DUNGA, O REVOLUCIONÁRIO





Depois de Zapata, Bolívar, Tiradentes... surge Dunga, o revolucionário. Que coragem. Enquanto a mesmice corrói o futebol, o capitão do tetra, destemido e sem medo, renova os conceitos e chacoalha os conceitos do torcedor. Só com muita audácia para escalar Josué, Mineiro, Gilberto Silva e Julio Baptista.
Na mesma semana em que o Esporte Espetacular vai catar os 11 de Telê, que fizeram o país chorar em 1982 na inesperada derrota para a Itália de Paolo Rossi, Dunga tem a audácia de superar até a Ferrari e escalar quatro volantes num time só. Quatro jogadores dedicados, que suam que é uma maravilha e... suam que é uma maravilha.
Hoje em dia, um guri qualquer acharia conto da carochinha a escalação da Seleção contra a Itália, em Barcelona, no desgraçado Parque Sarriá. Chulapa polêmico à parte, a meiúca verde-amarela tinha Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico. Inacreditável. Qualquer um seria camisa 10 de qualquer time contemporâneo.
Mas Dunga é corajoso, não teme ninguém, e além de convocar 6 volantes + Anderson e Diego, barra exatamente Anderson e Diego, os únicos com software de criatividade.
Quem teria este destemor? Nem Lazaroni seria capaz de reverter as expectativas desta forma. Talvez Dunga pense que se colocar quatro Dungas na Seleção tenhamos raça e poder de marcação suficientes para seguir adiante. Mas nem isso podemos pensar. Dunga só teve um.
Rabiscados estes cinco parágrafos, fica aqui a sugestão para que ninguém tenha gastrite e as tintas dos jornais sejam mais suaves com o time que representa o Brasil na Copa América. Não usem a camisa amarela nem a azul. Encomendem a Nike um uniforme diferente, com qualquer cor que não esteja presente na bandeira brasileira. Nada que lembre as seleções de outrora e a fama canarinho que ainda perdura mundo afora. Talvez camisa laranja, short vermelho e meia preta. Ou quem sabe camisa marrom, short violeta e meia rosa. Qualquer combinação, por mais esdrúxula que seja, não vai conseguir superar este meio-de-campo que não combina com nada.
"Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém é jamais demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde de espírito"Epicuro ( século III AC)