PÍLULAS E DRÁGEAS PERDIDAS E ACHADAS POR AÍ...
- Renato Gaúcho no Fluminense. Eric Faria adentra a redação e faz a profecia: “O gol 1000 pode ser em cima dele. Primeiro jogo do Vasco no Maracanã é contra o Fluminense pelo Campeonato Brasileiro.

- Big Brother é um troço que, mesmo sem ver, sabemos por osmose. Logo, sei que o Alemão ganhou 1 milhão. Mas dinheiro não traz felicidade. Ele foi ao Maracanã no Vasco x Botafogo do gol 1000. 2 x 0 Botafogo.

- Aí o Big Alemão foi ao Morumbi ver o seu São Paulo. 4 x 1 São Caetano.

- Aí o Big Alemão resolveu dar uma voltinha no avião da Red Bull, antes da Corrida Aérea. A equipe nem chegou à final.

- Abel Braga fora do Internacional menos de seis meses do título mundial. Será que foi ele que se contentou com o elenco? Será que foi ele que economizou dinheiro e não montou um time mais forte ainda?

- Kaká jogou demais hoje. Mas o Milan perdeu. Demite o Kaká?

- Zagueiro beija árbitro. Morumbi alagado. 11 gols no Bavi. Jogador chuta mochila de fotógrafo. E amanhã?
ALGUMAS LIÇÕES DA QUARTA-FEIRA
2 – O Botafogo pode ganhar outro apelido, além de Carrossel do Mourisco, por causa da grande movimentação de seus jogadores. Alfaiates Alvinegros. O ataque do time tem uma incrível e elogiável capacidade de ficar costurando na entrada da área, tocando para lá, para cá, fazendo bobinho com as defesas adversárias, à espreita de uma lacuna, um erro de marcação, que possibilite enfiada rápida de bola para um Dodô da vida fazer um golaço. Porém, os alas-laterais Joílson e Luciano Almeida avançam demais da conta, deixando buracos maiores que o do metrô de Pinheiros, em São Paulo. Como o time não joga no 3-5-2, a defesa fica desguarnecida e o elogiado meio-campo Túlio-Diguinho-Zé-Lúcio ou Túlio-Leandro-Zé-Lúcio não consegue ter poder de marcação suficiente para evitar contra-ataques letais. Agora, é impressionante como a brincadeira de que agora o Botafogo é o time da moda mexe tanto com os adversários, que chiam, reclamam, esperneiam, dizem que a imprensa é louca.... tanto com os próprios botafoguenses, visceralmente supersticiosos e tementes de qualquer favoritismo endógeno.
5 – Desde a estréia do Fluminense na temporada, Soares é reserva. E sempre que entra mostra uma disposição impressionante. Algumas vezes chegou a ser titular, mas voltou para o banco. Soares foi parceiro de Cícero no Figueirense-sensação do ano passado. Ambos fizeram uma penca de gols pelo time catarinense. Cícero vem jogado mal, não repete o que fez em 2006, alega estar escalado numa posição diferente. E ao mesmo tempo, não tem a referência Soares para repetir as jogadas de outrora. Soares é rápido, habilidoso e artilheiro. Mas não conseguiu seduzir PC Gusmão, Joel e até o Eutrópio. Será que Renato Gaúcho vai prestigiar Soares ou o ataque do Fluminense continuará apoiado na pouca movimentação de Alex Dias?
8 – Souza e Leandro não estão jogando tão bem quanto no ano passado. O São Paulo já não está sobrando tanto quanto no ano passado. Será que Muricy não precisa quebrar a cabeça com a consciência de que os adversários estão sabendo demais como jogar contra o tricolor do Morumbi. Time da moda do ano passado, o São Paulo teve muitos jogos televisionados para o Brasil inteiro, teve seus esquemas táticos escaneados por comentaristas e imprensa escrita, teve a escalação cantada de cor e salteado por qualquer torcedor. O São Paulo 2007 não é pior do que o de 2006. Faltam surpresas e novas propostas de jogos. Mas esta pequena queda de rendimento, sejamos honestos, pode ser pontual, já que os parâmetros são a primeira fase da Libertadores e um jogo louco contra o São Caetano.
10 – Estranho o Cruzeiro. Saindo prematuramente da Copa do Brasil, eliminado por um time da série B. O presidente Perrella credita o fracasso à inexperiência e juventude da equipe. Mas será que Ricardinho, Geovani, Fábio e Gladstone são tão imberbes assim? O time não sobrou como deveria no Campeonato Mineiro e agora chega à final contra o Atlético com o emocional instável. Talvez seja o clássico exemplo de dar tempo ao tempo, afinal Paulo Autuori é bom treinador e o elenco não é ruim. Mas também não é espetacular.
