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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Globo Esporte e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
( O Caçador de Barangas, em 2000,
EU GOSTO DA ARGENTINA


Também gosto do futebol argentino. E do vinho argentino. E das mulheres argentinas. E da carne argentina. E dos fotógrafos argentinos. A rivalidade que existe só no futebol me fez achar que a torcida do redator o La Nacion não é muito para a realização da Copa no Brasil. Aliás, duplo sentido é o trunfo do diabo das palavras. Além da confiança que tenho no meu amigo Ari, de Buenos Aires.

Se errei, peço desculpas. Se houve a intenção pejorativa do redator argentino, ficou a reflexão e discussão nos comentários.

O leitor Túlio Bragança mandou e-mail bacana, sugerindo dois links interessantes sobre o duplo sentido de “Ilusión”.

http://www.clarin.com/diario/2007/01/23/um/m-01350150.htm

http://www.infobae.com/notas/nota.php?Idx=297572&IdxSeccion=100902

Mas como, para alguns, pareceu um libelo a favor da rivalidade. E sou contra qualquer rivalidade, principalmente as sadias, porque nenhuma rivalidade é sadia, posto aqui uma intenção futura que mostra bem o quanto acho que os vizinhos são legais.



Eu vou ver o filme do Maradona! Eu bato palmas para o Cañas! Eu prefiro a Argentina número 1 do ranking à Itália, que menos de um ano depois do tetra periga não se classificar para as finais da Eurocopa.

Depois de “Pelé, Eterno”, o programão para quem realmente gosta de futebol é pagar ingresso para ver “A mão de Deus”. Tive a oportunidade de comprar, numa visita à Argentina, um DVD portenho sobre Maradona. É inacreditável. A história, a vida e as jogadas do baixinho de lá.


POR QUE NÃO VER?

SCOOP, O GRANDE FURO – Depois do raso “Match Point”, adorado pela maioria, detestado pelo chato aqui, Woody Allen volta para o lado de lá da câmera e brilha num filme com diálogos inteligentes, piadas excelentes e mistério até o fim.

POR QUE NÃO LER?

CAMPOS DE CARVALHO, Cartas de Viagem e Outras Crônicas – Livro de bolso de um dos maiores escritores brasileiros. Eis uma amostra pequena: “Se você pretende viajar de navio para a Europa, compre hoje mesmo a sua passagem de avião e agarre-se a ela com unhas e dentes. O avião ainda é o meio de transporte mais rápido, sobretudo se está caindo – o que maior conforto oferece, sobretudo à família”.
Escrito em 28/03/2007 |Comentários: »

ANONIMATO FUTEBOL CLUBE

A rodada foi simpática, boa de comentar, mas isso Lédio Carmona faz melhor do que ninguém. Aproveitemos pois a quinta-feira. Já pedi o chope e postei um texto para nossa reflexão nesse cibercafé. O assunto é recorrente e tema eterno do Garamblog. Ei-lo:

Tirania na Internet: Gerenciando o ódio


A tecnologia da comunicação sofreu uma revolução nos últimos 15 anos. A interatividade nos sites, a troca frenética de e-mails e a possibilidade de comentar um texto postado num blog, entre outras coisas, mudou a forma de dialogar entre os que têm acesso à Internet. Entretanto, o desabrochar do ódio e de outras manifestações virulentas entraram no rol das discussões sobre os impactos positivos e negativos que a aldeia global cibernética tem gerado desde o fim do século passado.

