MOMENTO PIEGAS PORQUE NINGUÉM É DE FERRO, DIGO OURO
Quando lançei meu terceiro livro, "EU,DEUS" ( à venda nas melhores livrarias, Internet, quem já leu adorou...), fui convidado a ir para o programa Sem Censura, da TVE, que também é transmitido para vários estados do Brasil. Na mesma mesa, estava Diego Hipólito. Entre um intervalo e outro, dizia-me ele que treinava cerca de 8 horas por dia. Sem folga. Porque se ele folgasse, os adversários estariam treinando e se aperfeiçoando. O Pan é uma boa prova de que alguns esportes não são "talentodependentes".
Ronaldinho Gaúcho, virtuose da bola, costuma dizer que não gosta desta história de ser um eleito, pois garante que treinou para burro até atingir a excelência do drible, do passe e do chute. Ou seja, não é fácil ser atleta. Desde moleque, sonho subir as escadas do Maracanã vergando a camisa 10 do meu time. Mas aí me pergunto: tem que treinar todo dia? Aí passei a pensar na vida dramatúrgica, pois acho teatro espetacular. E volto a me perguntar: tem que ensaiar e encenar a mesma peça todo dia?
E dentro da mesma roda de reflexão, ouvi muita gente pessimista dizendo que o Pan não valia nada porque os Estados Unidos não mandariam os times principais. Imaginem se tivessem mandado. Já são mais de duas dezenas de ouros e mais de meia centena de medalhas no total. Não é fácil ganhar uma medalha pan-americana. Viram a surra no hóquei sobre grama? Cada esporte, cada modalidade tem seus bambambans imbatíveis. E que bom que o Brasil é indestrutível em algumas.
O Pan pegou. E é do Rio, do Brasil, das Américas, de todo mundo. E bem mais do que uma grande competição esportiva, mostra nas ruas ser um enorme encontro de todas as tribos. Turistas e cariocas estão curtindo no maior bom humor os acertos e erros da organização. E as lojinhas de souvenires vibram com o tilintar das máquinas registradoras. E os esportes mais distantes da realidade brasileira testemunham ótima presença de público. É festa. E quem não gosta de festa é vizinho dorminhoco.
E agora, José?
O que você faria se fosse presidente da CBV? Contrataria Josimar França, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, para uma palestra para a seleção feminina que durasse 13 horas? Só jogaria de azul a partir de agora? Faria uma renovação completa do elenco, dando força para as seleções de base? Seduziria todas as cubanas para se exilarem em Saquarema? Ou demitiria José Roberto Guimarães?
A culpa é dele? Azar é o dele? Depois de perder semifinal olímpica para a Rússia num jogo ganho, depois de ter pedido novamente para a Rússia no Mundial, todo o ônus da derrota deve ser creditado a ele? E se assim for decidido, é correto dispensá-lo no meio de um ciclo olímpico? Ou ninguém lembra dos triunfos, do Grand Prix?
Difícil responder num momento de decepção, tristeza e mágoa. Com torcida a favor, dois pontos a favor, tudo a favor, a seleção feminina perdeu o ouro para Cuba. Será que preferem ser chamadas eternamente de “meninas do Brasil”? Ou não era hora de virar mulher, adulta, madura e parar de ter medo de ganhar? Geração estranha, que nos cativa e nos machuca, não necessariamente nesta ordem. Quando a partida no Maracanãzinho encaminhou-se para o set desempate, anunciava-se a prata.
Lembrei de mim. Quando jogo tênis e tenho dois saques importantes para dar, começo a pensar “não posso errar, não posso errar...”, e erro. Hoje em dia, já evoluí, e ergo a bolinha no ar já falando “vou errar, vou errar...”, e erro.
Ou tudo isso acima deve ser deletado? E a hora é de elogiar a coragem e a frieza das cubanas, que dobraram o “já ganhou” brasileiro, fizeram ouvido de mercador para as vaias, salvaram pontos inacreditáveis no último set e premiaram a calma do treinador carequinha?
Com vocês as respostas.

Retrato de um judoca quando maduro
Tiago Camilo foi vencendo luta a luta. E em nenhuma delas vibrava. Amadurecido, ele avançava fase a fase pensando na final. A cada golpe vitorioso, nenhum músculo da face movido. Mentalidade de vencedor. Focada. Sem comemorar até a vitória final. Aí sim, abriu o bocão e gargalhou.
Eis aí um dos grandes desafios dos atletas brasileiros numa competição doméstica. Focar. Fugir dos flashes exagerados. Ou saber conviver com a expectativa do público e da mídia. Se no futebol, garotos viram ídolos em poucos meses, no Pan, atletas viram heróis em poucas horas. Antes mesmo de virarem heróis.
Ninguém é culpado. É a realidade de um mundo midiático e conectado. No canto de uma padaria ou no corredor de uma repartição, eles entram ao vivo antes mesmo de chegarem à final. Na Vila do Pan, impossível não viver o clima de albergue mundial. Gente diferente, olhares diferentes, brincadeiras, medalhas saindo, clima aumentando e até mesmo inocentes azarações.
Afinal, nada mais leviano do que a crítica da torcida. Quem somos nós para rotular um atleta de amarelão, uma equipe de covarde? Por acaso acompanhamos o dia-a-dia desta turma que não convive com os holofotes do futebol? Certamente não. E também não ficaríamos felizes se alguém palpitasse ou criticasse uma falha em nossos trabalhos cotidianos. O remo decepcionou. E uma das atletas desabafou: “treinamos tanto, nos preparamos tanto para este fiasco de resultado”. O atleta, quando perde algo que podia ter ganho, sofre consigo mesmo. Não precisa de chicotadas alheias.
