Iminências, eminências, enfim... tudo é relativo.
Quarta-feira de Papa no Brasil. Sua Eminência chegou, falou, saudou a torcida católica e achou que as multidões eram só para ele. O dia era santo também para o futebol. A iminência da vitória, da derrota, a alegria ali, na esquina, e a tristeza ali, dobrando a esquina. Foram cinco jogos, mas três deles de especial emoção. Pois o destino poderia mudar a qualquer momento, bastava um pedaço de couro redondo e colorido beijar um emaranhado de teias sintéticas.
Bola na rede.
No Olímpico, o pula-pula gremista levou o tricolor a fazer 1 x 0. E a partir daí, tudo podia acontecer. Um jogo emocionante, disputado, mas longe de ser um jogão no sentido Aurélio de ser. Porém, quem precisa de jogão quando a iminência da tragédia ou do triunfo está à espreita, prestes a tocar a campainha. Nos 15 finais, gol de Diego Souza. Festa, correria, mas nada estava decidido. Tanto uma torcida quanto a outra, Brasil afora, roíam as unhas. Tensas. Bastou o sibilar final do homem de preto para que só um lado comemorasse. Foi quase, São Paulo. Foi, Grêmio.Perto dali, algumas centenas de quilômetros Brasil acima, o Fluminense conseguia uma vantagem inacreditável. O goleiro do Atlético Paranaense fora expulso ainda na primeira metade. Com mais um, a torcida tricolor viveu a iminência do gol da classificação, da redenção, da esperança. Mas ele não vinha. E a torcida do Furacão, antes apreensiva, começou a acreditar no fim do jogo, no empate eterno ou num gol fugaz. A iminência da classificação. Eis que nos 15 finais, a velha história do predestinado e do sortudo. Magrão e Renato Gaúcho. Um entrou. Foi o outro que colocou. Gol do Flu. E a iminência ainda teimosa, pois um gol paranaense provocaria os pênaltis. Até o último segundo, aflição mútua. E tome apito. Foi quase, Atlético. Foi, Flu.E no Maracanã, a maior das frustrações da rodada. Afinal, além de ter a maior torcida do Brasil, o Flamengo viu o estádio lotado, tremendo como o antigo Mangueirão, esperançoso e confiante. Veio um, veio outro e entra correndo a iminência em campo. Mais um golzinho para levar para os pênaltis. Benditos pênaltis, que há três dias reverteram o favoritismo do Botafogo e colocaram a faixa de campeão carioca no peito rubro-negro. Talvez a chuva tenha jogado contra, ou o entusiasmo excessivo em vez de organização tática e calma. Sejamos também justos com os uruguaios, que nos contra-ataques também tiveram a iminência de fazer um gol e acabar de vez com o sonho flamenguista. Mas Bruno estava lá, seguro, socando os chutões para frente e dando sorte de não ter nenhum adversário na sobra. Como nos bons tempos, quem esperou até o final reconheceu o esforço, bateu palmas para o próprio time e pensou com a cabeça, deixando o coração meio de lado. Ganhar a Libertadores era demais da conta para um time ainda em formação e correndo atrás de resultados expressivos. Mas foi um degrau importantíssimo. E como bem disse o lateral santista Cleber: “Não podemos condenar o Flamengo, o Defensor é um bom time, deu um trabalho danado para a gente na primeira fase e não está aí para brincadeira”.Quanto ao Náutico, fez três gols que foram anulados. Preciso vê-los. E o Figueirense agora entra na iminência de fazer uma final da Copa do Brasil, aguardando Atlético Mineiro e Botafogo. Do outro lado, o Brasiliense, time de série B, enfrentando o Fluminense. Não vou falar que futebol não tem mais bobo. Nem vou dizer que hoje em dia está tudo igual. Muito menos sair analisando a boa campanha candanga de um time que já foi finalista do torneio. Simplesmente o Fluminense tem a obrigação de passar para a final. Detalhe: vai ter apoio da torcida nos dois jogos, pois no Distrito Federal o que não faltam são tricolores.
OS OUTROS LADOS DAS MOEDAS

Eis o dilema. Em apenas cinco dias, o futebol nos mostra que as verdades absolutas têm pernas curtas. Ou talvez nem pernas tenham. Qualquer botafoguense do Brasil amanheceu na segunda-feira sentindo-se tungado da forma mais vil. E não era forte carga tributária, muito menos taxa de cartório ou valet parking abusivo. Também não era preço de pipoca e refrigerante no cinema, ingresso de teatro ou chinelo ordinário na Daslu. O alvinegro foi roubado no futebol. Dodô não estava impedido, poderia fazer o gol do título, foi expulso e os nervos do time implodiram antes da decisão por pênaltis. Os flamenguistas lavaram as mãos, lembraram de erros que favoreceram o Botafogo há algum tempo, no mesmo Campeonato Carioca e a vida seguiu.
