Canção do ExílioMinha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o SabiáGonçalves DiasO Bêbado e o EquilibristaCaía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens lá no mata borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco
Louco, o bêbado com chapéu coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora a nossa pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarices
No solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuarJoão Bosco
O palmeirense que trabalha na Vejinha Rio. O gaúcho que fecha o Globo Esporte no Jardim Botânico. O cruzeirense que cobre o acidente da Tam em São Paulo. O alvirrubro pernambucano que faz reportagens na cidade maravilhosa. O vascaíno que edita no Globo Esporte de São Paulo. O colorado que trabalhava na Claro paulistana. O gremista que é fazendeiro em Mato Grosso. O atleticano representante de vendas em Natal.
São exilados. Gente que nasceu e cresceu aprendendo a amar o time do pai, do tio, do melhor amigo, da própria cidade. Gente que, por causa de uma paixão, um estudo, um trabalho, foi raptado da rotina de torcer em casa para o time que adora. Gente estranha. Com rituais estranhos.
Colorados e gremistas que não moram no Sul raramente têm o prazer de folhear a Zero Hora, ao lado do sol que nasce, e ir direto no noticiário de Grêmio e Inter. Paulistanos a léguas de distância do Vale do Anhangabaú catam desesperados pequenos parágrafos sobre Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos nos principais jornais onde moram.
O enfraquecimento dos Estaduais e o fortalecimento do Brasileirão diminui um pouco esta rodriguiana dor de corno. Hoje, se o seu time ganha do Atlético Mineiro, por exemplo, basta uma zapeada seletiva na agenda telefônica do celular para achar algum conhecido torcedor do Galo morando na mesma cidade. É ligar e zoar.
Porém, o reverso da medalha acontece de forma mais sutil. Se o seu time perde, todos os seus amigos que não são conterrâneos resolvem ligar para amolar a tua paciência. É uma brincadeira mais leve, light como uma Coca-Cola, sem o rancor histórico de rivalidades locais.
O torcedor exilado é errante, apesar da Internet. De uma hora para outra, é obrigado a freqüentar as arquibancadas destinada aos visitantes. Evita colocar camisa para ir ao estádio porque o marido, ou a mulher, pedem cautela. Em compensação, domingão de manhã adora passear na praia ou no parque trajando o pavilhão do coração, de preferência com estas camisas “vintage” que estão na moda.
Sabe exatamente onde estão outros exilados e quando descobre um abraça como se fora antigo conhecido, independentemente da discordância no campo ideológico.
Lembro-me agora de carioca jornalista que trabalha na Globo de São Paulo. Uma vez me chamou extasiado. Havia contabilizado 19 rubro-negros trabalhando na mesma empresa.
Coisas de exilado.
OS REIS DOS PONTOS CORRIDOSLeia, avalie e discuta. Eis a pontuação geral do Brasileirão desde 2003.
São Paulo – 333 pontos em 190 jogos
Santos – 326 pontos em 190 jogos
Internacional – 308 em 190
Cruzeiro – 298 em 189
Goiás – 295 em 190
Corinthians – 285 em 189
Atlético PR – 278 em 190
Paraná – 263 em 190
Figueirense – 261 em 190
Vasco – 253 em 189
Fluminense – Idem
Flamengo – 239 pontos em 186 jogos
Juventude – 238 em 189
Palmeiras – 220 em 144 ( por causa da série B)
São Caetano – 212 em 172
Ponte Preta – 205 em 172
Atlético MG – 197 em 152 ( por causa da série B)
Botafogo – 193 em 143 ( idem)
Grêmio – 184 em 148 ( idem)Sport, Náutico e América de Natal começaram este ano na estatística porque estavam na série B* O quadro é "Luis XIV", de Hyacinthe Rigaud, e está no Museu do Louvre