XENOFOBIA, NÃO!!
O último “post”, sobre Cristiano Ronaldo, levantou muita polêmica. Até aí tudo bem. O duro é agüentar, mais uma vez, a cascata de leviandades e agressões gratuitas de quem nunca tomou um chope ou sequer jogou uma peladinha comigo. Imagino se fôssemos assim na rua. Entra-se numa padaria e fala-se: “Ô seu padeiro medíocre, você não tem vergonha desse pão c** que a empresa onde você trabalha faz? Você e seus colegas padeiros são um bando de imbecis. Falando nisso, acho que o brigadeiro pode ter um pouco mais de confeito”.

Mas o ser humano é inviável e o mundo já acabou faz tempo. Prefiro ter a paciência inicial do arquidiabo maquiavélico com a insuportável esposa Honesta. E sigo os conselhos dos comentaristas que, gostando ou não do que é aqui escrito, preferem a reflexão inteligente e a discussão civilizada.

Escrito isto, debruço-me sobre uma crítica recorrente ao último post. O nacionalismo exarcebado e uma espécie de xenofobia aos craques que não são brasileiros. Uma grande bobagem. Como é besteira tamanha dizer que Capello e Ancelotti não gostam de brasileiros. Acho que todos nós amamos o futebol, independentemente da nação. Fomos abençoados com os melhores jogadores e o mais vistoso estilo de jogar. O mundo venera o futebol brasileiro há tempos. Não à toa vem da Inglaterra a melhor frase sobre o assunto. “Futebol é um jogo de onze contra onze em que os brasileiros sempre ganham”.


Condenar a soberba brasileira neste campo é cruel. O Brasil é um país emergente, que demora demais para emergir, que já está atrás de China, Índia, Rússia no famoso conceito BRIC, que sofre com a falta de liberdade imposta pela violência urbana, que tem um congresso completamente distante das necessidades e realidades do país, que sofre com a usura da elite, que se acha já resolvido e não se comove mais com crianças e velhos mendigos, enfim, uma grande mentira tropical. Mas se existe algo onde somos hegemônicos é o futebol. E nem isso podemos nos orgulhar?
Bom, para mostrar o quanto é eclético e univesal o gosto do blog, vai aí uma lista de excelentes jogadores, alguns craques, que tive a chance de ver em campo. Daqueles que a gente batiza botão e brinca na várzea, incorporando durante um gol qualquer. Esqueçam a grafia. Vai ser na correria para ganhar tempo:
Ardiles ( Argentina)
Rumenigge ( Alemanha)
Mattheus ( Alemanha)
Litbarski ( Alemanha)
Kevin Keegan ( Inglaterra)
Lineker ( Inglaterra)
Maradona ( Argentina)
Francescoli ( Uruguai)
Ruben Paz ( Uruguai)
Hugo Sanchez ( México)
Roger Milla ( Camarões)
Okocha ( Nigéria)
Bruno Pezzey ( Áustria)
Verón ( Argentina)
Ortega ( Argentina)
Cubillas ( Peru)
Pedro Rocha ( Uruguai)
Stoichkov ( Bulgária)
Hagi ( Romênia)
Blokhin ( URSS, hoje Ucrânia)
Zidane ( França)
Platini ( França)
Trésor ( França)
Papin ( França)
Figo ( Portugal)
Gullit ( Holanda)
Van Basten ( Holanda)
Bergamp ( Holanda)
Guardiola ( Espanha)
Lato ( Polônia)
Baresi ( Itália)
Baggio ( Itália)
Maldini ( Itália)
Weah ( Libéria)
Boniek ( Polônia)
Salas ( Chile)
Klinsmann ( Alemanha)
Laudrup ( Dinamarca)
Brolin ( Suécia)
Rikjaard ( Holanda)
Arzu ( Honduras)
Ruben Soza ( Uruguai)
Valderrama ( Colômbia)
Mário Kempes ( Argentina)
Paolo Rossi ( Itália)Beckenbauer ( Alemanha)Breitner ( Alemanha)
Ramon Diaz ( Argentina)
Bonhof ( Alemanha)
Glenn Hoddle ( Inglaterra)
Genghini ( França)
Giresse ( França)
Panencka ( Rep. Tcheca)
Klaus Allofs ( Alemanha)
Benetti ( Itália) Bom, esta lista foi de uma leva só, buscando rapidamente na memória afetiva. Evitando ao máximo os que estão em atividade, apesar do Véron. Certamente, vou lembrar de outros aos poucos. E vocês, completariam a lista com quem? Aliás, já está sendo completada num movimento sensacional de comentários nostálgicos e bacanas.
