O PARENTE BÊBADO
Todos temos um parente bêbado. Próximo ou distante, não deu certo na vida e as tias acusam o álcool como o grande vilão. Temos também um parente ruim da cabeça. E o fracasso dele sempre é explicado, justificado, desculpado... porque é ruim dos nervos. É balela milenar.
Por isso é difícil dar trela a esta história da Copa 2006 alardeada por Ricardo Teixeira de que sobraram farra e álcool em Weggis e Konigstein. O Brasil não ganhou a Copa porque não soube jogar da forma diferente que vinha jogando. Porque foi bem marcado. Porque outras seleções estavam mais afinadas taticamente. Porque houve escalações e convocações ruins.
As fugas suecas atrás das suecas em 1958 hoje são folclore e orgulho de Garrincha e seus bluecaps. E não vale falar só de Seleção. O Corinthians vitorioso de Sócrates também tinha suas escapulidas on the rocks. Outros grandes times, no Brasil e no mundo, guardam em seus arquivos farras homéricas, contadas em meio a risos e nostalgia.
Treino na Alemanha tinha todo dia. Dava tempo pacas para desintoxicar e pensar no adversário. Se não foi feito isso, a culpa não é da saída noturna. Esse retorno ao militarismo moral não faz sentido. O mundo caminha para a responsabilidade social e individual. Cada um sabendo o que pode fazer e como esta ação rebate no próximo ou no grupo.
Na televisão, profissionais tarimbadíssimos muitas vezes trabalham até às 4h da manhã preparando o programa que vai ao ar às 8h. Vão para casa acabados, extenuados, mas despertam ao som metálico de um relógio qualquer, voltam para o trabalho e colocam o programa no ar. Chama-se profissionalismo. Chama-se superação. Em qualquer área é assim.
Fica fácil demais, também em todas as áreas, desculpar os fracassos culpando terceiros ou seres inanimados, como um copo de cerveja. Que aliás, quanto mais gelado, mais animado fica.
O GOL CONTRA DUPLOFutebol é bom demais por vários motivos. Aliás, milhões de motivos que jamais caberiam num post de um blog do Terceiro Mundo, mesmo com o espaço infinito da Internet.
Entretanto, todavia, porém, uma coisa é fascinante no balípodo centenário. Por mais que se disputem clássicos antológicos, peladas horrorosas, partidinhas, jogões etc e tal... sempre haverá espaço para um lance inédito. Digno do papo no bar, da gargalhada geral ou do aplauso desenfreado.
A última aconteceu em Natal. Na casa do América. No jogo contra o Náutico. Em mais uma lavada levada pelo time potiguar. Cinco a um para o Timbu Coroado.
Mas o primeiro gol... O primeiro gol... Cruzamento para a área, Rogélio sobe, Carlos Eduardo também... os dois trombam no ar e cabeceiam contra a própria meta. Gol contra. Gol contra duplo. Pior, na seqüência, Radamés bate a falta e Adãozinho também faz contra! Desesperado e envergonhado, o trio tentou se redimir. Carlos Eduardo ainda conseguiu fazer o golzinho do América, numa batida de falta de Adãozinho. Mas o que entrou para a história do time rubro foi o gol contra duplo.

Futebol é bom demais. Vistoso e curioso. Engraçado e divertido. Menos para Rogélio, Carlos Eduardo e Adãozinho, claro. Neste sábado que passou, eles não acharam graça de nada.