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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Globo Esporte e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
( O Caçador de Barangas, em 2000,
EMERSON, O HERÓI DA RODADA


Seria fácil e óbvio postar hoje os seguintes temas:

- Muitos vão reclamar que o Fast era fraco, mas e os outros 990 gols, sempre foram contra times ruins?

- Joel não deve se iludir. O Adesg também é muito frágil.

- E o Pirambu? O Corinthians vai se impor como os primos Flu e Vasco?

- O atual São Paulo mostra que é tão forte quanto os times dos últimos dois anos.

- O Cruzeiro poupou forças ou realmente foi um sufoco superar o Veranópolis?

- Versos, poesias e poemas sobre Pato, a nova coqueluche do Brasil.

Nada disso. Sejamos do contra. Alguém tem que ser. Abaixo o pensamento único. O post vai homenagear Emerson. Não o Fittipaldi. Não o cabeça-de-área acusado de Brucutu. E nem o parceiro de Lake & Palmer. Muito menos o criador do blog www.olharcronicoesportivo.blogspot.com/

O Emerson que merece nossos aplausos é zagueiro do Treze de Campina Grande. Ele foi o herói da rodada. Esqueçam Pato, novo ídolo de um time redondinho e bem pago. Esqueçam Romário, devidamente assessorado pelo time e pelo técnico cruzmaltino. Esqueçam Alex Silva, peça de um time azeitado e bem treinado por Muricy Ramalho.

O nosso Emerson fez ontem um povo feliz. O povo de Campina Grande. Paraibanos saudosos de uma época onde Botafogo-PB e Treze integravam a elite do futebol brasileiro. Não venciam títulos relevantes. Mas participavam com orgulho das competições nacionais. Veio o darwinismo esportivo, o neoliberalismo e a dupla caiu no limbo.

Mas a Copa do Brasil é a esperança curta de dias melhores. Furtivos, mas melhores.

Treze e Vilhavelhense, do Espírito Santo, travaram um duelo épico na terra da festa junina mais animada do Brasil. O time capixaba podia perder por um gol de diferença e, no primeiro minuto de jogo, fez 1 x 0. Tristeza e lamento nordestinos.

Mas Emerson abandonou a zaga e empatou. O Treze conseguiu a virada. Era pouco. Faltava um gol. O estádio Amigão aflito. A desclassificação próxima. A chance de jogar na próxima fase contra o Corinthians, ou o Pirambu, indo para o ralo.

E lá vai Emerson para a área. O paulista Emerson, invertendo a migração e brilhando no Nordeste. Emerson Feliciano de Carvalho, 24 anos, o mesmo Emerson que fez dois gols no clássico contra o Botafogo, em maio do ano passado.

Gol.

Aos 48 minutos do segundo tempo. Treze classificado. E não se fala de outra coisa na Paraíba.
Escrito em 01/03/2007 |Comentários: »


LUXA E SANTOS – AMOR E ÓDIO DE UM CASAL DE SUCESSO NA MUI BELA CIDADE LITORÂNEA AOS PÉS DA SERRA DO MAR



“Eles brigam, mas se amam”.

“Em briga de marido e colher, ninguém mete a colher”.

Sim, não e mais ou menos. Se eu vir algum marido gritando com uma mulher, eu meto a colher, o garfo, a escumadeira e ainda tento ensiná-lo que as mulheres sempre têm razão. Mais cedo ou mais tarde.

Mas o que acontece com Luxemburgo e o Santos é um mistério. O treinador reclama da torcida em todos os jogos. Ontem, mais uma vez, foi intolerante com as vaias. E tem certa razão. O Santos encanta a crítica e os torcedores dos rivais. Mas parece que a Vila Belmiro virou um antro de impacientes, que não conseguem enxergar o panorama do futebol brasileiro. Não são todos, claro. Muita gente admira a campanha no Paulistão e já se orgulha da caminhada santista na Libertadores.

Porém, os buracos na arquibancada, a falta de um estádio lotado e uma alegada “ausência de química”entre jogadores e torcida são citados em quase todas as entrevistas coletivas que Luxemburgo dá. Durante os jogos, o melhor treinador do Brasil não é vaiado. Aí já seria demais. Pode ser também que o aparelho para corrigir os dentes esteja mal calibrado, tornando Luxa mais irritadiço.

Uma coisa é certa. Nada de arroubos, nem decisões precipitadas.

Essa seria a dica para este casamento. Já para os outros....


Escrito em 02/03/2007 |Comentários: »
O CAIO E O SAMPAIO





Parabéns ninguém precisa dar. Caio e Sampaio jantaram duas vezes neste domingo. A primeira à tarde, mastigando taticamente e devorando os times mais populares do país. A segunda à noite, ao lado de amigos queridos e podendo brindar, sem excessos, as brilhantes vitórias no Morumbi e no Maracanã.

Eles merecem.

Caio merece porque desde que chegou ao Palmeiras vem enfrentando certos golpes do destino. Joga bem e perde. Joga bem e empata. Joga bem e o assunto são salários atrasados. Já foi chamado de Harry Potter, Lair Ribeiro, engomadinho, prafrentex e tudo engoliu. Em nome de uma certeza visceral. Ele sabe o que quer. A ponto de, há duas semanas, solitário, acuando entre repórteres e painel publicitário do Palmeiras, fazer um raio-x dos últimos anos do clube, quando a falta de seqüência e a imaturidade de alguns dirigentes foram fundamentais para o time não andar em campo.

