Se você torcesse para o América...
Boa discussão levantada por Junior Baiano. E que é extensiva a times como Madureira, Ferroviária, Ipatinga, Atlético Goianiense, Noroeste...
O que priorizar? O Estadual ou a Copa do Brasil. Pego o exemplo americano. O time tem sete títulos cariocas, foi campeão dos campeões em 1982 e por causa do Clube dos 13 e de brigas com a CBF entrou num ostracismo e numa decadência técnica impressionante. Viveu muito tempo apenas no coração dos brasileiros com mais de 20 anos. Para quem não se lembra, o América chegou a fazer uma semifinal do Brasileirão eletrizante, num Maracanã cheio, com o São Paulo de Muller, em 1986.
Quase faliu.
Quando aparecia nos noticiários era por causa de alguma fanfarronice do americano Edevair Farias, pai de Romário.
Eis que, duma tacada só, o América está na semifinal da Taça GB e na primeira fase da Copa do Brasil. Esta última ele superou ontem, mas o discurso de Júnior Baino era o de que a cabeça dos jogadores estava no jogo de sábado contra o Madureira.
Discordo. Se tudo der certo para o Diabo, e o clube do Andaraí ( bairro do Rio perto da Tijuca) sagrar-se campeão carioca de 2007, ganhará um troféu, gols no Fantástico com narração de Léo Batista, pôster de campeão nos jornais O Globo, Lance e O DIA e mais um período de esquecimento. O Brasil inteiro, na semana seguinte, já vai estar pensando no Brasileirão.
Já uma boa campanha na Copa do Brasil, e o próximo jogo já é um clássico de outrora contra o Atlético Mineiro, pode significar uma exposição inédita na mídia, interesse de patrocinadores, resgate de velhos americanos desiludidos, conquista de novos, pois o time sempre teve um apelo sedutor, com seu uniforme vermelhão e o respeito dos torcedores de todo o Brasil. Sorte que os fundadores escolheram o nome América, e não Rio Football Club ou Praia Formosa Football Club, que concorriam em 1904.
Copa do Brasil: o sonho de um título que levaria o clube a uma Libertadores inesquecível. A Libertadores do América.


O que você faz com R$ 30? - Compra um bom livro.
- Coloca 13 litros de gasolina no carango.
- Come 4 Big Macs e um sucão.
- Paga a conta do gás se morar sozinho.
- Compra um CD recém-lançado.
- Abastece a geladeira com 1 kg de filé mignon, 1 kg de feijão, 1 kg de arroz e um pé de alface.
- Vai ao cinema e paga o da namorada.
- Almoça no bandejão a semana inteira.
- Vai num rodízio de churrascaria e ainda pede profiteroles.
- Aluga 8 bons DVDs.
- Compra 9 gibis da Turma da Mônica para seu filho.
- Relaxa com uma quick massage de 20 minutos
- Adquire uma camiseta maneira e criativa.
- Paga 14 Chica Bons para a molecada do playground.
- Vai num sebo e compra 4 bons livros.
- Racha uma quadra de tênis de saibro com um parceiro.
- Compra 1.500 folhas em branco para imprimir.
- Manda ver em 15 pastéis de feira.
- Paga uma arquibancada no fim do mês para ver uma semifinal que classifica para uma decisão que classifica para o jogo que realmente decide o título carioca de 2007? E ainda separa uma graninha para passagem, estacionamento, lanche e cervejinha no estádio?
Bem feito para os gananciosos. Um jogo como Flamengo e Vasco, conhecido nacionalmente como o Clássico dos Milhões, envolvendo as duas maiores torcidas do Rio e com ingredientes suficientes para fazer do Maracanã apenas moldura de um espetáculo inesquecível... ficou às moscas. Era constrangedor olhar o amarelo forte das arquibancadas vazias, o verde órfão de torcedores e o branco central envergonhado.
Nem 24 mil pagantes. Vergonha.
E não é só no futebol. Certos discursos que estamos vendo atualmente em várias áreas parecem considerar o Brasil um país pronto, feito, ideal e sem problema algum social, econômico e ético.
E tanto não sabem nada de Brasil que passaram a semana boquirrotos e equivocados, alardeando para Deus e o mundo que mais de 60 mil pessoas deveriam ir ao Maracanã.
Quebraram a cara mais uma vez. Desrespeitaram mais uma vez. E repetirão a burrice novamente.
Provavelmente porque eles mesmos não pagaram R$ 30 para ver o jogo.
Por que Leão não joga tênis?
Não só Leão. Por que todos os jogadores, torcedores, treinadores e jornalistas que culpam terceiros pelas derrotas não jogam uma partidinha de tênis.
Mas tem que ser simples. Duplas não dá, porque vão sempre culpar o parceiro.
Todo tenista é um cavalheiro, mas nem todo cavalheiro é um tenista.
O tênis é um esporte solitário. Jogar uma bola fácil na rede significa o seguinte: você errou. Não adianta culpar o avião que passa no meio de uma partida do US Open. Nem o vento inclemente. Ou a criança que passou correndo berrando na lanchonete ao lado da quadra do clube.
O tênis é um esporte cerebral. Divertidíssimo ver o adversário batendo com a raquete na própria cabeça. Praguejando consigo mesmo. Berrando aos céus. E num último e desesperado momento de infortúnio, zunir a raquete na rede.
O tênis mostra a superação do atleta com ele mesmo. Claro, muitos lembrarão dos chiliques de Mc Enroe. Mas a essência do tênis é a elegância. Numa entrevista coletiva, nenhum tenista sai acusando terceiros. Ou elogia-se o incrível jogo do adversário ou analisa-se a própria performance.
E todos vivem educados para sempre.