DEMITAM O MURICY!Esse foi o lema de muita gente quando o São Paulo, vejam só, estava em quarto lugar na tabela. São os famosos apressadinhos, presentes em todas as rodadas do Brasileirão, especialmente nas primeiras. Cartolas, jornalistas e torcedores que não conseguem ter uma panorama geral visto da ponte.
Preferem espernear sem refletir, criticar sem pensar, rotular sem levar em conta uma dezena de fatores e vetores que costumam atuar em tomadas de decisão precipitadas. Acontece muito no teatro, no cinema e nas amizades. Não costumamos dar tempo aos artistas, muito menos aos amigos novos, preferimos emburrar a cara e dar mole ao rancor.

Basta um pouco de paciência. Até mesmo na política temos o hábito de condenar rapidamente. Claro, muitas vezes eles têm culpa no cartório, mas acontece de inocentes serem perseguidos implacavelmente pela opinião pública.
Muricy Ramalho, ele sim, teve uma paciência de jibóia engolindo sapo. Tinha consciência do que estava fazendo, planejou uma arrancada são-paulina em função dos times que estavam à sua frente, foi aos poucos somando pontos fora e dentro de casa, criou uma muralha defensiva sem perder força no ataque, mas foi chamado de burro, limitado e confuso. Seguiu caminho, com a cara de turrão de sempre, que não muda nem na alegria nem na tristeza, e agora esfrega na cara dos detratores uma liderança colossal na competição.
E melhor: sem vinganças nem rancores. Enquanto isso, Cruzeiro, Santos, Vasco e Botafogo quebram a cabeça para vencer todos os jogos e ainda torcer para alguns tropeços “morumbísticos” do líder.