Parabéns para a ala que batalhou para segurá-lo, apesar do eterno nono lugar na tabela.

Caio merece porque soube escalar o Palmeiras, porque achou que a maneira correta, no clássico, de posicionar Valdívia e Edmundo em campo. O Palestra sufocou o Corinthians, o calor sufocou o Corinthians, Caio sufocou o Corinthians. Preciso e letal, fez de Francis, Martinez e Pierre cães de guarda com talento e toques rápidos. Superando MM, Magrão e Roger.

Pela primeira vez, desde que chegou ao Paraná, Caio Júnior justificou a fama de técnico promissor. Mais do que isso, justificou a seriedade, a persistência e a fé num trabalho bem feito. E o time correu que foi uma beleza, reflexo ainda do excelente trabalho do ex-preparador físico que migrou para o Flu.

E Sampaio?

É uma figura diferente. Poucos levam a sério, porque passou os últimos anos respondendo pelo Sindicato de Jogadores do Rio. Uma categoria para lá de desunida e sem muita visão política do próprio ofício. Além disso, começou a acumular a atividade sindical com o banco do Madureira. E conseguiu superar o América como a surpresa do campeonato. Por duas razões, apesar do toque cadenciado de Djair, não deixou o time ficar velho. E em vez de retrancar seus jogadores, aliou velocidade a passes rápidos para vergar, orgulhoso, a marca de único invicto do campeonato carioca até agora.

Antes do início da temporada, conversou com seus comandados. Um a um. E para cada um, receitas diferentes de incentivo e orientação tática. Com Odvan, foi claro. Ele precisava assumir o papel de xerife experiente, deixar o lado folclórico no passado e mostrar que ainda tem muito a dar. Para Djair, poucas palavras. O meia precisava ficar em forma para que o cérebro comandasse suas ações sem frustrações. Maicon, que surgiu no próprio Madureira, foi para o Fluminense e perdeu o bonde da história. Não se firmou, acabou vaiado e, poucos anos depois, repatriado. Hoje é mais veloz do que era e passou a chutar muito melhor. Afinal, dois Djair num time só não daria certo. Na frente, Sampaio sabia que Marcelo não desaprendera a jogar bola. Era preciso ensina-lo a ser menos afoito e a voltar a ter a confiança que possuía na época das categorias de base em times grandes, como Flu e Fla, quando foi considerado um excelente artilheiro.

Sampaio não esbraveja depois dos jogos. Deixa isso para os cartolas exagerados. Sampaio vai, aos poucos, mostrando um trabalho sério que não foi levado a sério por muita gente.

Porém, Caio e Sampaio sabem que a glória dominical acaba na segunda-feira. É preciso colocar o Palmeiras entre os quatro primeiros do Campeonato Paulista. É preciso convencer o Madureira a não ser covarde e tentar o empate quarta-feira, afinal o Flamengo ficou abalado e isso não pode ser jogado fora. A segunda final consecutiva do Campeonato Carioca está ali, bem pertinho. E Sampaio mais uma vez vai ter que driblar a desconfiança geral. Odvan, Djair e Maicon, que perderam a final para o Botafogo no ano passado, podem e devem ajudá-lo.


POR QUE NÃO VER

CARTAS DE IWO JIMA – Apesar de Spielberg ao seu lado, sugerindo clichês, Eastwood fez um filme triste e lindo. E que dispensa até a versão americana “A conquista da honra”, bem inferior.

POR QUE NÃO LER

HERÓIS DE CIMENTO - Tive a honra de fazer o prefácio deste livro precioso de Hilton Mattos. Uma coletânea de histórias deliciosas sobre o futebol carioca pelo olhar de torcedores eternos, folclóricos e marcantes. Uma espécie de biografia minha, sua, de todos nós que sentamos naquele pedaço de cimento mágico. Independentemente do estádio, é livro para todos os brasileiros.




Escrito em 04/03/2007 |Comentários: »
JOELHO DE PORCO



Não importa de quem é a culpa. Nem adianta acusações e picuinhas entre profissionais de todas as áreas. As constantes lesões, e não contusões, nos joelhos de jovens promessas mostram que não há fatalidade. E que os acasos da vida só funcionam no filme Forrest Gump.

Foi a chuteira?
Foi o gramado?
Foi a dinâmica do futebol?
Foi a imaturidade do jogador?
Foi a genética?
Foi macumba?

Não importa. Estamos diante de um momento histórico. E a vida anda mostrando que os momentos históricos aparecem diariamente e ninguém os aproveita para mudarmos a realidade para melhor.

O momento histórico do futebol, protagonizado pelo joelho vilão e vítima, carece de uma união de todas as partes envolvidas. Fabricantes de material esportivo, médicos, fisioterapeutas, fisiologistas, jogadores, treinadores e até mesmo jornalistas têm a obrigação, se realmente gostam de futebol e vivem dele, de rever conceitos. Achar soluções, profilaxias, recomendações e outras palavras bonitas que possam preservar o futebol.

Afinal, daqui a pouco vão dizer que os joelhos vão para o brejo por causa da ginga e do drible.
Escrito em 06/03/2007 |Comentários: »
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