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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Globo Esporte e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
( O Caçador de Barangas, em 2000,


Quem espera sempre alcança


A estrofe do hino do Flu é uma bela homenagem aos rubro-negros de todo o Brasil, mas especialmente aos que foram ao Maracanã na quarta-feira à noite. Depois de três dias sendo vítimas das piadas do trio botafoguense-vascaíno-tricolor, o flamenguista acordou de manhã, vestiu o manto e avisou à cidade. “Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer”. E não se importou com a possibilidade da quarta derrota seguida para o Madureira. Confiou em Souza, rezou por Obina e viu um time vibrante, mordido e querendo mostrar para o Brasil que o buraco é mais embaixo.

Só que foi lá em cima que Souza subiu e começou a erigir a goleada. No banco, o mineiro Ney Franco viu sua seriedade e serenidade serem premiadas. Mesmo com o gol de empate relâmpago, continuou regendo o martelo rubro-negro, que demoliu o muro suburbano, que teve Odvan numa noite vacilante. Uma vitória imponente, da tradição, da camisa e da raça de um grupo de jogadores que, parece, aos pouquinhos, perceber a mística do time e da camisa listrada.

E o velho Maracanã, remendado para o Pan, sentiu de novo o peso dos pés do povo. Pulando, vibrando, escancarando os dentes de alegria. Flamengo mais uma vez campeão da misteriosamente charmosa e eterna Taça Guanabara.

Que a CIA não confunda as coisas e não mande um relatório confidencial para Bush, dizendo para tomar muito cuidado com a visita ao Brasil, pois parece que os sandinistas nicaragüenses voltaram com força total e inundaram de bandeiras rubro-negras o mais belo estádio do mundo.

Era só o Flamengo. Sempre Flamengo.




Artes publicadas originalmente no blog www.contraovento.blogger.com.br
Escrito em 08/03/2007 |Comentários: »



CARTA ABERTA AO STANLEY


Stanley, você merece.
Não o brilhante cineasta Stanley Kubrick, de Lolita, 2001, Iluminado…
Stanley, meu amigo, levante a cabeça.
Não o guitarrista Stanley Jordan, ídolo de muita gente.
Stanley, você não está sozinho.
Não o baixista Stanley Clarke, cultuado por músicos do mundo todo.
Stanley, és um exemplo.
Não o ator Stanley Tucci, carequinha do Diabo Veste Prada, Dança Comigo e O Terminal.
Stanley, jamais desististe.

Stanley é o goleiro do Sul América Esporte Clube, time campeão amazonense em 1992/93, fundado em 1932 e também conhecido como o Trem da Colina. Pois é, o Sul América não anda muito bem. Ontem, em pleno estádio Vivaldão, em Manaus, tomou de 10 x 0 do Fast Clube. O mesmo Fast que levou de 6 do Vasco, com dois gols de Romário. Já pensou se o Vasco pega o Sul América? Os matemáticos diriam que seria 16 x 0 com 5 gols do Baixinho.

Mas o texto não é sobre Romário.

É sobre Stanley. Ele tomou três gols no primeiro tempo e sete no segundo. Jamais desistiu. Pulou em todos. O brio de Stanley foi notado no nono gol, de pênalti cometido por ele, pois seu sangue fervia de vergonha e tristeza. A cada bola na rede, Stanley se desesperava, reclamava do bandeira, mas em nenhum momento culpou a infeliz linha da zaga composta por Maicon, Robson, Lídio e Thiago. Todos os quatro numa noite muito infeliz.

Stanley rumou triste para o vestiário. Achou que seria notícia apenas na imprensa local. E se conformou com o público mínimo do Colosso do Norte. Nos 55 mil lugares, apenas 308 torcedores. Renda de R$ 1.405,00. Parelha com o salário de Stanley.

Mas o mundo é globalizado, como ensinou o cineasta mexicano de Babel, Alejandro Iñárritu. E o Brasil inteiro viu no Globo Esporte o pobre Stanley pulando, para lá e para cá, tomando gols em cascata numa calorenta noite amazônica.

Stanley, estamos contigo! O futebol tem essas loucuras inexplicáveis. Você não é um goleiro ruim. Não falhou em nenhum gol, companheiro Stanley! Tomo a liberdade de colocar aqui o endereço do Sul América e o telefone, porque muita gente quer se juntar a esta corrente:

LEVANTA A CABEÇA, STANLEY!!!

Praça Padre Francisco, 94 – Manaus/AM – CEP 690-29320
Telefone (92) 671-5665


Quem já não levou um 10 x 0 na vida?

