
ACONTECEU NO CARREFOUR. E VIROU PERGUNTA NO BLOG. QUAL A PERSONA DE MASSA?Domingo de manhã. Supermercado para trabalhadores que não conseguiram fazer compras durante a semana. Chinelos, bermudas, sinais de cansaço. Súbito, do sistema de som, a musiquinha conhecida. Pam, pam, pam. E a voz de trombone do mesmo funcionário que passa o mês anunciando promoções de sabão em pó, pé de alface e polpa de tomate anuncia: “vitória brasileira no GP do Bahrein de Fórmula 1. Felipe Massa acaba de ganhar a corrida!”. Os clientes sorriem, orgulham-se e seguem fazendo compras.
Um pouco mais tarde, Lédio Carmona posta sua opinião sobre a vitória do piloto-cabelinho. E os comentários começam a resgatar antigas paixões e rivalidades do automobilismo brasileiro. Dois tricampeões. Senna e Piquet. A persona dominante de Ayrton era a do homem-marketing, bom filho, obcecado, espécie de ser híbrido homem-máquina, de barba sempre feita, um jeito meio Kaká de ser. A persona dominante de Nelson era a do homem-deboche, bad boy, desbocado, debochado, mulherengo, um jeito meio Romário de ser.
Veio Rubinho, persona confusa, mutante, frágil e vítima de uma tonelada de expectativas de um país inteiro, carente e órfão por causa da morte de Senna numa curva maldita. Amor e ódio. Barulho e silêncio. Triunfo e piada. Não foi campeão.
Lá atrás, não esqueçamos, houve Emerson, o pioneiro. Bicampeão. Persona diferente, produto de uma época de força dos jornais, de dificuldades e falta de patrocínio. Emerson tinha sorriso e nariz enormes. Tinha também uma força de vontade desesperada. Comeu o pão que o mecânico amassou, correu por duas categorias ao mesmo tempo, dividiu porão de fábrica com o cheiro da graxa, viveu uma categoria mais romântica, que deixava pilotos deitarem no meio dos boxes e curtirem a vida mais do que a morte. A persona dominante de Emerson era ao do jovem do kart, das tardes paulistanas regadas a benzina, do ídolo simpático, do aceno em vez do soco raivoso no ar.
E Felipe Massa? Um pouco de cada? Ou uma persona ainda em gestação. Ficou claro que as duas decepções iniciais transformaram o badalado Massa em alguém contido e concentrado. Talvez ele mesmo percebeu que, apesar de não mostrar empáfia, era preciso ganhar nas pistas para poder confirmar as previsões dos chefões da F-1, da torcida brasileira e da imprensa especializada. Percebeu também que a concorrência e o talento de Schumacher foram pulverizados por três adversários dificílimos: o novato Luis Hamilton, cheio de pistolão, investimento e talento. O explosivo Alonso, corajoso, empolgado e talentoso. O gelado Kimi Raikkonen, eficiente, pontual e talentoso.
Felipe Massa não quer ser Rubinho. Aí faz cara de mau. Felipe Massa não quer ser Senna. Aí diz que era muito novo na época. Felipe Massa não quer ser Piquet. Aí usa macacão verde-amarelo e dá beijinho na câmera.
Felipe Massa ainda é muito novo e já está sendo obrigado a construir um prumo psicanalítico que sirva de pilastra para futuras conquistas. A vitória dele hoje só teve uma vírgula, uma pequena fritada de pneus no início da prova. De resto, foi perfeito, pois se falhasse em algum momento, dois buldogues da McLaren e mais um da Ferrari estavam à espreita, a menos de 20s. E ainda um pastor alemão intruso chamado Nick.
Felipe Massa ainda não tem adjetivos midiáticos, nem apelidos marqueteiros. Ainda precisa ganhar mais. Ou será que já é uma realidade? Um ídolo? Um renascimento dos domingos auriverdes, quando acordávamos cedo, não íamos ao Carrefour, ligávamos a televisão, vibrávamos com o hino no degrau maior do pódio e saíamos, para a praia, piscina, praça, ciclovia... curtindo o país do futebol. E dos grandes pilotos da F-1. Heróis subdesenvolvidos num mundo rico, pragmático e egoísta.
Qual a final que você deseja?
Esqueça sua paixão clubística, pensemos no futebol e tão somente nele. Os estaduais, que passaram a ser questionados depois do Consenso de Washington, estão chegando ao fim. Não o fim histórico. O fim cronológico. Esqueça também a maternidade onde nasceste. Opine sem censura sobre outros estados. É óbvio que não conseguirei listar aqui todos os estados da federação. Lembro também que Sport e Brasiliense já levantaram o troféu para casa.
Prepare o chutômetro, a bola de gude de cristal do Poli, deixe o rancor de lado, não responda com o coração, se isso for possível, e comece o fim de semana com muito amor no coração, livros fora da estante, filme europeu e cerveja brasileira.