Ontem, no mesmo Maracanã, com o mesmo time, o reverso da medalha. E bota reverso nisso. Faltando dois minutos para acabar, um pênalti claríssimo para o Atlético. Daqueles que nem precisar repeteco e tira-teima. Simon deixou seguir, talvez torcendo para os mineiros marcarem o gol na seqüência, mas era dia de Julio César e o time carioca foi para a semifinal. Conclusão: ou o sistema é péssimo e realmente está na hora de mudá-lo, já que o charme do erro do juiz só é charmoso para quem foi beneficiado. Ou os juízes realmente são ruins de dar dó e convivamos com isso, torcendo para o nosso time ser tão bom, mas tão bom que mesmo sendo prejudicado continuará ganhando sempre. Um gol foi anulado? Faremos três! Ou então chega de discutir, já que existe um mistério esotérico das compensações. Você foi roubado? Relaxa, semana que vem você rouba.
Do outro lado da moedinha, o Flamengo. Na segunda-feira comemorou, tripudiou, festejou... mas sabendo no íntimo que o juiz deu uma bobeada feia na final. Sabendo também que ninguém garante que Dodô faria o gol e blá blá blá. Assim como ninguém garante que o Atlético Mineiro marcaria o pênalti não marcado. Mas o fato também é que pelo menos a chance haveria. Pois bem, o campeão carioca caiu no Maracanã quarta-feira ajudado por uma desastrosa atuação do juiz gringo. Que deixou os uruguaios catimbarem, inverteu faltas, blá blá blá... e ainda não marcou um pênalti claro no final. Um empurrão escandaloso dentro da área a favor do time brasileiro.
Enfim. Estamos perdidos. Todos. Nem favorecimento existe mais. Somos todos desfavorecidos.
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Enquanto isso, na Vila Belmiro.... Fica, Zé!!!!!!!!
Fala, Baggio!!!!
Pois é, nosso companheiro e amigo Roberto Baggio, gente boa, bacana, pureza, generoso e eterno craque italiano, lançou a página dele na Internet em fevereiro. Bacaninha, trilíngüe e com uma postagem recentíssima sobre o campeonato brasileiro. Reproduzo em italiano, espanhol e inglês. É um texto mais descritivo que opinativo, porém razoavelmente fiel à nossa realidade e com uma ou duas vaciladas. Quem se habilita achá-las? De repente, na opinião dos comentaristas, está irretocável ou quem sabe outros pontos fracos existem? A fonte foi www.robertobaggio.com na seção girodelmondo.
IN ITALIANO, MEZZO MUZZARELA MEZZO PEPPERONIComincia sabato con tre anticipi e domenica con le restanti sette partite, il campionato nazionale brasiliano, il Brasilerão, come viene chiamato utilizzando il suffisso comune “ão” per indicare l’importanza, la grandezza: letteralmente si tradurrebbe “Brasilione”, “Grande Brasile”. Anche in Brasile, come in Argentina, esiste molto equilibrio tra le squadre, anche se negli ultimi anni sono state le squadre di San Paolo e dell’estremo sud a contendersi il titolo. A San Paolo, la più grande metropoli del Sudamerica, ci sono tre squadre notissime: il Corinthians, il Palmeiras e il San Paolo. A queste si aggiunge l’ex squadra di Pelé, il Santos, che è il porto della grande città paulista. Nel Rio Grande do Sul, lo stato più meridionale del Paese, giocano Internacional (recente vincitore della Copa Libertadores) e Grêmio, che si disputano il “derby” della città di Porto Alegre, e la Juventude, che rappresenta la città di Caxias do Sul. Non c’è dubbio che le squadre più note siano di Rio de Janeiro: il Flamengo, il Fluminense, il Vasco de Gama e il Botafogo: compagini che hanno fatto la storia del futebol brasileiro. Sempre a sud, nello stato del Paraná, partecipano quest’anno alla serie A l’Atlético Paranaense e il Paraná, entrambe di Curitiba.
Nello stato di Minas Gerais, storicamente fondamentale per il Brasile, torna la sfida tra Cruzeiro e Atlético Mineiro, il classico della città di Belo Horizonte, capitale dello stato. In Goiania, vicino alla capitale del Paese, Brasilia, c’è il Goiás, squadra sempre competitiva. Numericamente importante, finalmente, la presenza delle squadre del Nordeste, la zona economicamente più povera del Brasile: il Náutico e lo Sport sono di Recife, nel Pernambuco, l’América è di Natal, nel Rio Grande do Norte, luogo che sta per essere “lanciato” turisticamente.