Segundo o professor Rubens Queiroz de Almeida, em artigo publicado pela Unicamp em março de 2000, existe uma espécie de “Síndrome de Hulk” na Internet. Usuários de comportamento pacífico no dia-a-dia mudam completamente de perfil à frente de um computador, sendo capazes de ofender terceiros, através de mensagens virulentas, chulas e inconseqüentes. Para ele, muitas dessas reações desproporcionais e violentas são fruto de uma falha estrutural do correio eletrônico: a falta da linguagem do corpo. “Esta linguagem pode-se dizer que representa uma parcela fundamental da comunicação entre duas pessoas. Se dissermos algo ofensivo, seguido de uma mensagem corporal neutralizadora, como um sorriso ou um piscar de olhos, dificilmente seremos mal interpretados”, diz ele em www.ccuec.unicamp.br/revista/infotec/internet15-1.html

A preocupação de Queiroz não encontra eco nas posições defendidas pelo advogado Amaro Moraes e Silva Neto, autor do livro “Privacidade na Internet, um Enfoque Jurídico”, Edipro 2001. Participante ativo do site Avocati Lócus, que tem como slogan “A privacidade é o seu mais importante direito na Web”, Amaro volta no tempo e cita o Banco de São Jorge, fundado em 1407, onde teria sido criado o termo “sociedade anônima”, já que o investidor emprestava seu dinheiro e não seu nome. O autor, em artigo publicado no citado site, defende que a tecnologia, por definição, é contrária à privacidade. Por isso, numa espécie de resistência legal, ele prega o anonimato na Internet, pois considera que os mecanismos de controle do indivíduo pelas corporações e Estado já estão num nível assustador. “É preferível que alguém divulgue uma mentira a lhe negar o constitucional direito à liberdade de expressão – a par de nosso figadal repúdio aos que se valem desse anonimato para denegrir a honra de terceiros, criar intrigas, pugnar discriminações etc”, defende ele em www.advogado.com/internet/zip/anonimo.htm.

Mais do que anonimato e privacidade, a discussão remonta à uma questão milenar da humanidade. A responsabilidade e a irresponsabilidade do indivíduo quando de posse de qualquer meio de difusão de idéias.





Escrito em 29/03/2007 |Comentários: »
MAIS UM CÍCERO PARA A HISTÓRIA



O INACREDITÁVEL FLA-FLU

Ô joguinho maluco, sô. Todos os clássicos brasileiros são sensacionais, mas em matéria de surpresas e fatos inusitados o Fla-Flu é impressionante. Já tivemos o Fla-Flu da Lagoa, o Fla-Flu da barriga, o Fla-Flu de Zico em Juiz de Fora com goleiro tricolor dizendo-se honrado em tomar goleada, Fla-Flu de viradas, Fla-Flu de Zico perdendo pênalti e Cristóvão brilhando, Fla-Flu de golaço de Leandro com bola na trave e nas costas de Paulo Victor, Fla-Flu de desconhecidos, Fla-Flu de Rogerinho, enfim, Fla-Flu.
E numa noite quente carioca. De estádio vazio. De Fla-Flu pouco badalado em semana de gol mil. Eis que uma virada maluca dignifica o clássico. O Flamengo melhor, tranqüilo, sem compromisso e ganhando soberano. Começa o segundo tempo e Cícero, apagado desde que chegou às Laranjeiras, desvirgina a área rubro-negra e frustra os que ainda chegavam do bar com a cerveja na mão. E nos acréscimos, com gente já indo embora para não perder o metrô, Alex Dias recebe e de primeira joga na área. Corajoso o Alex Dias. A zaga olha o movimento pendular, Bruno já pensa em bater o tiro de meta e Cícero, novamente, rompe pela área. Desta vez sem estilo. Encarnando Almir Pernambuquinho, joga-se no ar, contrariando a física e a gravidade, sem saber com qual pé chutar. A bola vai forte, bate na coxa do goleirão, coxa da mesma perna que evitou o milésimo gol de Romário e desliza silenciosa pelas redes.
Tem tricolor pulando até agora. Tem rubro-negro irado até agora.
Coisas de Fla-Flu.
O que acontecerá no próximo? Ninguém sabe. O Fla-Flu é à prova de matemáticos.

Escrito em 30/03/2007 |Comentários: »
CAMPEÕES MUNDIAIS, SIM SENHOR!!!