O MILÉSIMO BEIJO( Para Ivy Faria e Rosângela Garambone)
Este post é piegas. Quem dera fôssemos mais piegas. Romário tem cinco filhos: Moniquinha, Romarinho, Rafinha, Belinha e Ivy.
Ivy. Não é Brussel. É Ivy Faria. Filha de Romário e Isabela.

Ivy fez dois anos há quatro dias. Desde que nasceu, Ivy ganha muitos beijos de Romário. Beijos, respeito e exposição. Ao saber que a caçula tinha síndrome de Down, Romário mudou.

“É uma dádiva, um presente. Sou cara mais alegre, paciente e tolerante. Entendo mais a vida.”
Crianças que nascem deficientes ou que ficam deficientes possuem uma postura angelical diante da vida. Um pouco distante da realidade, olhar às vezes perdido, como que filosofando sobre o estranho mundo que as cerca. Possuem a incrível qualidade de mudar a vida dos que as acolhem. Romário, o marrento, o provocador, o craque que irrita, foi às ruas para mostrar que a síndrome de Down precisa ser encarada sem preconceitos.
“Acho que tem muito preconceito, principalmente por parte dos pais. Vejo que alguns pais de filhos portadores da síndrome escondem os filhos, não falam sobre isso. Quero mostrar que é normal.”

No jogo contra o Gama, nesta quarta, quando podia, hipoteticamente, chegar aos mil gols, Romário estava com a cabeça em outro lugar. Precisava dar mais beijos em Ivy, afinal era o Dia Nacional da Síndrome de Down. Precisava ir à capital do país encontrar o senador Renan Calheiros, combinar a participação dele, tetracampeão mundial, em ações sócias positivas.
Sempre com ela no colo, dando beijos e carinho, Romário desfila com a filha orgulhoso. Apelidada de Chininha ou Princesinha, a menina também já apareceu estampada numa camisa do artilheiro, quando ele fez o gol 995 contra o Boavista.
“Dos três gols que marquei, dois foram para a minha filha e o outro para o amigo Thiago Costa, de Cabo Frio, que também comemora aniversário hoje”.
Ter um parente deficiente não é fácil. Os olhares urbanos são cruéis. Em vez da solidariedade, a mórbida curiosidade. Romário faz seu papel de pai e ídolo. E beija Ivy. Já são dois anos de beijos. Cem, duzentos, quinhentos... 999 beijos.
O milésimo é nosso. Um beijão para você, Ivy, a baixinha do Baixinho. Bem piegas. Bem Síndrome de Up. Para cima.
E para os que já tiveram a experiência de ter estes anjos por perto, reproduzo o primeiro conto do meu primeiro livro. Meu primeiro beijo para Rosângela, minha irmã. Primeira irmã. Que contraiu encefalite com três anos.
OLHARESVAI OLHAR. É BATATA. Dou-lhe uma, duas, três... olhou! Posso usar o velho truque e olhar também. Mas já cansei disso. Ele ficaria desconsertado um, dois, três minutos e... pronto. Daqui a uma semana estaria olhando de novo. Posso fingir que não vi, que nem estou ligando por ser sacaneado sem dó nem piedade por um estranho. Mais fácil. Até porque a situação vai se repetir n vezes. Pelo menos até eu chegar à padaria. Depois ela se repetirá n + 100 vezes da padaria até a minha casa.
Pior são os legais. Os bacanas. Os gente-boa. De longe me avistam, olham rápido, esboçam até mesmo uma careta para depois demonstrarem a maldita feição piedosa. Daí para a bondade hipócrita é um pulo de rã. Quando não, começam a mirar um horizonte imaginário, cumprimentam porteiros boçais e passam por mim como se eu fosse um poste. Que bonito. Muito obrigado pelo respeito. Vão cagar no mato.