RIOFlamengo x Botafogo ou Flamengo x Cabofriense?
SAMPASão Paulo x Santos, São Paulo x Bragantino, Santos x São Caetano ou São Caetano x Bragantino?
PARANÁAtlético x Coritiba, Atlético x Paraná, Coritiba x Paranavaí ou Paraná x Paranavaí?
MINASAtlético x Cruzeiro, Atlético x Tupi, Cruzeiro x Democrata ou Cruzeiro x Tupi?
GAÚCHOGrêmio x Juventude, Grêmio x Veranópolis, Caxias x Veranópolis ou Caxias x Juventude?
GOIÁSGoiás x Atlético, Goiás x Itumbiara, Vila Nova x Atlético ou Vila Nova x Itumbiara?
UEFA
Espanol x Osasuna, Espanol x Sevilla, Bremen x Sevilla ou Bremen x Osasuna?
LIGA
MU x Chelsea, MU x Liverpool, Milan x Chelsea ou Milan x Liverpool?
ONUEUA x Irã, EUA x Síria, EUA x Venezuela ou EUA x Cuba?
POR QUE NÃO LER?CAMPOS DE CARVALHO, CARTAS DE VIAGENS E OUTRAS CRÔNICAS. Livro curtinho, disponível perto das caixas das grandes livrarias. Campos de Carvalho é um ouro da literatura brasileira. A obra dele não é extensa, mas é genial. Uma espécie de Ionesco brasileiro, Kafka brasileiro, texto surreal, nonsense puro, mas cheio de reflexões e fugas.
RENATO GAÚCHO É BOM TÉCNICO?
Sabe aqueles amigos antigos de colégio, meio malucos, irresponsáveis, que ficavam em recuperação? Eis que você tromba com um deles na rua e o cara informa que é diretor do Citibank.
Renato Gaúcho ainda não é diretor do Citibank, mas teve que ralar um bocado para não parecer, à boca do túnel, o mesmo craque polêmico de Grêmio, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Roma e um terceiro continente à sua escolha. No começo não foi fácil. Disse que se o Fluminense caísse, ele desfilaria pelado por Ipanema. Caiu e não desfilou. Disse que assumiria o Madureira para ganhar experiência, mas não suportou as viagens ao subúrbio do Rio. Ficou no estaleiro.
Pensou na vida, continuou indo à praia ao Posto 9, parou de sair nas revistas de fofocas como conquistador e, no Vasco, mostrou um amadurecimento profissional interessante. Ainda peca por expor seus atletas durante as partidas, gesticulando demais e apontando quem está fazendo bobagem no jogo. Porém, sabe trabalhar com jovens promessas. Não traz na bagagem novidades táticas, mas isso pouquíssimos trazem no Brasil ou no mundo. Trocar um esquema 4-4-2 por um 3-5-2 qualquer aspirante faz.
Renato Gaúcho ainda não tem títulos como treinador. Cuca também e já é bastante respeitado. Há um ano, duvido que o nome de Renato seria ventilado para assumir o Corinthians. Hoje já se fala na pauta de fofocas que ele poderia assumir o time paulista. Nas mesas redondas, Renato é tratado como um treinador sério e algumas vezes elogiado por ter transformado o antigo amontoado do Vasco num time competitivo, apesar das limitações. Suportou uma barra pesada com o gol 1000 de Romário. Foi desautorizado pela presidência do clube e ainda sofreu uma apunhalada do Baixinho no jogo contra a Cabofriense, que sugeriu a rua para os insatisfeitos.
Foi demitido ontem à noite depois de 21 meses de São Januário, 57 vitórias, 37 empates e 31 derrotas. Não é uma campanha inesquecível, mas conseguiu levar o time a uma final da Copa do Brasil, a várias semifinais do Carioca e se não fosse um gol perdido por Leandro Amaral no último minuto do último jogo do último Brasileiro, o Vasco estaria tentando o bi na Libertadores.
E ficam as perguntas:
Renato Gaúcho é um bom técnico?
Você contrataria Renato Gaúcho?
