RENAN É UM CARA LEGALO do vôlei. Ganhou a medalha de prata em Los Angeles, dedicou a vida inteira ao vôlei, é bom comentarista e ótimo técnico. Nunca me envergonhou. Nunca me deixou triste. Nunca me transformou num cara incrédulo.
O do futevôlei. Habilidoso, também joga futebol de areia, onde fez grandes jogadas ao lado de Edinho, Júnior e Cláudio Adão. Nunca me envergonhou. Nunca me deixou triste. Nunca me transformou num cara incrédulo.
O do futebol. Surgiu no São Paulo, volante esforçado, jogou no Juventude e foi contratado pelo Cruzeiro no começo do ano. Nunca me envergonhou. Nunca me deixou triste. Nunca me transformou num cara incrédulo.
O do senado? Esse eu nunca vi jogar. Nem no CRB nem no CSA...
JUDÔ, ESTRANHO JUDÔÍmpar experiência torcer para um quimono. Seja ele azul, como o manto de Nossa Senhora da Aparecida, ou branco, como a cor da areia nos Lençóis Maranhenses. O Mundial terminou domingo. E não é fácil ser ouro no Mundial. Basta lembrar que esta é a 25ª edição e só na última um brasileiro venceu a sua categoria. João Derly, que bisou sábado no Rio, tornando-se o único bicampeão. Tão incríveis quanto ele, Tiago Camilo e Luciano Corrêa.
Duro é ver judô. Lutar então deve ser terrível. Se na Copa do Mundo, futebol, já achamos uma loucura a seqüência a partir da segunda fase, pois os jogos são mata-mata, dá nos nervos imaginar que uma luta, uma lutinha de cinco minutos pode frustrar meses de preparação. Perdeu, tchau. Assistir às lutas é agonia do início ao fim. A possibilidade do fracasso e do sucesso é tênue quanto a baba de um bebê. Os judocas, ou as judocas, estudam-se, amparados pelos próprios braços, temendo o ataque repentino e bolando a surpresa no próximo segundo.
É tudo muito rápido. Como as imagens de outrora do saudoso programa Mundo Animal. O leopardo quieto e de repente saía em desabalada carreira atrás de uma presa indefesa qualquer. No tatame, não sabemos quem será a presa. Pela TV ou ao vivo, repetimos sem parar uma estrofe tensa: vai, vai, não, não, vai, ai, agora, não, vai, ui...
Aflição o tempo todo. E a ignorância em algumas decisões dos juízes. Blasfemamos pelo wasari injusto, gritamos pedindo punição pela falta de combatividade. E de repente, um amontoado de músculos bem delineados voa no mais puro conceito de arquimedes e desaba no chão, deprimido e derrotado. Ainda bem que deu Brasil três vezes no Rio. Pelo menos valeu o sofrimento. Que Luciano, João e Tiago sejam, a partir de hoje, sempre lembrados.