Aqueles que seguem caminho, sem parar para pensar no que viram por um segundo apenas, são seres evoluídos. Tão evoluídos que não existem. Aliás, divido o mundo entre seres e humanos. Baratas são seres, baratas mortas são humanas, gente que gosta de filas é ser, motoristas de táxis também. Humanos batem pênalti. E beijam com a língua. Comem pastel de queijo com guaraná Antarctica. Vão embora quando a festa está chata. Seres telefonam para saber da saúde da família e em seguida oferecem alguma corrente financeira magnífica que enriquecerá a mesma saudável família em um mês.
O bom de ser aleijado é que a gente tem mais tempo para pensar. Aliás tem mais tempo para tudo. O aleijado sempre leva mais tempo. Tempo até mesmo para filosofar babaquices deste tipo. Seres e humanos. O pior é que isso ainda dá certo com muita mulherzinha. E o pior ainda é ouvir de vez em quando neguinho que não é aleijado ter tempo para filosofar babaquice e conseguir muitas, muitas mulherzinhas.
Sou aquele aleijado típico. O da piada. Pernas arqueadas, uma maior que a outra, o folclórico andar “tá fundo, tá raso”, “meio-fio, rua”, “vinte e nove, trinta”, “deixa que eu chuto”, tanto faz. A escolha é do freguês. Olhar meio perdido e a conhecida cara de mongão. Debilóide para os íntimos. O problema todo está nas pernas. Quando se anda desconjuntado, é impossível segurar a porra dos braços, que ficam para lá e para cá como se fossem dois epiléticos duelando durante um ataque mútuo. O quadro se completa com a boca mole e a cabeça ziguezagueando no ritmo descompassado dos braços epiléticos. Basta imaginar um títere com duas cordas arrebentadas.
Estou indo à padaria. Comprar pão.
Quando menor, gostava de contar quantas pessoas tinham me olhado quando eu saía de casa. Sozinho, no meu quarto, ao retornar, anotava. Nem sei mais onde está o curioso caderno. Tinha gente que aparecia mais de uma vez nas anotações. Quando completava cinco presenças no tal caderno, eu circundava o nome do indivíduo com a tinta esferográfica de uma caneta vermelha ordinária e dava o susto. Era muito engraçado. Ao sair na rua novamente e perceber o olhudo, chamemos eles assim, me olhando com aquela cara de quem viu um extraterrestre de Zorion, eu acelerava o passo, caprichava na falta de coordenação motora e ia na direção do babacão ou da babacona. A cara de susto era fantástica.
— Ai, meu filho, que horror, está passando bem? — e me escorava como quem pega um pedaço de merda boiando na piscina. Com nojo. Graças a Deus minha fala não segue a falta de geometria do meu corpo. Mas nessas horas eu caprichava, enrolava a língua, babava, cuspia de leve no olhudo e dizia:
— Bigaaa-ga-do... vo-vó! Ram... brr...lll...dã... — vovó nesse caso é porque a olhuda era uma mulher gorda qualquer, nem tão velha assim. Elas ficam loucas quando são consideradas mais velhas. E param de olhar.
Que bom, não tem fila na padaria. O caixa, Zé, faz a brincadeira de sempre.
— Fala, Trimilique, dez pãezinhos moreninhos, né?
Eu não ligava, sempre gostei dos que não escamoteam seus sentimentos. Se o Zé é sacana por natureza, sabe que sou aleijado, por que não vai me sacanear? Aí eu aproveitava para escandalizar logo a padaria.
— Não, Zé, hoje são onze. Dez você me dá, e o outro enfia no cu.
Risos.
Pena que a piada já tinha sido contada umas vinte vezes. Mas gente ignorante é assim mesmo. Tem lá suas vantagens. Repetir a mesma piada para eles por exemplo. Sempre riem.
Acho que todos pensam que sou um office-boy de luxo. Que minha família, má como ela só, me manda comprar pão, carne, jornal. Mal sabem que moro sozinho, sou punheteiro profissional e passo o dia no computador.
Trabalhando.
Punheta eu bato no banheiro.
Quanto palavrão.