Foi bom para Renato sair do Vasco?UM BREVE CURRÍCULO DE RICHARD GERE
Nome: Renato Portaluppi
Nascimento: 09/09/1962
Local: Guaporé (RS)
Clubes como jogador: 1981 a 1986 - Grêmio-RS
1987 a 1988 - Flamengo-RJ
1988 a 1989 - Roma-ITA
1989 a 1990 - Flamengo-RJ
1991 a 1992 - Botafogo-RJ
1992 a 1993 - Cruzeiro-MG
1993 - Flamengo-RJ
1994 - Atlético-MG
1995 a 1997 - Fluminense-RJ
1998 - Flamengo-RJ
1999 - Bangu-RJ
Títulos como jogador: 1983 - Taça Libertadores da América - Grêmio
1983 - Mundial Interclubes - Grêmio
1985 - Campeonato Gaúcho - Grêmio
1986 - Campeonato Gaúcho - Grêmio
1987 - Copa União - Flamengo
1989 - Copa América - Seleção Brasileira
1992 - Campeonato Mineiro - Cruzeiro
1992 - Supercopa da Libertadores - Cruzeiro
1992 - Copa da Amizade - Brasil
1995 - Campeonato Carioca - Fluminense
Clubes como técnico: 1996 - Fluminense-RJ
2002 a 2003 - Fluminense-RJ
2003 - Madureira-RJ
2005 - Vasco
Fonte: NETVASCOPOR QUE NÃO LER?UMA BREVE HISTÓRIA DA ECONOMIA, de Paul Strathern. Linguagem fácil, espécie de “Era dos Extremos” da história da Economia desde Adam Smith, ajuda a elucidar e entender os desdobramentos e as razões do mundo estar assim... tão globalizado, tão volátil, tão neoliberal.
A MAIOR MACUMBA DO SÉCULO XXI
Tudo bem, os macumbeiros iranianos andaram fazendo trabalhos fortíssimos para desestabilizar a hegemonia do ocidente. Os macumbeiros venezuelanos foram para Buenos Aires espetar bonequinho do Bush. Os macumbeiros deputados nem precisaram matar galinha para oficializarem o desrespeito com o próprio ofício. Os macumbeiros chineses continuam botando pratinho de arroz nas esquinas de Pequim, torcendo para a bolha imobiliária americana não estourar, os juros do Fed não subirem e o mercado mundial não entrar em recessão, afinal, são quase 1 bi de exportação.
Mas nada supera a macumba dos goleiros. Reunidos numa hipotética convenção espiritual, mundo afora, eles acendem velas diariamente, em suas mansões e malocas, mandando energias negativas para Romário. Durante duas décadas, os goleiros foram vítimas das travessuras do Baixinho. A cada gol, aquela cara de bobo, de vítima, de otário. Romário sempre foi muito bom em humilhar goleiros com toques desconcertantes, além do famoso biquinho. E a vingança acontece poderosa. A mídia querendo o milésimo gol, a torcida vascaína, outras torcidas, o Brasil todo...
Menos os goleiros!
Bruno, Juninho, Júlio César foram apenas representantes da reza forte universal. Pezinho direito de Bruno, travessão em Brasília, chutes para fora, chutes fraquinhos, eliminação, vexame, decepção, câimbras, família tensa, brigas internas, demissões iminentes... enfim, a famosa inhaca!
No clássico-tração, 4x4, Renato se viu entre a cruz de malta e a espada. Era claro que Romário, num jogo com dez para cada lado, corrido, enlouquecido e aberto, precisava ser substituído. Mas como? Ou Renato seria crucificado ou arrumaria um inimigo mortal ou outras conseqüências misteriosas. Pior, o 4x4 foi tão espetacular que conseguiu eclipsar a importância do gol mil. Ninguém no estádio estava muito a fim de parar tudo. O futebol deu uma lição daquelas. Um grande jogo pode ser maior do que qualquer coisa.
Macumbas à parte. Romário perdeu mais uma partida contra o tempo.
Treino secreto: bobagem ou estratégia?
Quantas vezes por ano grandes clubes fazem treinos secretos? Normalmente na véspera de um grande jogo, alguns treinadores ficam carrancudos, proíbem declarações e impedem qualquer filmagem. Desta vez, Botafogo e Vasco, às vésperas da semifinal, resolveram esconder o jogo. Na Copa do Mundo, então, é prática de pequenas e grandes seleções alimentar este mistério.
Será que dá certo? Renato Gaúcho não tem a mínima idéia como o time de Cuca vai jogar e vice-versa? Mesmo na Copa do Mundo, quando os grupos são sorteados, quase um ano antes, é um tal de coletar e gravar informações sobre os adversários que não está no gibi. Na fase seguinte, é possível avaliar os 3 jogos que o futuro rival fez na competição.
Sinceramente, não me lembro, e peço ajuda aos universitários, de algum jogo, recente ou não, onde um time entrou em campo de forma absolutamente diferente, com uma inovação tática absurda, fruto de um treino secreto. Pode, inclusive, ser arriscado tentar surpreender o adversário com base numa mudança testada 24 horas antes, em apenas uma horinha de treino.
Enfim. A pergunta está no ar. Claro que ajuda a montar um clima de tensão, atrair mais gente ao estádio, encher os jornais de especulações, fazer do futebol uma loteria esportiva, mas tecnicamente falando, dá certo?
POR QUE NÃO VER?300 - Além de ser baseada numa novela gráfica linad, de Frank Miller, traz inovações estéticas impressionantes. E os diálogos não deixam dúvida. É um filme pré-iluminista. "A humanidade se lembrará de nós como os homens que lutaram contra o fim do misticismo e da tirania", disse o barbudo Leonidas antes de falecer.