Nobres, que bom que a democracia, pelo menos a de opiniões, pegou de vez. Discordo completamente do Poli e parcialmente do Lédio. Acho o título mundial do Palmeiras justíssimo! E se o Fluminense conseguir também, tão justo quanto. Pensarmos que eram competições caquéticas nos faz tão descartáveis quanto os seriados americanos. O assunto se encaixa perfeitamente na minha campanha:

O MUNDO NÃO COMEÇOU ONTEM!

Certo rubro-negro famoso, repórter excelente da Globo, disse-me, brincando, que, para ele, os mundiais só começam depois de 1981. Por este pensamento, todos os estaduais vencidos pelo rubro-negro não valem antes da conquista de Zico, Nunes & etc? Acho impressionante como o passado é desrespeitado em torno de nada. Basta ver os jornais da época. Eram manchetes de 6 colunas, vi isso, enaltecendo os títulos mundiais de Palmeiras e Flu. Se for por analogia, lembremos que ambos enfrentaram muito mais adversários que os outros dignos campeões mundiais.

Negar o passado é pensar como Bush. Que também acha que o mundo começou ontem e sai por aí impondo o que ele considera democracia. Uma democracia militar e estranha, que não suporta nada que seja diferente da sua.

Voltando ao futebol. Quer dizer que, daqui a 60 anos, se o Mundial da Fifa tiver uma forma completamente diferente da de hoje, os três títulos do São Paulo, os dois do Santos, o do Fla, o do Grêmio, o do Inter, não valerão mais nada. Seremos nós os rotulados de caquéticos. As piadas sobre título comemorado no cemitério versarão sobre nossas túmulos?

Lembro-me, quando garoto, que li numa Guerin Sportivo, respeitadíssima revista italiana de esportes, um interessante levantamento sobre os títulos nacionais brasileiros. Para eles, a Taça de Prata, o Robertão e algumas edições do antigo Rio-São Paulo ( que continha vários convidados nem paulistas nem cariocas) podiam ser considerados título nacionais. Logo o Santos era muito mais que bi, o Flamengo mais que penta e por aí vai.

Faz sentido. Ou não é muito estranho que um futebol centenário como o brasileiro só tenha campeonatos brasileiros a partir de 1971. Aceitar isso é ser institucional, é pensar com a cabeça da CBF, dos donos do poder, da burocracia esportiva. A Taça de Prata de 1970, inclusive, curiosamente ganha pelo mesmo Fluminense “campeão mundial” de 1952, tinha o mesmo formato, número de times e regulamento que o “primeiro” campeonato brasileiro de 1971, ganho pelo Atlético Mineiro. E a CBF, na época CBD, não reconhece o título tricolor.

Negar o passado é cegueira. E pior. Negar o passado é pavimentar com areia nosso futuro. É deixar que o nosso legado, seja ele filosófico, cultural ou futebolístico, seja negado pelas gerações futuras. Como nós, os “jovens moderninhos” de hoje, estamos fazendo com as conquistas, dribles e sonhos construídos por nosso antepassados.

Sejamos generosos. E mais do que tudo. Justos.
Escrito em 31/03/2007 |Comentários: »


A culpa foi do troféu


Não vai dar para contar para meus netos que eu estava lá. Ou melhor, vou contar que estava lá, vi uma festa incrível da torcida vascaína, vi o brio dos botafoguenses, em minoria nas arquibancadas, vi Joílson, mesmo expulso, botando pulga na cabeça de Dunga, vi Zé Roberto dignificando o nome e pavimentando uma convocação futura. Só não vi o gol 1000.

A tensão no ar era impressionante. A cada bola rolada para Romário, gritos e sussurros envolviam o estádio, é agora! Não foi. Lá fora, muita gente de fora. Lá dentro, muita gente de fora. O placar pedia, nordicamente, para os torcedores ficarem sentados nas novas cadeirinhas. Mas vai convencer o bumbum. Noite quente, lua no céu. A culpa foi do troféu.

