo, seja ele Luis Fernando Verissimo, Bruna Surfistinha, Millôr Fernandes ou Shakespeare: “Você não passa de um imbecil invejoso” - e-mail, como se sabe, é hoje em dia o meio mais corriqueiro de se encerrar uma conversa.
Não tome isso como denúncia, mas vem sendo criada no cativeiro livre da web uma geração sem papas na língua ou interesse pelo confronto de idéias. Não passa pela cabeça dessa turma a hipótese de aprender alguma coisa com alguém. A garotada de hoje não sabe, sinceramente, que não sabe. A Internet lhe dá o poder absoluto e infinito da onipotência. E quem é você para discordar?
Fechados em pequenas comunidades temáticas, adeptos da linguagem abreviada dos chats e torpedos SMS, os jovens que atingiram a adolescência nos últimos cinco anos de avanços fantásticos na web estão desaprendendo a conversar. A agressão verbal é o único recurso disponível para enfrentar alguém que pense diferente. Se é só uma fase, como se dizia antigamente, ou prenúncio de uma geração sem horizontes ou ambição pelo conhecimento, o tempo dirá. Pode ser que nasça daí uma galera surpreendentemente criativa quando a maturidade exigir atitudes longe do teclado.
Acho que só daqui a uns cinco anos vamos ter idéia do que foi ser adolescente na segunda metade desta década. Por enquanto, mantemos apenas uma imensa dificuldade de entendimento. Desde 2000, dedico pelo menos 90% do meu tempo de trabalho produzindo crônicas e notas de humor para revistas eletrônicas de informação. Vivo na – e da – Internet. Nas últimas três semanas tenho apanhado feito cão sem dono por conta de algumas considerações que fiz no site “NoMínimo” sobre dois vídeos de grande sucesso na atual temporada no tal You Tube: o das cenas de amor de Daniella Cicarelli numa praia da Espanha e um outro chamado “Tapa na pantera”, protagonizado por Maria Alice Vergueiro – a Fernanda Montenegro do teatro underground – no papel de uma velha maconheira tirando sarro do vício.
Em resumo, critico em um dos artigos o neomachismo emergente nas ondas da Internet para disseminar entre jovens a idéia de que o desejo feminino é coisa de cachorra, daí o ódio inexplicável a Cicarelli depois daquele vídeo. Na outra crônica, a da septuagenária puxadora de fumo, acuso no curta metragem (visitado por mais de 1,5 milhão de internautas logo nas primeiras semanas de exibição na web) um espetáculo tão degradante do ponto de vista dos neurônios da protagonista que todo pai deveria mostrá-lo aos filhos a título de advertência: “Olha aí como fica uma pessoa que fuma maconha”.
Opinião, aprendi com meus mestres em Jornalismo, é boa quando desperta discussão, troca de idéias, contraditórios e até xingamentos. Vivemos o fim de uma era em que todo debate partia da premissa “entendi o que você quis dizer e discordo”. Vai entender o que quer te dizer um jovem com “infelizmente o mundo tem lugar pra gente como você, seu preconceituoso”. Virei promíscuo e pornográfico, na defesa Daniella Cicarelli; careta e ultrapassado, na crítica ao que julguei conteúdo ruim de dar vergonha a velhos maconheiros. Choveu insultos na minha caixa postal. Coisa de 1 mil mensagens, creio que pelo menos 60% perguntando que tipo de idiota me pagava para escrever.
Sobrou até pra quem foi citado em um dos artigos e, não faz muito tempo, merecia o respeito da garotada por suas idéias em defesa da descriminalização das drogas: “O Gabeira leva 65 anos para chegar a conclusões que qualquer um chega aos 25 anos de idade, e ainda é reverenciado por isso.”
Não me aborrecem!
Fico pensando como seria Fernando Gabeira, aos 16 anos, trancado em seu quarto com um computador. Não há porque achar que boa coisa não fosse dar. Vivo, pois, a expectativa do triunfo da geração web. A ela, só me ocorre o conselho que Nelson Rodrigues costumava dar aos jovens de antigamente: “Envelheçam, envelheçam logo...!”
CLÁSSICOS!Andam falando de três clássicos no fim de semana. Bota x Fla, São Paulo x Corinthians, Cruzeiro x Atlético. Veio-me a nostalgia. Os antigos também tratavam Fluminense x América como um clássico. Eu, teimoso, ainda considero o América grande. Pela torcida, história e sete títulos estaduais. E o jogo é decisivo para as pretensões de ambos na Taça Guanabara.
Andam esquecendo também de Atlético PR x Coritiba. Por causa do Coxa na série B, o confronto não acontece há 484 dias. É clássico dos bons na Arena da Baixada. Um em sexto outro em oitavo, querendo encostar no líder Adap.
Em Salvador, Ba-Vi interessante. Vitória em primeiro, Bahia em segundo, mas a torcida tricolor ainda brava toda vida com o time de Caetano Veloso. A permanência na série C é uma vergonha. E no Recife, Sport x Santa Cruz. Esse só vai valer para o tricolor tentar carimbar a faixa de campeão do rubro-negro, que como bem lembrou Lédio, prepara-se muito bem para a volta à Primeira Divisão sob o comando do sério Gallo.
