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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Esporte Espetacular e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
(O Caçador de Barangas, em 2000,
A Primeira Guerra Mundial e a Imprensa Brasileira, em 2003, e Eu, Deus, em 2006) e acha que futebol é cultura. globoesporte.com



OS DEZ MANDAMENTOS – PARTE 1


Nobres,
Semana cheia de assuntos. E de trabalho, claro. Daí que baixou Moisés no Garamblog para refletirmos e pensarmos sobre a pauta esportiva. Não se trata de um convite para mandarmos o artilheiro pereba ou o goleiro frangueiro para aquele lugar. Os 10 mandamentos estão aí pelo simples fato de remeter a 10 pensamentos, 10 perguntas, camisa 10 etc e tal.

Vamos a eles?

1 – O Grêmio vai calar o Boca?

2 – Hamilton é o novo campeão mundial?

3 – O êxodo de goleiros para o exterior deixou o futebol brasileiro cheio de goleiros-bebê. Meu pai sempre dizia que goleiro bão tinha que ter mais de 28 anos. Pois a função exige muito mais experiência e maturidade do que tesão e energia.

4 – O machismo impera em todas as áreas. As revistas masculinas mostram a carne feminina sem pudor. Mas as mulheres continuam sem uma versão para elas deste tipo de publicação. Ora, ora, Simon peladão daria uma bela capa. E o Heber Roberto Lopes fazendo poses num sofá. Que loucura. Paulo César de Oliveira dentro de um casaco de peles...

5 – Dunga enganou todo mundo. O que ele queria era dar coletivo com Robinho. O resto até agora foi Educação Física.

6 – Troféu Brasil de Atletismo, domingo no Ibirapuera, é programão para paulistanos e para brasileiros na frente da TV. Aperitivo real e verdadeiro para o Pan.

7 – Será o Benedito que o Flamengo vai de novo ficar no cai não cai? Melhor não chamar Sávio novamente. Segundona ele não topa.

8 – Cadê as vaias para o Muricy? Só uma visão rasteira pode querer que ele saia do São Paulo. Trabalho a longo prazo no Brasil é palavrão.

9 – A Segunda Divisão está demorando a pegar.

10 – Ainda é muito cedo para se falar em favoritos no Brasileirão. Imprima a tabela hoje e confira a última rodada.
Escrito em 19/06/2007 |Comentários: »
PEQUENÍSSIMO TRATADO IMEDIATO SOBRE TOLERÂNCIA E INTOLERÂNCIA



INTOLERÂNCIA – Parabéns para o Boca, parabéns para o Riquelme, parabéns para quem torceu para o Grêmio, parabéns para o Ari Peixoto, da Globo, que fez uma matéria ótima para o Globo Esporte de Quinta-Feira, parabéns para o Milan que vai ter um adversário carne de pescoço no Japão... agora o Palermo....

O Palermo não dá. E não é por causa do pênalti perdido, aliás dos inúmeros pênaltis perdidos que tem na carreira. É uma injustiça atroz vê-lo carregando o troféu de melhor das Américas. Como é grosso, Deus meu! Na Bombonera, no gol impedido de Palácios, ele tentou chutar com a canhota cega e acabou dando sorte, no Olímpico não jogou nada. Não à toa basta mudar uma vogal. Palermo é munição para os que acham que o futebol se tornou um esporte de grandalhões botinudos.

TOLERÂNCIA – Um vascaíno freqüentador do blog, educado e que não conheço pessoalmente, fez um pedido. Rodrigo Melo é um dos fundadores de uma torcida civilizada, que ao contrário de algumas organizadas, não quer confusão, nem violência e tem como meta apenas apoiar o time nos estádios, na vitória ou na derrota. Aliás, é um movimento que se alastra em outros clubes e vale ficar de olho. Enfim, um colega de arquibancada de Rodrigo vai precisar de uma transfusão. E ele pede ajuda. Já pensou que coisa bacana um rubro-negro doar sangue para salvar a vida de um vascaíno?

Reproduzo abaixo o pedido de Rodrigo:


"Um grande amigo nosso da Guerreiros do Almirante irá fazer uma transplante de fígado no hospital do fundão. Precisamos de 30 doadores de sangue para realizar a cirurgia que tem previsão para os proximos 30 dias.

Ele possui uma doença chamada colangite esclerosante primaria. Estando na fila do transplante há 5 anos.
Iremos convocar todos os amigos vascaínos para ajudá-lo, fazendo uma campanha de doação de sangue.