Ao entrar em campo com seu uniforme histórico, apesar da meia preta no lugar da cinza, o time do Botafogo saudou a torcida e de viés, bisoiou o cercadinho montado entre os dois vestiários. Dentro dele, imponente e solitário, esperando para ser levantado pelas mãos morenas de Romário, o troféu do gol 1000. Era idéia da Suderj homenagear um dos maiores atacantes de todos os tempos. Boa idéia. Mas não para ficar exposta antes do jogo.

Em final de campeonato, o troféu costuma ficar exposto, criando um clima incrível para o torcedor no estádio. Ele olha para o jogo, olha para o troféu, imagina quem vai levantá-lo, torce. Existe ali a certeza inerente que alguém vai levantá-lo. É o último jogo, qualquer que seja o resultado, o troféu será entregue por algum cartola engravatado.

O troféu Gol 1000 não. Ele depende de um gol. Que depende de alguém tomar este gol. Ao ver os três números dourados e um prateado simulando o Maraca, agrupadinhos, formando a marca histórica de Romário, os jogadores alvinegros tiveram o botão turbo que faltava para estraçalhar a festa.

Durante a semana, ao contrário do Flamengo, o Botafogo fingiu-se honrado, agradeceu os elogios de Romário, deixou o goleirão Júlio César dar entrevistas sem parar. Mas as velhas cortinas do Mourisco já cochichavam e planejavam como engolir taticamente e tecnicamente o Vasco. Cuca, quieto como ele só, convenceu os jogadores do Botafogo que show, no Maracanã, quem ia dar eram eles. E durante os 96 minutos, viu-se os costureiros botafoguenses passeando pela entrada da área vascaína sem pudor algum. E costura daqui, costura dali, passa para um, toca para outro, de repente alguém na cara do gol. E milagre de Cássio.

E o troféu lá. Quieto. Mudo. Esperando o gol de Romário. Saiu o de Lucio Flávio, saiu o de Túlio, sairiam muito mais se não fosse o milagreiro Cássio.

Durante a semana, só se badalou o Vasco, só se badalou Romário. Com razão. A festa estava armada. Deixaram o Botafogo sozinho, quietinho, solitário.

Logo o Botafogo. A Estrela Solitária.
Escrito em 02/04/2007 |Comentários: »
A culpa é do Leão?



Sim e não. O Corinthians algum tempo não tem padrão de jogo. Não se sabe exatamente como o time joga. Na base do toque, chamando o adversário, explorando o jogo aéreo, dois zagueiros, três zagueiros sendo eles um volante?

Verdade que nessas análises costumamos passar a mão na cabeça dos jogadores. O desempenho individual da turma do Parque São Jorge também deixa a desejar. Tirando William, qual o grande destaque? Quem tem jogado muito bem?

Além disso, a tensão imposta por Leão deixou o time nervoso em campo. O treinador, já consagrado tanto pelo talento à frente do banco de reservas como por certas manifestações exageradas de intolerância, andou brigando com meio mundo. E se viu sozinho.

Virou mais vítima que vilão. O caos administrativo do Corinthians, com parceria e clube às turras e sem uma junta de governo capaz de colocar o time no caminho certo, ficou evidente com os super-poderes herdados por Leão. Mas ao contrário de Luxemburgo, que tem carta branca, Leão nunca teve. Levou bordoada, pôs a cara na frente das câmeras em todas as crises existentes, desde a greve dos jogadores à novela Nilmar, e publicamente cobrava da parceria e da diretoria algum tipo de atitude.

O campeonato paulista já foi para o ralo com várias rodadas de antecedência. Na Copa do Brasil, espera-se o próximo adversário, ou é Náutico ou Paysandu. E no Brasileirão, é esperar pelo novo treinador ( já começaram os chutes... Abel, Gallo...) e torcer para que os outros clubes estejam pior.
Escrito em 03/04/2007 |Comentários: »
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