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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Esporte Espetacular e debatedor do Arena Sportv. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
(O Caçador de Barangas, em 2000,
A Primeira Guerra Mundial e a Imprensa Brasileira, em 2003, e Eu, Deus, em 2006) e acha que futebol é cultura. globoesporte.com
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FOLGA FOLGA FOLGA!!!!

* Semana que vem volto a postar. Deixo, pois, recente crônica publicada na revista Zé Pereira, embrião de um texto futuro sobre o famoso eixo Rio-São Paulo, tão citado nos comentários do Garamblog. Amplexos, Garamba.



Ele era carioca. Meteu-se numa encrenca tipicamente carioca. E foi morar em São Paulo. Exilado porque não podia voltar para o Rio. Seria morto.
Conheceu Suelen numa roda de samba em Santa Teresa. Logo Santa Teresa, cortada por bondes e rodeada por morros. Bondes do bem. Bondes do mal.
Apaixonou-se. Que nada, queria apenas uma noite com a oxigenada de cintura obscena e tatuagem no rego. Não tirou o olho a noite toda daquele gingado indecente.
Meia-dúzia de mentiras, dois quilos e meio de bobagens e foram parar num motel a caminho do Catete. Noite inesquecível. Madrugada suspeita ao deixá-la em casa.
Morava no morro. E daí?
Namorava no morro. E aí...
Aí ele percebeu tudo. De manhã, enquanto comprava uma ponte aérea via internet, recebia um e-mail curto, grosso e cheio de chavões do submundo. Era hora de ir embora.
E rápido.
Mora em São Paulo há 20 anos. Mora na Vila Madalena porque contaram para ele ser o bairro mais parecido com o Rio. Botecos, chinelos de dedo, pseudões e moças com saias coloridas.
E dói na alma a saudade carioca. Mas, se voltar, morre. Já tentou e nem embarcou. Avisaram antes.
Restou à sua alma amar a boêmia paulistana. E nas horas vagas. Bem, nas horas vagas, ele burla o coração.
Passeia na calçada da rua Haddock Lobo, nos Jardins, imaginando paquerar doces tijucanas de batom e unhas vermelhas.
Dirige até o bairro do Grajaú, na zona sul de São Paulo, e nos barracos imagina casarões rodriguianos.
Pega um táxi e pede Alto da Boa Vista. Mas lá chegando não sente frio.
Depois do trabalho, ruma para a Avenida Paulista e dobra na Frei Caneca. Mas não há presídio, só mundo gay.
Aos domingos, sempre passeia na Atlântica, nos Jardins, imaginando-se num quiosque à beira-mar. Mas desperta frustrado quando olha as placas e se vê na esquina da Atlântica com a Avenida Brasil.
Atravessa Pinheiros na direção da Lapa. Mas não acha samba nem arcos. Apenas grandes prédios e alguns sobrados. Na Marquês de São Vicente, sonha beber no Baixo Gávea, mas acaba comprando pequenas latas de cerveja num grande Wal-Mart. A Borges de Medeiros não é na Lagoa, é na Vila Prudente e não tem ciclovia. Vila? Vila Isabel é apenas uma rua no bairro do Tucuruvi, estação terminal da Linha 1 do metrô paulistano. Nunca foi até lá. Seu périplo nostálgico também inclui a Vieira Souto, que não é avenida, e sim uma travessa na Vila Medeiros de metro quadrado bem baratinho. A Rua do Ouvidor também é no centro da cidade! Mas não atravessa a Avenida Rio Branco, a alguns minutos dali.
Dia desses, ele, que é carioca, morou em Botafogo e estudou no Humaitá, pegou um mapa e foi para a rua Humaitá. Viu-se na Liberdade, rodeado de japoneses. Aproveitou para comer sushi. O sushi do Humaitá.
E assim passou seus últimos 20 anos. Morando em São Paulo, mas vivendo no Rio. Ontem mesmo foi visto bebendo cachaça no balcão de um boteco da rua Mem de Sá. Só que na Mooca. O dono do bar, um italiano palmeirense, entabulou uma conversa sobre futebol. E não resistiu à clássica pergunta:
- Então, carioca. Para que time torces aqui?
Pensou alguns segundos. Suficientes para uma analogia lógica. Tão mentirosa, ilusória e surreal quanto todas as outras.
- Portuguesa, claro.
Pediu mais uma branca, bebeu, pagou e seguiu seu caminho. Tinha um compromisso sentimental com uma bela paulistana na rua Rio de Janeiro. Mas não a achou. Afinal, existe uma rua Rio de Janeiro em Higienópolis, outra no Jabaquara, mais uma no Parque do Carmo, uma quarta em Parelheiros e ainda umazinha no Jardim Ângela.
Aliás, existem centenas de Rios de Janeiros no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Brasil e no Mundo.
E milhares dentro de cada um de nós.
Escrito em 02/10/2007 |Comentários: »
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