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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Esporte Espetacular, debatedor do Arena Sportv e colunista do Diário de São Paulo. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
(O Caçador de Barangas, em 2000, A Primeira Guerra Mundial e a Imprensa Brasileira, em 2003, e Eu, Deus, em 2006) e acha que futebol é cultura. globoesporte.com
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E o Marcelo Moreno, héin? É hora de falar do Cruzeiro!




Um refresco no eixo Rio-São Paulo, afinal quem fez 100 anos em 2008 foi o Atlético Mineiro. Só que o Galo não está na Libertadores e nem tem, por enquanto, um jogador que ande fazendo a diferença. Então o Garamblog dá a volta na Pampulha e destina alguns parágrafos a Marcelo Moreno.

O garoto é boliviano, mas também é meio brasileiro. Nasceu lá no alto de Santa Cruz de La Sierra, filho do ex-meia palmeirense Mauro Martins. Vem brilhando no Cruzeiro e não é de hoje. Já veste a camisa azul há pouco mais de um ano e a cada jogo cava mais um cantinho no coração do torcedor cruzeirense. Bom cabeceador, bom finalizador, Marcelo Moreno não treme. E nem teme a responsabilidade. Fisgado do Vitória, que talvez aprenda agora, na Primeira Divisão, que não pode só formar e vender, MM chegou a Bolívia com o Cruzeiro e foi recepcionado como ídolo pelos compatriotas.

Artilheiro do time na Libertadores, com 7 gols, MMM, já que é Marcelo Martins Moreno, fala português com um pouco de sotaque, mas foi em bom espanhol que defendeu os jogos na altitude, apesar da posição do Cruzeiro. Ou seja, personalidade, ainda bem, ele tem.

Em campo, junto com Wagner, Ramires, Guilherme e Jadílson, compõe uma espinha dorsal interessante em um time que de um jeito bem mineiro, tem avançado sem alarde tanto no Estadual quanto na Libertadores. Joga-se confete na dupla Fla-Flu, mas andam esquecendo da Raposa. E é gratificante ver o sucesso do treinador Adilson Batista. Lembro-me que, há alguns anos, fui a Belém e aproveitei para ver o jogo Paysandu x Coritiba, pelo Brasileirão. O empate xexelento sem gols irritou a torcida paraense, que foi até a saída do vestiário xingar Adilson até a terceira geração. Ele não durou muito, mas continuou firme e forte no propósito de fazer mais sucesso no banco do que como jogador. É difícil. O ex-becão de Atlético Paranaense, Cruzeiro, Grêmio, Inter, Corinthians e Galo tem uma Libertadores, um Brasileiro e um Mundial da Fifa. Como técnico, o paranaense comandou por pouco tempo grandes times como Sport e Paraná, mas já tem dois títulos estaduais, um pelo América de Natal e outro pelo Figueirense.

O bom de Adílson é que, apesar de ser um treinador que já foi zagueiro e treinador do Grêmio, não segue a cartilha de Felipão, que fez vários seguidores para o bem e para o mal. Aposto que, depois do 4 x 4, não entrou no vestiário vociferando contra seus comandados. Tentar um estilo próprio demonstra personalidade e ensina que quanto mais estereótipos cultiva, mais estúpida é uma sociedade.
Escrito em 16/04/2008 |Comentários: »
Foi dar o ponto final no post abaixo e o Potosí fez dois gols na Raposa. Bom, vamos ver quanto acaba o jogo. Mas os elogios continuam.
Escrito em 16/04/2008 |Comentários: »
ELE VOLTOU

Quem acompanha o jornalismo esportivo da Rede Globo sabe que existe um repórter que não se cansa de buscar novas linguagens. Régis Rösing. Um dos maiores contadores de histórias da televisão brasileira. Só que há três meses algumas grandes histórias não estavam sendo contadas. A redação de esporte andava meio melancólica. Os jogadores sentiam falta da ternura e do alto astral do criativo gaúcho.

No fim de janeiro, um ciclista tresloucado atropelou Régis no Sul e, na trombada, sobrou para o repórter. Ele teve vários ossos quebrados da face. Mas voltou. Novinho em folha. Zero quilômetro. Em maio, voltará às ruas para emocionar.

Régis é um exemplo de saudável inconformismo. De alguém que seria capaz de bagunçar até as regras imutáveis de um cartório. E mais do que isso, de alguém que não tem medo de ousar. Pode errar? Pode. É o risco que todos os corajosos correm. Pode ser incompreendido? Pode. Mas a intenção do acerto sempre é mais digna que qualquer erro. E para felicidade da televisão, Régis acerta. E inova e sempre tenta reinventar as formas de se fazer uma reportagem.

Do faxineiro ao diretor, todos se dão bem com Régis. Sorte do Campeonato Brasileiro que ele voltou. Será um dos mais disputados dos últimos tempos, mesmo sem o Corinthians. E atrás de cada lance, cada drama, cada ironia do destino haverá o olhar de centenas de jornalistas. Que estejamos sempre inspirados. Como ele. Bem-vindo de volta ao front.


