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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Esporte Espetacular e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
(O Caçador de Barangas, em 2000,
A Primeira Guerra Mundial e a Imprensa Brasileira, em 2003, e Eu, Deus, em 2006) e acha que futebol é cultura. globoesporte.com
O PARENTE BÊBADO


Todos temos um parente bêbado. Próximo ou distante, não deu certo na vida e as tias acusam o álcool como o grande vilão. Temos também um parente ruim da cabeça. E o fracasso dele sempre é explicado, justificado, desculpado... porque é ruim dos nervos. É balela milenar.

Por isso é difícil dar trela a esta história da Copa 2006 alardeada por Ricardo Teixeira de que sobraram farra e álcool em Weggis e Konigstein. O Brasil não ganhou a Copa porque não soube jogar da forma diferente que vinha jogando. Porque foi bem marcado. Porque outras seleções estavam mais afinadas taticamente. Porque houve escalações e convocações ruins.

As fugas suecas atrás das suecas em 1958 hoje são folclore e orgulho de Garrincha e seus bluecaps. E não vale falar só de Seleção. O Corinthians vitorioso de Sócrates também tinha suas escapulidas on the rocks. Outros grandes times, no Brasil e no mundo, guardam em seus arquivos farras homéricas, contadas em meio a risos e nostalgia.

Treino na Alemanha tinha todo dia. Dava tempo pacas para desintoxicar e pensar no adversário. Se não foi feito isso, a culpa não é da saída noturna. Esse retorno ao militarismo moral não faz sentido. O mundo caminha para a responsabilidade social e individual. Cada um sabendo o que pode fazer e como esta ação rebate no próximo ou no grupo.

Na televisão, profissionais tarimbadíssimos muitas vezes trabalham até às 4h da manhã preparando o programa que vai ao ar às 8h. Vão para casa acabados, extenuados, mas despertam ao som metálico de um relógio qualquer, voltam para o trabalho e colocam o programa no ar. Chama-se profissionalismo. Chama-se superação. Em qualquer área é assim.

Fica fácil demais, também em todas as áreas, desculpar os fracassos culpando terceiros ou seres inanimados, como um copo de cerveja. Que aliás, quanto mais gelado, mais animado fica.
Escrito em 02/08/2007 |Comentários: »


O GOL CONTRA DUPLO


Futebol é bom demais por vários motivos. Aliás, milhões de motivos que jamais caberiam num post de um blog do Terceiro Mundo, mesmo com o espaço infinito da Internet.

Entretanto, todavia, porém, uma coisa é fascinante no balípodo centenário. Por mais que se disputem clássicos antológicos, peladas horrorosas, partidinhas, jogões etc e tal... sempre haverá espaço para um lance inédito. Digno do papo no bar, da gargalhada geral ou do aplauso desenfreado.

A última aconteceu em Natal. Na casa do América. No jogo contra o Náutico. Em mais uma lavada levada pelo time potiguar. Cinco a um para o Timbu Coroado.

Mas o primeiro gol... O primeiro gol... Cruzamento para a área, Rogélio sobe, Carlos Eduardo também... os dois trombam no ar e cabeceiam contra a própria meta. Gol contra. Gol contra duplo. Pior, na seqüência, Radamés bate a falta e Adãozinho também faz contra! Desesperado e envergonhado, o trio tentou se redimir. Carlos Eduardo ainda conseguiu fazer o golzinho do América, numa batida de falta de Adãozinho. Mas o que entrou para a história do time rubro foi o gol contra duplo.


Futebol é bom demais. Vistoso e curioso. Engraçado e divertido. Menos para Rogélio, Carlos Eduardo e Adãozinho, claro. Neste sábado que passou, eles não acharam graça de nada.
Escrito em 04/08/2007 |Comentários: »
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