Para imitar o Poli, eis meus palpites:
Cruzeiro 2 x 2 Atlético
Fluminense 2 x 2 América
Atlético PR 2 x 2 Coritiba
Bahia 2x 2 Vitória
Sport 2 x 2 Santa
São Paulo 2 x 2 Corinthians
Botafogo 2 x 2 Flamengo
E para que derramemos apenas lágrimas de alegria em todos estes jogos, vai abaixo uma das poesias mais lindas que já li. Do português Guerra Junqueiro. Um clássico dos versos. Apresentada a mim por Juarez, meu tio barroco.
Volta, Milton Leite.
A LÁGRIMAManhã de Junho ardente. Uma encosta escavada,
Sêca, deserta e nua, à beira d'uma estrada.
Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,
Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha.
Sôbre uma folha hostil duma figueira brava,
Mendiga que se nutre a pedregulho e lava,
A aurora desprendeu, compassiva e divina,
Uma lágrima etérea, enorme e cristalina.
Lágrima tão ideal, tão límpida, que ao vê-la,
De perto era um diamante e de longe uma estrêla.
Passa um rei com o seu cortejo de espavento,
Elmos, lanças, clarins, trinta pendões ao vento.
- "No meu diadema, disse o rei, quedando a olhar,
Há safiras sem conta e brilhantes sem par,
"Há rubins orientais, sangrentos e doirados,
Como beijos d'amor, a arder, cristalizados.
"Há pérolas que são gotas de mágua imensa,
Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa.
"Pois, brilhantes, rubins e pérolas de Ofir,
Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir
"Nesta c'roa orgulhosa, olímpica, suprema,
Vendo o Globo a teus pés do alto do teu diadema!"
E a lágrima deleste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.
***
Couraçado de ferro, épico e deslumbrante,
Passa no seu ginete um cavaleiro andante.
E o cavaleiro diz à lágrima irisada:
"Vem brilhar, por Jesus, na cruz da minha espada!
"Far-te hei relampejar, de vitória em vitória,
Na Terra Santa, à luz da Fé, ao sol da Glória!
"E à volta há-de guardar-te a minha noiva, ó astro,
Em seu colo auroreal de rosa e de alabastro.
"E assim alumiarás com teu vivo esplendor
Mil combates de heróis e mil sonhos d'amor!"
E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu e quedou silenciosa.
***
Montado numa mula escura, de caminho,
Passa um velho judeu, avarento e mesquinho.
Mulas de carga atrás levavam-lhe o tesoiro:
Grandes arcas de cedro, abarrotadas d'oiro.
E o velhinho andrajoso e magro como um junco,
O crânio calvo, o olhar febril, o bico adunco,
Vendo a estrêla, exclamou: "Oh Deus, que maravilha!
Como ela resplandece, e tremeluz, e brilha!
"Com meu oiro em montão podiam-se comprar
Os impérios dos reis e os navios do mar,
"E por esse diamante esplêndido trocara
Todo o meu oiro imenso a minha mão avara!"
E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.
***
Debaixo da figueira, então, um cardo agreste,
Já ressequido, disse à lágrima celeste:
"A terra onde o lilaz e a balsamina medra
Para mim teve sempre um coração de pedra.
"Se a queixar-me, ergo ao céu os braços por acaso,
O céu manda-me em paga o fogo em que me abraso.
"Nunca junto de mim, ulcerado de espinhos,
Ouvi trinar, gorgear a música dos ninhos.
"Nunca junto de mim ranchos de namoradas
Debandaram, cantando, em noites estreladas...
"Voa a ave no azul e passa longe o amor,
Porque ai! Nunca dei sombra e nunca tive flor!...
"Ó lágrima de Deus, ó astro, ó gota d'água,
Cai na desolação desta infinita mágoa!"
E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Tremeu, tremeu, tremeu... e caíu silenciosa!...
***
E algum tempo depois o triste cardo exangue,
Reverdecendo, dava uma flor côr de sangue,
Dum roxo macerado, e dorido, e desfeito,
Como as chagas que tem Nosso Senhor no peito...
E ao cálix virginal da pobre flor vermelha
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!... 25 de Março de 1888.
UM APELO VIA GARAMBLOG
O leitor Phelipe Valente enviou e-mail pedindo divulgação.======================
Olá Garambone,
sou participante da Comunidade do Botafogo no orkut e estamos levantando uma grande idéia, que creio q se contasse com impulso da imprensa teria tudo para dar certo...
estamos propondo aos flamenguistas e botafoguenses que façam o seguinte
"..., a intenção é:
1) obedecer rigorosamente o minuto de silêncio;
2) após o silêncio gritarmos todos: "JUSTIÇA";
3) depois, gritamos tb: "João... ê ô...João... ê ô..."
4) Rezemos o PAI NOSSO, todo o Maraca...