Quem quiser participar da campanha e ajudar o nosso irmão, o procedimento é o seguinte : JOÃO FRANCISCO MORAIS DOS SANTOS, paciente para transplante hepatico prontuario numero 038582, dirigindo-se a portaria do ambulatorio do fundão, ir ao terceiro andar de segunda a sexta feira de 7;30 as 13:30.”



POR QUE NÃO VER?

CÃO SEM DONO, de Beto Brant. Passado em Porto Alegre, belo recorte de um pedaço sarjeta da nossa geração. Estética diferente, excelentes atores, apesar de um errinho bobo de continuidade. Quem quiser ver tente descobrir.






Escrito em 21/06/2007 |Comentários: »
In Botafogo we trust?




Há anos a cédula do dólar traz a frase “In God we trust”. Traduzindo, mal e porcamente, “Em Deus acreditamos”. Pode ser, porque acreditar no homem ultimamente está difícil. Dirigindo pelas grandes cidades, me pergunto se não seria uma grande idéia tirar a buzina dos carros. Como fizeram com os ônibus. Dá-me a impressão, por vezes, que existe um fio imaginário entre sinal, farol, sinaleira, semáforo e o pé do infeliz do motorista impaciente. Mal fica verde, toca-se uma buzina enlouquecida. Seja em frente de hospital, numa pequena rua ou na grande avenida. Se você dirige, tente passar três dias sem buzinar, faz um bem....

E no Botafogo, devemos acreditar? O Botafogo é do Rio, logo carrega uma pecha recente do fracassado futebol carioca. A qualquer luz e sinal de que algum time da antiga capital, surgem o descaso e a desconfiança. “Isso é cavalo paraguaio, isso não vai a lugar algum, daqui a pouco o São Paulo atropela todo mundo”. Por mais que o time alvinegro esteja praticando um futebol bonito de se ver, apesar de ainda frágil defensivamente, não há torcedor brasileiro, inclusive os botafoguenses, que olhe para a tabela meio de esguio, duvidando muito que o time de Cuca continue liderando o campeonato até o fim.

Por que será?

Terá o Rio sofrido uma praga daquelas por ter sido o epicentro do futebol nos anos 60,70,80? Muitos comentários do blog sempre se referem ao calcio carioca como algo decadente e com os dias contados. E o tom é sempre de deboche. Será que na nossa vida temos este hábito? Quantos amigos que foram brilhantes e tiveram fases terríveis não tiveram uma segunda chance? A nossa lembrança parece sempre ser a mais recente. E a crueldade de nossas almas rotula os que fracassaram recentemente como eternos fracassos e jamais como ressuscitados. E não são só os times do Rio que padecem deste mal. O Paraná é o vice-líder, tem o artilheiro do certame ( certame é das antigas...) e mesmo assim ninguém diz entre um chope e outro que o tricolor de Curitiba pode ser campeão nacional em dezembro.

Cambada de caretas somos nós. Que aprendemos a cartilha e repetimos sem questioná-la. Escolhemos nossos favoritos, antes da primeira rodada, e nos recusamos a repensar as previsões então racionais de abril.

Encontrei numa rodinha de samba de Laranjeiras, que acontece depois de uma feira-livre, um grande amigo da faculdade. Apelido: Zelig. Antes um anarquista, hoje passeando com o cachorro e curtindo música clássica e teatro. Não que uma coisa invalide a outra. Mas ele sossegou o facho, para azar do mundo. Enfim, disse-me Zelig que quer ser um dos torcedores a desvirginar o Engenhão sábado que vem. Ele é tricolor e não vê a hora de pegar o trem para ver a inauguração do novo estádio. Só que baixinho, bem ao pé da minha orelha, confessou: “Mas que eles têm muito mais time, ah isso tem...”

Sete rodadas jogadas, uma a menos para Corinthias e Flamengo, o Botafogo abre uma boa frente e tem jogado bem dentro e fora de casa. O São Paulo deu uma respirada, o Fluminense ainda campeão em perder gols, mas pondo as manguinhas de fora, e o Goiás transformando-se de time em crise naquele Goiás que sempre faz bonito no Brasileirão. Se não formos reféns do nosso preconceito, diríamos que a Estrela Solitária nunca caminhou tão forte para o bi. Mas a caretice implacável invade minhas veias e força meus dedos a digitarem:

Ainda é cedo.


Escrito em 24/06/2007 |Comentários: »
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