Um beijo negado é um 10 x 0.
Um carro arrombado é um 10 x 0.
Um tombo de skate é um 10 x 0.
Um filme ruim é um 10 x 0.
Um deputado que rouba é um 10 x 0.
Um erro de português no telejornal é um 10 x 0.
Um choro de mãe é um 10 x 0.


Stanley, Stanley, tem muito brasileiro igual você levando de 10 x 0 todos os dias. E como você, ainda pulando em todas as bolas.
Escrito em 09/03/2007 |Comentários: »
O NOVO PELÉ, O NOVO MARADONA, O NOVO PLATINI, O NOVO SENNA, O NOVO PÉ NO SACO...





Assumo. A expressão chula no título foi de propósito. Para chamar a atenção. Ou talvez para traduzir a indignação de muitos com esta orfandade eterna no esporte mundial. Tenho consciência que o sonho social de tantos outros perdeu a primeira partida para o neo-liberalismo. Vivemos hoje um darwinismo social cruel, onde o indivíduo, dependendo do seu saldo bancário, tipo de celular e tecido da calça, vale mais do que um outro.

Sei que os protestos anti-Bush são vistos pela minha geração recém-quarentona como devaneios juvenis inconseqüentes. Sei que houve uma opção pela revolução individual. Percebo claramente a hegemonia de uma tríade mundial composta por América do Norte, Europa e Oriente rico. O resto se segura como pode. E a África foi completamente esquecida, pelos livros, filósofos e artistas pop.

Mas a vitória do individualismo está passando dos limites. O esporte é a prova que estamos diante de uma vil realidade. A da individualização exclusiva dos talentos. O jornal argentino Olé, como me contou a matéria do Globoesporte.com, chama Messi de clone do Maradona. Não são só eles. Desde que Pelé parou de jogar bola, a torcida e a imprensa brasileira elegem sazonalmente o novo Pelé. É assim também com os novos Zicos, os novos Michaels Jordans, os novos Ayrtons Sennas, rótulo este que Felipe Massa tenta de todas as maneiras recusar, a ponto de dizer não ser Senna seu principal ídolo, já que em 1994 tinha apenas 12 anos.

Por que Messi não pode ser o novo Messi? E Massa o novo Massa? Nada mais cruel na criação de novos ídolos do que a sombra dos velhos ídolos. É uma lição esportiva, mais uma vez perfeitamente adequada ao nosso cotidiano mundano e bem menos recheado de euros e dólares. Quantos filhos sucumbem na vida porque foram obrigados a repetirem os feitos dos pais? Quantas crianças recolhem-se tímidas porque precisaram ser igual ao brilhante irmão mais velho? Quantos estilistas faliram porque em vez de criarem vida própria foram tentar se igualar aos grandes monstros da moda? Quantos cronistas esportivos tropeçam nas teclas por causa do fantasma genial de Nelson Rodrigues?

Talvez Pelé, até agora o maior de todos, pudesse colaborar filosoficamente para acabar com isso. Quem sabe mandando um e-mail para todos os jogadores do Brasil e cartas para os que são excluídos digitalmente. Seria este o texto:

“Chamam-me de rei. Dizem que fui o melhor. Mas o que é ser melhor? Ganhar, ganhar, ganhar? Evitem se espelhar em mim. Apenas vejam o que fiz e tentem ser diferentes. É isso. Eu fui um diferente. Um grande diferente. Sejam diferentes. De mim, principalmente.”

Assim, a médio prazo, talvez conseguíssemos extinguir a palavra “fracasso” do dicionário.


NOVA SEÇÃO NO GARAMBLOG!!!

DEPOIS DOS CONSAGRADOS E INCONSTANTES “POR QUE NÃO VER?”, “POR QUE NÃO VER?”, “VOCÊ SABE QUE O MUNDO ACABOU QUANDO...”, “CANTINHO DA INFÂMIA” E OUTROS PÉS DE PÁGINA... COM VOCÊS:

UMA FRASE MARAVILHOSA PINÇADA ALEATORIAMENTE DESTE MUNDÃO DE DEUS E QUE TEM A SIMPLES E COMPLEXA INTENÇÃO DE NOS INSTIGAR POR UM OU MAIS MINUTOS:

“BASTA UM PASSO PARA A FRENTE E VOCÊ JÁ NÃO ESTÁ MAIS PARADO”, Chico Science.



Escrito em 10/03/2007 |Comentários: »


Tenho minhas dúvidas...




Ainda bem. Desconfio de quem não tenha dúvidas. Mas a rodada mostrou algumas certezas absolutas que me fizeram matutar, como péssimo caboclo, mastigando um galhinho seco qualquer sob a sombra de uma árvore que também não saberia identificar.