EN ESPAÑOL, PERO QUE SÍ PERO QUE NO...Comienza el sábado, con tres partidos adelantados, y prosigue el domingo con los otros siete partidos, el campeonato nacional brasileño, el “Brasilerão”, como se lo denomina, utilizando el sufijo común “ão” para indicar la importancia, la magnitud: literalmente se traduciría “Brasilazo”, “Gran Brasil”. También en Brasil, al igual que en Argentina, existe mucho equilibrio entre los equipos, si bien en los últimos años fueron los equipos de São Paulo y del extremo sur los que se contendieron el título. En São Paulo, la metrópolis más grande de Sudamérica hay tres equipos famosísimos: Corinthians, Palmeiras y São Paulo. A estos se añade el ex equipo de Pelé, el Santos, que es el puerto de la gran ciudad paulista. En Rio Grande do Sul, el estado más al sur del país, juegan Internacional (reciente ganador de la Copa Libertadores) y Grêmio, que se disputan el “clásico” de la ciudad de Porto Alegre, y Juventude, que representa la ciudad de Caxias do Sul. No hay dudas de que los equipos más famosos son de Río de Janeiro: Flamengo, Fluminense, Vasco de Gama y Botafogo: equipos que escribieron la historia del fútbol brasileño. También en el sur, en el estado de Paraná, participan este año en la serie A, Atlético Paranaense y Paraná, ambos de Curitiba.
En el estado de Minas Gerais, históricamente fundamental para Brasil, retorna el desafío entre Cruzeiro y Atlético Mineiro, el clásico de la ciudad de Belo Horizonte, capital del estado. En Goiania, está el Goiás, equipo muy competitivo. También es importante, por la cantidad, la presencia de los equipos del Noreste, la zona económicamente más pobre de Brasil: Náutico y Sport son de Recife, en Pernambuco, América es de Natal, en Rio Grande do Norte, un lugar que está por ser explotado turísticamente.
IN ENGLISH, THE BOOK IS ON THE TABLE BUT I WON´T BE ABLEThe Brazilian championship, the Brasilerão as it is called, using the common suffix “ão” to indicate its importance, its weightiness – literally this could be translated “Big or Great Brazil” – will start on Saturday with three early matches, while the remaining seven games will be played on the Sunday. As in Argentina, in Brazil, all the teams are more or less on the same footing, even though, in recent years, the São Paulo and far-south teams have always battled it out for the title. At Sao Paulo, the largest city in South America, there are three well-known squads: Corinthians, Palmeiras and São Paulo. To these must be added Pelé’s old team, Santos, which is the port of São Paulo. In the Rio Grande do Sul, the country’s southernmost state, are Internacional (recent winner of the Copa Libertadores) and Grêmio, which competed in the local derby of the city of Porto Alegre, and Juventude, which represents the town of Caxias do Sul. The best known teams of course are those of Rio de Janeiro: Flamengo, Fluminense, Vasco de Gama and Botafogo: teams that have made the history of Brazilian football. Always in the south, in the state of Paraná, taking part this year in the A league are Atlético Paranaense and Paraná, both from Curitiba.
In the state of Minas Gerais, historically fundamental for Brazil, we have the big match between Cruzeiro and Atlético Mineiro, the classic of Belo Horizonte, the state capital. At Goiania, there is Goiás, a team that is always competitive. Finally, of numeric importance are the teams of the Nordeste, Brazil’s poorest area: Náutico and Sport are from Recife, in Pernambuco, América is from Natal, in the Rio Grande do Norte, a place about to be “launched” on the tourist market.
A PRIMEIRA CURVA DE UM HOMEM
Chuto ou não chuto?
Chuto!
Gol do título.Voleio ou não voleio?
Voleio!
Medalha de ouro.Beijo ou não beijo?
Beijo!
Casamento.Compro ou não compro?
Compro!
Royal Street Flush.Tiro o pé ou não tiro?
Não tiro!
Vitória no GP da Catalunha.Não foi fácil tomar a decisão. Fosse eu dentro daquela Ferrari, berraria um
“AQUI NÃO ESPANHOL!!!” e tentaria fazer a mesma manobra brilhante de Felipe Massa. Não tirou o pé, deixou escorregar, beijou a lataria da McLaren alheia e foi embora vencer pela quarta vez na vida.
Ainda é cedo, diria Renato Russo.
Mas também já é tarde para economizar elogios. Massa foi capa, há anos, da Auto Sprint, saudado, ô mania, como o novo Senna. Lutou, capengou, andou na Sauber, foi encostado, virou piloto de provas, soube ser coadjuvante de Schumacher e começou a temporada nos braços das harpias, que adoram creditar favoritismo aos que atrapalham seus planos.
A primeira curva hoje mostrou muita coisa. Massa continua buscando o próprio caminho e na entrevista oficial, em português, foi humilde e claro: “Continuem torcendo que eu continuo aqui, trabalhando e treinando diariamente para melhorar”.
As manhãs de domingo estão voltando a ser como antes. Tantas outras coisas podiam pegar carona nesta nostalgia moderna. Porque o mundo anda muito estranho ultimamente. Certamente é o aquecimento global. É isso. O mundo anda muito esquentadinho ultimamente.