Para falar a verdade, sinto que sou útil à sociedade. Várias mocinhas passam por mim chorando por um motivo qualquer e segundos depois secam as lágrimas. “Eu aqui chorando por um namorado besta e esse pobre rapaz cheio de problemas na perna e deficiente físico. Estou chorando de barriga cheia, bola para frente, melhor agradecer a Deus a saúde que tenho e cuidar da vida que a morte é certa”, refletem elas, felizes com o próprio pensamento rasteiro. Casais que passam discutindo costumam também terminar a briga logo que me avistam. Sou o mal necessário. Ou são as putas? Pelo menos os aleijados não cobram. E nem chupam pau, que fique claro. Se bem que de aleijado boiola o mundo está cheio. O duro é ficar de quatro e não cair no chão.
Quando vejo uma mulher boa. Gostosona. Daquelas que provocam saliva e mal-estar em qualquer macho. Sinto vontade de puxar papo. Não para cortejá-la e convencê-la das vantagens de transar com um capenga disrítmico, mas para dividirmos experiências. Ela também tem o mesmo problema que eu. Não pode sair na rua que todo mundo olha. Principalmente os homens, ou talvez não, porque mulher adora olhar outra mulher. É a famosa visão comparativa acrescida do detector de defeitos alheios. Fazem isso com uma discrição fabulosa. Experimente perguntar para uma mulher, numa festa, qual a cor do vestido da perua que estava abafando. Não só vai dizer a cor como tecerá comentários sobre a combinação esdrúxula da meia-calça com o sapato. E também dará o mapa de todas as celulites presentes no par de coxas opulentas da perua. Mulheres são fantásticas. Anos-luz à frente dos paspalhões masculinos.
Também gostaria muito de travar uma prosa com crioulo rico. São bastante olhados. Talvez até mais do que nós, aberrações da natureza.
Não lamento o que sou, mas só questiono por que Deus foi mijar logo na hora em que estava me esculpindo? Foi mijar e fez merda. Paradoxo divino.
Tenho um irmão menor. Quando ele era bem moleque, saía comigo para a tal padaria, o tal açougue e a tal banca de jornal. Tinha ele uns treze anos. Eu dezoito. Era comovente o ódio que ele sentia pelos olhudos. Gostava de ir com ele. Seu sangue era muito mais efervescente do que o meu. Optei pelo sarcasmo desde cedo. Dói menos. Meu irmão ia me escorando, afinal o equilíbrio que tenho hoje não foi conseguido da noite para a madrugada. De repente, ele percebia alguém olhando para mim. Pronto.
— Tá olhando o quê? Nunca viu não? Então empatou, nunca vi alguém tão escroto quanto você! — berrava o meu mano.
Era legal porque ninguém reagia. Meu irmão sempre estava com a faca e o camembert na mão. Claro, fazíamos o papel dos oprimidos, e não é de hoje que alguns oprimidos oprimem mais do que seus opressores. É o chamado oprimido burro. Eu sabia que, lá no fundo, meu irmão se revoltava por ter um irmão aleijado que era motivo de chacota na vizinhança. Mas a possibilidade de xingar meio mundo, aos 13 anos, sem o perigo de levar uma porrada na cara, o seduzia bastante. Daí querer sair muito comigo. Meu irmão era mais um que me usava. Dói mais.
Furar fila também é comigo mesmo.
Nem idoso pentelho é páreo para mim quando quero pagar conta no banco. Descobri com o tempo que as facilidades conquistadas pelos velhos e deficientes nada mais são do que uma maneira de os normais se livrarem logo daquela visão incômoda. Estão certos. Eu também prefiro olhar uma garotinha bonita a um outro aleijão capenga. Basta eu.
E meu espelho.
Me divirto na Internet. Fico fuxicando o correio eletrônico e os chats até descobrir alguma mulher. Passo uma mensagem e, como não sou acéfalo, muito menos humilde, as seduzo rápido com jogos de palavras e ironias. Imprimo todo o bate-papo até revelar a elas minha condição física. Não dá três dias e os papos vão pro caralho. Eu imprimo tudo para olhar depois como a curiosidade e a sedução iniciais passam para uma formalidade e um respeito ridículo. Aí eu passo mensagens bem cínicas até chegarem as respostas deliciosas: “Estou tendo que estudar muito. Vou ter que parar um pouquinho com a Internet”, “vou viajar para a Europa, na volta nos falamos”, “meu namorado quer te conhecer”, “você consegue receber minhas mensagens? Eu não estou lendo as tuas” e por aí vai. Um dia vou mandar alguma mensagem assim: “Oi, sou aleijado, tudo bem?”, quem sabe isso facilita a covardia dos seres.