1) O impedimento de Jonas – A bandeirinha zen Ana Paula, que agüentou um tanto de ofensas de olhos fechados, pode até ter pedido desculpas a Luxemburgo, ainda em campo, por marcar impedimento no gol de empate de Jonas. Só que, da posição dela, ao olhar o lançamento e imediatamente olhar os lançados, um jogador do Santos lá na pontinha induz qualquer um a pensar que a jogada era irregular. O repeteco mostra bem. Sou um partidário do impedimento passivo, porque muitas vezes quem lança não pensa no destino, mas sim naquele bolo de companheiros com a mesma camisa que correm para a área.

2) A escalação de Romário – Quando acabou o primeiro tempo, fiquei pensando no drama de Renato Gaúcho, que escalou o Baixinho e via o Madureira ir para o vestiário com 1x0. Mesmo assim, manteve Romário em campo e foi brindado com três gols. Aí eu pergunto? O Vasco escalar Romário é caridade ou necessidade? Afinal, o Madureira era a coqueluche do campeonato e pela primeira vez levou três de um só.

3) A sina de São Marcos – Parafraseando Lédio, um atleta como Marcos não merece passar pelo que tem passado. Esquecido pelo marketing do clube, humilhado por alguns cartolas, vítima de contusões em cascata. Será que ele tem que ficar no Palmeiras até o fim da carreira? Ou o destino está sugerindo que ele respire novos ares e volte depois para o Palestra?



4) O Fenômeno Gordo – Vê-lo animado e correndo em campo me fez duvidar dos nutricionistas da CBF e do Real Madrid. E olha que a Itália é a terra das massas.

5) O pobre Massa – Será que vale a pena ralar numa grande equipe anos e anos? Segundo boa matéria da Vejinha São Paulo, o brasileiro ganhará em 2007 cerca de 8 milhões de dólares, enquanto o recém-chegado Kimi Raikkonen vai faturar 25 milhões.

6) PC Gusmão no Náutico – Depois de não aproveitar grandes chances no Sudeste, PC aposta no Timbu para brilhar no Brasileirão. Se não abandonar o barco no meio do caminho, pode talvez retomar a fama que teve no início da carreira. Ou então passar um bom tempo no limbo.



7) O novo filme de Sofia Coppola – O trailer mostra uma trilha musical roqueira para a vida de Maria Antonieta, além dos diálogos em inglês em plena corte francesa. Já disse que não vou. Minha dúvida é se estou sendo radical.


UMA FRASE MARAVILHOSA PINÇADA ALEATORIAMENTE DESTE MUNDÃO DE DEUS E QUE TEM A SIMPLES E COMPLEXA INTENÇÃO DE NOS INSTIGAR POR UM OU MAIS MINUTOS:

“Os tais anos 80 foram realmente divertidíssimos; a gente sabe porque estava lá pra ver, beber, dançar e até votar em um bando de vagabundos.”, Edmundo Barreiros e Pedro Só.
Escrito em 11/03/2007 |Comentários: »
JOGADORES IRRESPONSÁVEIS?





Ninguém tem o direito de exigir a postura de ninguém. Cada um sabe o que fala. E cada um tem que saber as conseqüências do que fala. Mas o dia seguinte do belíssimo clássico entre Santos x São Paulo dá a impressão que alguns jogadores continuam sem a menor noção do que representam.

Onde está a maturidade em amainar os ânimos, falar de futebol, rir das leviandades alheias e pensar na segurança dos que vão ao estádio para torcer?

O que se vê nas declarações de Aloísio, Fábio Costa, Antonio Carlos e cartolas bobocas é a continuação dos carrinhos do clássico. Será que a inacreditável imagem do vaso sanitário sendo arremessado por um beócio irresponsável não comove o mundo do futebol?

As entrevistas de ontem deviam ter sido exclusivamente sobre isso. Condenando, criticando e cobrando apuração imediata dos responsáveis pela Polícia Militar. A impressão que fica é medonha. O mundo do futebol é egoísta, só pensa nele e o torcedor não passa de um idiota que paga ingresso para assistir a um espetáculo onde os personagens se acham acima do bem e do mal e defendem um código próprio.

Alguém duvida que o clima do próximo Santos x São Paulo será horroroso? E que a probabilidade de tragédias aumentou, já que ninguém se preocupou em pregar a paz?

É tanto murro em ponta de faca que o esparadrapo acabou lá em casa.
Escrito em 13/03/2007 |Comentários: »
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