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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Globo Esporte e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
( O Caçador de Barangas, em 2000,
Se você torcesse para o América...



Boa discussão levantada por Junior Baiano. E que é extensiva a times como Madureira, Ferroviária, Ipatinga, Atlético Goianiense, Noroeste...

O que priorizar? O Estadual ou a Copa do Brasil. Pego o exemplo americano. O time tem sete títulos cariocas, foi campeão dos campeões em 1982 e por causa do Clube dos 13 e de brigas com a CBF entrou num ostracismo e numa decadência técnica impressionante. Viveu muito tempo apenas no coração dos brasileiros com mais de 20 anos. Para quem não se lembra, o América chegou a fazer uma semifinal do Brasileirão eletrizante, num Maracanã cheio, com o São Paulo de Muller, em 1986.

Quase faliu.

Quando aparecia nos noticiários era por causa de alguma fanfarronice do americano Edevair Farias, pai de Romário.

Eis que, duma tacada só, o América está na semifinal da Taça GB e na primeira fase da Copa do Brasil. Esta última ele superou ontem, mas o discurso de Júnior Baino era o de que a cabeça dos jogadores estava no jogo de sábado contra o Madureira.

Discordo. Se tudo der certo para o Diabo, e o clube do Andaraí ( bairro do Rio perto da Tijuca) sagrar-se campeão carioca de 2007, ganhará um troféu, gols no Fantástico com narração de Léo Batista, pôster de campeão nos jornais O Globo, Lance e O DIA e mais um período de esquecimento. O Brasil inteiro, na semana seguinte, já vai estar pensando no Brasileirão.

Já uma boa campanha na Copa do Brasil, e o próximo jogo já é um clássico de outrora contra o Atlético Mineiro, pode significar uma exposição inédita na mídia, interesse de patrocinadores, resgate de velhos americanos desiludidos, conquista de novos, pois o time sempre teve um apelo sedutor, com seu uniforme vermelhão e o respeito dos torcedores de todo o Brasil. Sorte que os fundadores escolheram o nome América, e não Rio Football Club ou Praia Formosa Football Club, que concorriam em 1904.

Copa do Brasil: o sonho de um título que levaria o clube a uma Libertadores inesquecível. A Libertadores do América.


Escrito em 22/02/2007 |Comentários: »
O revolucionário Paulo Baier


Espera-se que tenha sido só por dinheiro mesmo. Paulo Baier abandonou o Palmeiras. Mas pode estar escrevendo uma nova página na história do esporte brasileiro. Chega de caixa 2, da mentirinha dos direitos de arena, de frases como a de Vampeta: "eles fingem que me pagam, eu finjo que recebo", do corpo mole para exigir salários atrasados.

Muito dinheiro circula no mundo do futebol. E nele deveria ficar, para pagar salários, melhorar estádios e manter os bons jogadores. Pena que, chutaria metade, dessa grana sai do futebol em vai parar na conta dos cartolas que "nada ganham para admnistrar seus clubes de coração".

Temos desde empresários pegando parte do salário altíssimo de algum craque e dividindo com o dirigente que assina o cheque do clube até a gordas comissões ilegais em concorrências para fornecedor de uniforme do clube.

Paulo Baier cansou.

Paulo Baier acordou um dia e falou para si mesmo: "É muito bom jogar bola, dar entrevista, sair no jornal, mas trabalhar sem ganhar é palhaçada".

Exploração da mão-de-obra já foi tema de Marx, Engels e tantos outros. Que a atitude de Paulo Baier sirva de estopim para uma revolução ética e profissional no futebol brasileiro.

Você acredita?
Escrito em 24/02/2007 |Comentários: »


O que você faz com R$ 30?


- Compra um bom livro.

- Coloca 13 litros de gasolina no carango.

- Come 4 Big Macs e um sucão.

- Paga a conta do gás se morar sozinho.

- Compra um CD recém-lançado.

- Abastece a geladeira com 1 kg de filé mignon, 1 kg de feijão, 1 kg de arroz e um pé de alface.

- Vai ao cinema e paga o da namorada.

- Almoça no bandejão a semana inteira.

- Vai num rodízio de churrascaria e ainda pede profiteroles.

- Aluga 8 bons DVDs.

- Compra 9 gibis da Turma da Mônica para seu filho.

- Relaxa com uma quick massage de 20 minutos

- Adquire uma camiseta maneira e criativa.

- Paga 14 Chica Bons para a molecada do playground.

- Vai num sebo e compra 4 bons livros.

- Racha uma quadra de tênis de saibro com um parceiro.

- Compra 1.500 folhas em branco para imprimir.

- Manda ver em 15 pastéis de feira.

- Paga uma arquibancada no fim do mês para ver uma semifinal que classifica para uma decisão que classifica para o jogo que realmente decide o título carioca de 2007? E ainda separa uma graninha para passagem, estacionamento, lanche e cervejinha no estádio?



Bem feito para os gananciosos. Um jogo como Flamengo e Vasco, conhecido nacionalmente como o Clássico dos Milhões, envolvendo as duas maiores torcidas do Rio e com ingredientes suficientes para fazer do Maracanã apenas moldura de um espetáculo inesquecível... ficou às moscas. Era constrangedor olhar o amarelo forte das arquibancadas vazias, o verde órfão de torcedores e o branco central envergonhado.



Nem 24 mil pagantes. Vergonha.



E não é só no futebol. Certos discursos que estamos vendo atualmente em várias áreas parecem considerar o Brasil um país pronto, feito, ideal e sem problema algum social, econômico e ético.



E tanto não sabem nada de Brasil que passaram a semana boquirrotos e equivocados, alardeando para Deus e o mundo que mais de 60 mil pessoas deveriam ir ao Maracanã.



Quebraram a cara mais uma vez. Desrespeitaram mais uma vez. E repetirão a burrice novamente.



Provavelmente porque eles mesmos não pagaram R$ 30 para ver o jogo.
Escrito em 26/02/2007 |Comentários: »
Por que Leão não joga tênis?



Não só Leão. Por que todos os jogadores, torcedores, treinadores e jornalistas que culpam terceiros pelas derrotas não jogam uma partidinha de tênis.

Mas tem que ser simples. Duplas não dá, porque vão sempre culpar o parceiro.

Todo tenista é um cavalheiro, mas nem todo cavalheiro é um tenista.

O tênis é um esporte solitário. Jogar uma bola fácil na rede significa o seguinte: você errou. Não adianta culpar o avião que passa no meio de uma partida do US Open. Nem o vento inclemente. Ou a criança que passou correndo berrando na lanchonete ao lado da quadra do clube.

O tênis é um esporte cerebral. Divertidíssimo ver o adversário batendo com a raquete na própria cabeça. Praguejando consigo mesmo. Berrando aos céus. E num último e desesperado momento de infortúnio, zunir a raquete na rede.

O tênis mostra a superação do atleta com ele mesmo. Claro, muitos lembrarão dos chiliques de Mc Enroe. Mas a essência do tênis é a elegância. Numa entrevista coletiva, nenhum tenista sai acusando terceiros. Ou elogia-se o incrível jogo do adversário ou analisa-se a própria performance.

E todos vivem educados para sempre.
Escrito em 27/02/2007 |Comentários: »
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