Obs.: além disso seria extremamente válido levarmos camisas ou lenços brancos para balançarmos no minuto de silêncio..."
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Tentativa, expectativa, blogueiros na ativa.
O FIM-DE-SEMANA DO CALA A BOCA!Terrível a vida dos jornalistas esportivos brasileiros neste domingo. O dia foi cheio de notícias maravilhosas. Dificílimo fazer uma lista com as mais importantes. Imagine-se fechando a primeira página de um jornal com alcance nacional. Com qual abrir? Quem ganha uma manchete de seis colunas?
O jeito é olhar de cima e tentar achar um fio condutor, algo que possa unir os vários resultados. Eu tentei fazer isso e, levianamente, claro, cheguei a um fio de meada. Quem vem acompanhando o dia-a-dia esportivo na última semana pode comprovar que foi o domingo, e o sábado, do “como é que é?”, “o que você falou?”, “tem certeza disso?”, “e agora, apressadinho?”.Uma espécie de tapa de luva coletivo, que começou no sábado. O Atlético Mineiro, então lanterna, vilipendiado, massacrado, desacreditado, fez 3 x 1 no Cruzeiro. Está bom para você?No mesmo sábado, o Ameriquinha, que para muitos leva este apelido de forma carinhosa, mas para outros é algo pejorativo, destroçou o badalado Fluminense, ganhou de 2 x 0 no Maracanã e, de quebra, desempregou PC Gusmão.Nasce o domingo. Da Europa chegam as notícias. Ronaldo estreou no Milan e foi aplaudido por 37 mil pessoas por ter jogado bem e ajudado na vitória sobre o Livorno, em Milão. O rival Internazionale foi a Chievo e Adriano também fez gol. As torres gêmeas renasceram?Quer mais? Apesar de ser o time da moda, o São Paulo foi tratado durante a semana como um time em ebulição, confuso e meio perdido. Fez 3 x 1 no Corinthians.Mais ainda? Romário entrou em campo e fez três gols. E não adianta dizer que o Volta Redonda era carne assada. Só faltam dez, para desespero de milhares.Teve mais gente calando a boca de mais gente. Ronaldinho Gaúcho fez dois na vitória do Barça sobre o Racing. E sem pedir desculpas à CBF. No que faz muito bem.
Entretanto, no Maracanã, quem não calou a boca um só instante foram as duas torcidas. Todo 3 x 3 é um jogão.
E eu, mais uma vez, cravei um palpite. Podem conferir lá embaixo. Atlético PR 2 x 2 Coritiba. Calei a boca do Poli.Boa semana para todos nós.
Craque todo mundo é...
O quase-milésimo gol de Romário anda empolgando e irritando muita gente. O post do farol Lédio Carmona já traduz o que penso. Lendo os comentários, me diverti com algumas figuraças que, nas entrelinhas, dizem algo como “até eu faria 1000 gols deste jeito”.
Lembrei-me, pois, de um projeto de conclusão de curso do hoje veterano jornalista Marcelo Feffer. Ele discutiu, com conteúdo, a banalização da palavra craque. E tem razão.
No jornalismo, como somos doutrinados a não repetir palavras, temos a tendência de montar parágrafos mais ou menos assim. “Aos 15 minutos do segundo tempo, Curió limpou dois zagueiros e acertou o ângulo. Na comemoração, o craque lembrou dos tempos de padeiro e simulou fazer uma broa”. E quem disse que Curió é craque?
Nas sobrinhas da semana, tivemos algumas discussões sobre a declaração de Roger, analisando como se comporta um craque num campeonato e de uma forma ou de outra assumindo-se como um.
Aí eu pergunto: aceitemos que craque é qualquer um com um cadinho mais de talento que a maioria botinuda e burocrática? Ou recorremos a exemplos magistrais de jogadores inesquecíveis e adotamos a Tolerância Zero. Craque tem que ser craaaaaaque.
Num exercício rápido, vejamos quantos craques estão atuando no Campeonato Brasileiro...
Huumm... tem aquele, não não, aquele não....
E o relógio corre...
Tic, tac, tic, tac...
Bem, não podemos esquecer também do...
Ora, façamos o seguinte. Dos 12 grandões, apontemos os craques. Aquele que pode desequilibrar a qualquer momento e ganhar o jogo sozinho. Na verdade, vou perguntar. Atenção, turma que me xinga, estou PERGUNTANDO e não afirmando.
Flamengo – Sugestões?
São Paulo – Rogério Ceni?
Cruzeiro – Sugestões?
Fluminense – Carlos Alberto?
Grêmio – Sugestões?
Internacional – Fernandão?
Botafogo – Dodô?
Vasco – Romário?
Corinthians – Roger?
Santos – Zé Roberto?
Atlético – Sugestões?
Palmeiras – Edmundo?Devo se mais rigoroso? Filtrar ainda mais? Ficar só com Romário e Edmundo, mesmo ambos estando no fim da carreira?
Falando em craque...
Volta, Milton Leite!