Uma vez vi um cara legal. Um fato digno de nota. Era uma festa numa boate do Leblon. Fui com meu primo. Eu que tive de convencê-lo. Não sou daqueles que preferem ficar em casa, curtindo a fossa e praguejando Ele. Me sentei numa poltrona vermelha e fiquei observando o mulherio dançando, os carinhas fazendo gênero, os tímidos bebendo e as feias indo ao banheiro. De repente, noto um garotão escancarando o olhar numa morena. Ela não era bonita. Estava encostada na parede, em pé, se apoiando no braço direito. Ele a chamou para dançar, ela recusou. Ele insistiu, ela topou. Quando se desencostou da parede, o choque. Era maneta. Do cotovelo direito para baixo não tinha nada. Pagava meia na manicure. O espanto do moleque durou um segundo. Com muita classe, ele redirecionou a mão dele na direção da mão esquerda dela. Dançaram bastante, ele continuou meio que dando em cima dela, foram tomar um drinque, voltaram a dançar. Depois ele deu dois beijinhos e se despediu. Não ficou com ela. Não tentou arrancar-lhe um beijo. Foi honesto. Sincero. Não teve caridade, dó, nem piedade. Perdeu o tesão. Paciência. Era um cara legal. Que vai contar para os amigos o que aconteceu. E vai rir. Sem culpa.
Aos misericordiosos o inferno.
Já me ofereceram muletas. Rejeitei, óbvio. Há uma hierarquia entre nós, monstros do espaço. Quem consegue andar feito eu, cambaleante e ridículo, está no topo da pirâmide social. Somos a aristocracia. Os de muletas são a burguesia, querem chegar a ser um de nós, mas não podem. Aliás, se esborracham no chão quando tentam. E os motoristas de cadeira de rodas, coitados, são a plebe. Sempre dependem de alguém. A não ser aqueles musculosos que participam das Paraolimpíadas, que eu sempre chamei de Bizarres Games, e acham o máximo ter um tronco de touro com perninhas de avestruz. Bizarros porque são o sumo da pieguice, das palmas solidárias, da maldita sensação de pena. Olha o ceguinho, tão ceguinho e correndo os 100 metros rasos! Palmas para o ceguinho que ele merece. Pau no cu do ceguinho!
Quando falei dos aleijados boiolas, confesso que tenho por eles esse sentimento abominável da dó. Além de ter que se conformar com o Destino, se for esse o nome do filho da puta lá de cima que me pôs aleijado, ouve aquele comentário típico.
— Puxa, além de manco, é gay.
Como se fosse uma opção dele ser aleijado. Opção é atracar de popa. Tudo bem. Não é a minha. Mas se é opção, como já escrevi duas vezes aí em cima, cada um sabe o que está fazendo. Só não pode exagerar e usar a bengala de consolo. Ou pode, sei lá.
Bom, vida que segue, já comprei dez pãezinhos. Páro de escrever agora pois tenho algo mais importante para fazer. Hoje é dia da sagrada peladinha semanal na Lagoa. Naquele campo na saída do túnel Rebouças. Jogo na frente, sou artilheiro do time.
Acreditou?
Eu vou é bater uma punheta.
Com a mão esquerda que é para dar mais tesão.
ESTICA A VIAGEM, RICARDO
O “road show” de Ricardo Teixeira tem passado pelas principais capitais do país. O presidente da CBF angaria apoio político e de quebra dá uma olhadela nos interessados em abrigar alguma sede da Copa de 2014, sendo ela no Brasil.
Eis que o correspondente da TV Globo em Buenos Aires, Ari Peixoto, uma apaixonado por futebol e ilustre torcedor do América do Rio, manda-me uma foto-legenda que saiu hoje no La Nacion, importante jornal portenho.
Ao que parece, existe uma corrente no país vizinho que faz cara feia para a candidatura brasileira. Ciúme, inveja, medo do desempate ( em 50 foi aqui em 78 foi lá) ou apenas uma questão de Balanço de Poder Esportivo, roubando a expressão do cientista político Morgenthau, que via no Balanço de Poder entre EUA e URSS, durante a guerra fria, uma forma de preservar a paz no mundo.
Enfim, vejam a foto, o título irônico e tirem suas conclusões.