Paguei e andei para o futebol eliminado

Aliás, não é de hoje que não dou pelota para o futebol em competições olímpicas ou pan-americanas. A Copa do Mundo é o maior evento esportivo do calendário. Tão fascinante é este hábito mundial de correr atrás da bola e chutá-la dentro de um retângulo. Mas também não é de hoje que o Brasil não consegue bons resultados. Culminando agora com a eliminação do Pan do Rio, no Maracanã cheio, para o Equador. Parece mais um casamento arranjado, de noivos que não se amam.
Há alguns anos que a CBF faz careta para o espírito olímpico. Talvez pelos fracassos freqüentes, descontando aí os anos em que os países comunistas levavam vantagem, ou por uma incompreensão da festa universal que empacota os jogos, já que a Seleção acaba sendo mais uma e não a estrela principal. Pouca gente andava comentando a campanha do futebol masculino no Pan. Um ou outro corintiano vibrava com o bom desempenho de Lulinha. Mas o Brasil todo estava mais preocupado com as goleadas e a alegria de Marta e suas amigas no futebol feminino.
Não à toa. Basta conversar com a torcida na Arena Olímpica, no Parque Aquático, Velódromo, RioCentro e quadra da praia. A relação com os atletas é totalmente diferente. O tal orgulho e amor à mãe pátria, tão cobrado da Seleção Brasileira pré-Copa América. O fastio com jogadores que trocam de clube como trocam de celular. O espanto com salários assustadoramente altos dos craques exportados para o futebol europeu. Tudo isso é potencializado ao ver um novo astro como Thiago Pereira pegando o microfone no último dia da natação para agradecer o povo presente e o povo na TV. Ou o diálogo honesto travado entre Diego Hipólito e a massa que vaiava os adversários. O ginasta deu bronca e foi respeitado.
É bom todos os jogadores de futebol ficarem de olho no Pan. E aprender com reações como a da judoca Danielle Zangrando, incrédula, chorando e vibrando no pódio. Ou com a fibra de Diogo Silva no Tae Kwon Do. Ainda é possível misturar romantismo com profissionalismo. Basta não pensar só em dinheiro. Pois os teóricos mais recentes do capitalismo defendem em livros o lucro máximo. Tudo bem, ele estão no papel deles. Entretanto, que tal trocar lucro máximo por lucro ético, que seria um lucro suficiente para felicidade e ambição de todos, sem devastar antigas relações de trabalho e históricas conquistas sociais.
NO MOMENTO, NÃO POSSO ATENDER, FAVOR DEIXAR O SEU RECADO LOGO DEPOIS DO BIP
Botafogo – Alô, só para lembrar que fui o único a não perder e nem empatar em casa. Cinco jogos e só dois gols sofridos.
São Paulo – Oba, mexendo meus arquivos, descobri que de 2003 para cá fui o time que mais pontuou. Foram 318 pontos em 185 jogos. Logo, ajeita o retrovisor, líder, estamos chegando.
Paraná – Mais uma vez temos o artilheiro. Mais uma vez estamos dando trabalho. E a dupla Atletiba anda penando. Na A e na B.
Grêmio – Não te micha com o saldo de gols negativo. A palavra mágica é equilíbrio. E lá estamos nós novamente na zona da Libertadores.
Vasco – Disseram que eu não viria, olha eu aí. Com o melhor gringo do campeonato. Dá-lhe, Conca. Não temos artilheiro, mas temos conjunto.
Goiás – Adorei a vice-liderança, mas comecei a despencar. E estou na turma do jogo a mais. Logo agora que o sérvio foi embora.
Fluminense – Carlos Alberto foi embora. Não perdemos mais. E a timidez em campo de Thiago Neves também foi embora. Continuamos correndo.
Palmeiras – Minha campanha é irregular, mas bastam paciência e dias tranqüilos para o time se encontrar e voltar para a parte de cima da tabela.
Cruzeiro – Fui a um psicólogo. Perder quatro vezes no Mineirão está me tirando dos nervos. E ainda levar o gol da rodada do são-paulino pedalador.
Sport – Continuo morrendo de rir dos que disseram que voltamos à série A com um único objetivo: não voltar para a série B.
Santos – Luxemburgo tenta tenta, mas o time está demorando a acertar. Ano passado, fazíamos poucos gols, mas levávamos menos ainda. Este ano...
Internacional – Sou campeão do mundo, não amola.
Figueirense – Ainda não me recuperei da perda da Copa do Brasil em casa. Estou sentando na sala de espera do mesmo psicólogo do Cruzeiro.
Atlético PR – Perco e ganho, perco e ganho, o problema é que a Arena da Baixada não está metendo mais medo em ninguém. Estamos reunidos.
Atlético MG – Muita calma nesta hora. Apesar de próximos, não corremos risco de rebaixamento. Nada de pânico, por favor.
Juventude – Torcida insatisfeita VG, time com problemas PT. Nem o frio está ajudando PT. Sorte que tem gente pior abaixo de nós PT.
Corinthians – Saí para comprar reforços na Inglaterra há seis meses. Mas sabe como é... crise aérea... e ainda não deu para voltar.
América – Saímos da CTI, mas situação ainda é calamitosa. Desaprendemos a ganhar em casa. Ganhamos mais fora do que dentro. Medo.
Náutico – Estávamos tão bem na Segundona, e percebemos agora que não nos preparamos corretamente. Aflitos é uma festa para os visitantes. Nossa defesa também.
Flamengo – Dá para ligar mais tarde?