12 – A candidata à presidência da França, Ségolène Royal, aproveitou o momento de apresentação da tocha olímpica, na China, para levantar um assunto polêmico e que deixou os chineses bem chateados. A francesa admite, se vencer o pleito, boicotar os jogos olímpicos. Ela acha condenável a posição da diplomacia chinesa com relação à guerra civil no Sudão. O país investe no petróleo africano e não estaria fazendo nada para promover a paz. Não me surpreende. Um país em que o jogador Thuram, às vésperas da decisão de 98 contra o Brasil, estava mais preocupado em evitar a eleição do fascista Le Pen. E que o vascaíno Henry revela, sem pudor, que no Brasil a criança acha mais importante jogar bola do que estudar. A França é um país diferente. Saudavelmente diferente.
17 – Oito times sobraram na Copa do Brasil. Seis da série A, dois da B. Sem voltar à discussão dos times pequenos, as quartas-de-final já terão grandes jogos. Botafogo x Atlético Mineiro e Fluminense x Atlético Paranaense.
LIBERTADORES FAZ MAL?
Olhemos rapidamente, num vôo de helicóptero, o resultado dos times brasileiros no domingão estadual. A classificação para as oitavas-de-final da competição sul-americana parece ter mexido muito com o desempenho e a cabeça da malta nacional.
Claro que participar da Libertadores é uma honra, um prestígio e um objetivo de todos. Mas será que este fim-de-semana foi especialmente cruel para a turma que divide seus corações no início do ano entre Bolívar e governadores?
O
Santos, compreensivelmente, deixou vazar uma intenção de decidir logo o Paulistão para pensar no Caracas. Perdeu para o São Caetano e acabou viajando com muito mais dor de cabeça do que esperava. E o time do ABC aproveitou o pensamento geral de que o time santista era favorito para surpreender. Mas não levou o caneco. Luxa é Luxa. O problema é o desgaste da viagem e do jogo na Venezuela. Lembremos que o Caracas eliminou o River Plate.
O
Grêmio correu pacas na serra gaúcha e arrancou um empate desgastante contra o Juventude. Vai viajar menos, só que encara a pedreira são-paulina no Morumbi. Os jogadores pedem a volta da torcida, que andou meio preguiçosa, talvez esperando os jogos mata-mata. Já o time gaúcho, que deu uma desandada no Estadual e depois voltou a mostrar força, vai jogar quatro finais. Duas contra o Juventude e duas contra o
São Paulo. Mas este Grêmio é muito forte psicologicamente, me diz um gremista da redação, batizado do Outeiro da Glória.
O
Paraná perdeu do Paranavaí, fora de casa. E na quinta-feira, em casa, pelo menos, recebe os paraguaios do Libertad. O treinador Zetti deixou escapar que disputar os dois torneios é desgastante e muito difícil. Mas basta pensar no Atlético Paranaense e no Coritiba, que adorariam estar se desgastando assim. Principalmente a torcida.
E finalmente o
Flamengo. Com cabeça e passagem marcada para o Uruguai. É como tomar um chope no aeroporto de olho na chamada do embarque. Não dá para relaxar. O Botafogo se aproveitou, fez 2 x 0, mas a falta de maturidade do goleirão Julio Cesar ajudou ao bipolar Flamengo. Fez pênalti, foi expulso e obrigou o Flamengo a pensar, pelo menos durante 40 minutos, apenas no Campeonato Carioca. Conseguiu o empate e pouco depois já estava aceitando suco de laranja da comissária de bordo.
Conclusão? Nenhuma conclusão. Podem ser observações pontuais. Podemos ser levianos. O
Internacional, por exemplo, sucumbiu tanto numa quanto em outra competição. Mas é uma boa reflexão para a vida. Num mundo movido a Alt Tab e Windows, será impossível pensar em duas coisas ao mesmo tempo? A cada ano que passa, o ditado “uma coisa de cada vez” vai se transformando em relíquia retórica do século passado. Provavelmente, quem está lendo este blog agora também está fazendo uma outra penca de coisas. O importante é se preparar e não deixar o adversário planejar táticas buscando o cansaço e o pensamento disperso de um time com “coisa mais importante para pensar”.
O grande risco cruel é a frustração dupla.
POR QUE NÃO VER?É PROIBIDO PROIBIR, de Jorge Duran. Bom que o cinema brasileiro não esqueceu de cutucar um país que se acha pronto e com todas as mazelas resolvidas. Caio Blat está excelente no papel do estudante paulistano de Medicina no Rio. O filme é cru. Tão cru que quebra os dentes de muita gente.