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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Esporte Espetacular e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
(O Caçador de Barangas, em 2000,
A Primeira Guerra Mundial e a Imprensa Brasileira, em 2003, e Eu, Deus, em 2006) e acha que futebol é cultura. globoesporte.com
DEMITAM O MURICY!


Esse foi o lema de muita gente quando o São Paulo, vejam só, estava em quarto lugar na tabela. São os famosos apressadinhos, presentes em todas as rodadas do Brasileirão, especialmente nas primeiras. Cartolas, jornalistas e torcedores que não conseguem ter uma panorama geral visto da ponte.

Preferem espernear sem refletir, criticar sem pensar, rotular sem levar em conta uma dezena de fatores e vetores que costumam atuar em tomadas de decisão precipitadas. Acontece muito no teatro, no cinema e nas amizades. Não costumamos dar tempo aos artistas, muito menos aos amigos novos, preferimos emburrar a cara e dar mole ao rancor.



Basta um pouco de paciência. Até mesmo na política temos o hábito de condenar rapidamente. Claro, muitas vezes eles têm culpa no cartório, mas acontece de inocentes serem perseguidos implacavelmente pela opinião pública.

Muricy Ramalho, ele sim, teve uma paciência de jibóia engolindo sapo. Tinha consciência do que estava fazendo, planejou uma arrancada são-paulina em função dos times que estavam à sua frente, foi aos poucos somando pontos fora e dentro de casa, criou uma muralha defensiva sem perder força no ataque, mas foi chamado de burro, limitado e confuso. Seguiu caminho, com a cara de turrão de sempre, que não muda nem na alegria nem na tristeza, e agora esfrega na cara dos detratores uma liderança colossal na competição.

E melhor: sem vinganças nem rancores. Enquanto isso, Cruzeiro, Santos, Vasco e Botafogo quebram a cabeça para vencer todos os jogos e ainda torcer para alguns tropeços “morumbísticos” do líder.


Escrito em 07/09/2007 |Comentários: »
Queridas Portenhas



Caístes com brio. Eis que pela frente não havia um time, havia uma máquina alemã, azeitada, bem treinada, vos tonteando com tantos passes longos e precisos. As rainhas do Cine Shangai eram elas, as européias, que não diminuíram o ritmo um segundo só. Enquanto isso, portenhas, vocês tombavam sozinhas, cansadas, humilhadas, pensando no rol de piadas a serem criadas. Poderosa Argentina de Maradona e Messi envergonhada por suas filhas. A face terrível da vergonha era estampada em imagens nítidas, coloridas, capturadas por lentes chinesas. O jogo acabara e o foco não era nas vencedoras, era em Vanina Correa, número 12, goleira, que caminhava solitária, descrente e já pensando em se tornar escritora. Aos 24 anos, vivia sua catástrofe pessoal. E segundo a escritora Rosa Montero, no brilhante livro “A louca da casa”, não há escritor que não seja forjado por tragédias pessoais, sejam elas emocionais, físicas ou financeiras. Vanina Correa talvez escreva sobre o amor. Ou sobre as perdas. Vanina Correa talvez escreva um manifesto. As 14 de Shangai. Homenageando a ombridade e a coragem de Eva, Valeria, Gabriela, Sabrina, Clarisa, Rosana, Maria, Fabiana, Anália, Ludmila, Florência e Mercedes. Tomaram 11 gols e enfrentaram de pescoço erguido a estupidez cartesiana da juíza austríaca, que teve a burra coragem de ainda dar dois minutos de acréscimos. Queridas portenhas, não liguem para as manchetes envergonhadas do Olé e Clarin, não escondam as lágrimas, não tentem procurar na justiça divina a explicação para a sova, já que há menos de um ano vocês estraçalhavam as chilenas por 8 a 0. Orgulhem-se da tristeza e da decepção. E acreditem, muitas vezes os invencíveis são uns chatos de galocha. A culpa? A culpa é do mundo. Da dor do mundo. Por uma noite, portenhas, vocês viverão o mesmo sentimento de Raskolnikov em “Crime e Castigo”. A dor do mundo. Mas ela passa. Tudo passa.
Escrito em 10/09/2007 |Comentários: »
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