Escrito em 17/04/2008 |Comentários: »
O SÉTIMO SELO

A morte de alguém querido, próximo ou conhecido, além de tristeza traz reflexão. Nesta semana, a atriz Renata Fronzi deixou os palcos para sempre. Filha de artistas, nasceu na Argentina durante uma excursão teatral dos pais, mas cresceu em São Paulo, onde começou a vida artística como bailarina do Teatro Municipal e, ao se mudar para Santos, migrou de vez para a interpretação. Aos 15 anos foi para o Rio, onde viveu até morrer.

Mesmo que o blog se proponha a falar também de cultura, o que liga Renata Fronzi ao futebol?

Isso quem explica é Marcus Veras, companheiro antigo e membro da Resistência Jurássica. É ele o convidado ilustre deste sábado que anuncia um fim de semana apaixonante e inesquecível. Como alguns do texto abaixo:


UM RASTRO DE ELEGÂNCIA



Quando o casal entrava no setor das cadeiras perpétuas do Maracanã, todos os olhares se desviavam para ele. Afinal, estavam ali a voz número 1 do rádio brasileiro e a estrela do teatro de revista que brilhava nas comédias da Atlântida. Ambos tricolores, sempre que possível estavam no estádio torcendo com classe, elegância e finesse pelo seu Fluminense. Por onde passavam, deixavam um rastro delicioso onde se misturava o aroma dos charutos cubanos de César Ladeira aos perfumes franceses de Renata Fronzi. Chegavam ao estádio a bordo de um Cadillac cinza com a chapa número 1 do Distrito Federal, e eram assediados pelos amigos, fãs e torcedores de todos os times. Bons tempos? Ótimos tempos, eu diria, anos 50, quando o Rio de Janeiro era mais civilizado, o futebol mais bonito, o Maracanã mais amigável.

Foram eles que me levaram pela primeira vez ao Mário Filho, um jogo noturno entre Fluminense e Vasco. Impossível descrever o encantamento do menino que ao desembarcar no sexto andar do estádio se depara com o templo mundial do futebol todo iluminado, o som das torcidas, o cheiro do pó-de-arroz. Tudo isso me veio à lembrança na última terça-feira, dia 15, quando morreu Renata Fronzi. Cesar já havia partido em 1969. Perde o Tricolor uma torcedora apaixonada, e a comédia uma dedicada e talentosa operária. Os clubes deveriam ter galerias com seus torcedores ilustres, para que as novas gerações aprendessem com eles que se pode amar um time sem perder a elegância, sem odiar o próximo. Não foi à toa que o presidente Roberto Horcades pediu um minuto de silêncio para Renata Fronzi. Ela merece a homenagem e um destaque no Movimento de Resistência Jurássica! Veja aqui um trecho da comédia “Marido de Mulher Boa”, com Renata contracenando com o impagável Zé Trindade... (http://vedetesdobrasil.multiply.com/video/item/6/Renata_Fronzi_em_Marido_de_Mulher_Boa)

Com toda essa iniciação ao futebol feita por tricolores, como me tornei um torcedor do Flamengo? – perguntou-me meu colega de GLOBOESPORTE.COM Marcos Felipe, um cara esquisito, mas gente boa. Na hora, eu não soube responder, mas agora descobri. Todo rubro-negro é um tricolor do lado avesso e vice-versa. Somos unidos pelas nossas diferenças abissais. Como diria Nelson Rodrigues, “Flamengo e Fluminense são os irmãos Karamazov do futebol”. Se você não sabe quem são esses irmãos, nem ouviu falar do criador deles, Fiódor Dostoievski, dá uma googada que vale a pena.


Marcus Veras




Escrito em 19/04/2008 |Comentários: »
A ARANHA E A MACACA




A definição de Maurício Noriega, excelente comentarista do Sportv, durante o jogo foi a melhor. Estupefato, cutucando Milton Leite o tempo todo e tão boquiaberto quanto o colega Muller, Noriega buscava alguma forma de dizer o quanto Mário Lúcio Duarte Costa estava agarrando naquela noite enfeitiçada no Vale do Paraíba.

_ Não é possível. Parece até que o Aranha teceu uma teia no gol da Ponte. Não entra nada.

Só entrou o gol filho único do Guaratinguetá. Depois, Aranha honrou o apelido e fez defesas espetaculares. Pareciam lances ensaiados, tal a plasticidade do goleirão que, não à toa, estava todo de negro. Como uma caranguejeira acrobática e enlouquecida.

A Ponte Preta terminou o jogo com um a menos, mas refazendo as contas, quem estava com dois a mais era o time de Campinas, porque Aranha jogou por três, tal qual o aracnídeo, que faz o trabalho de várias tantas são as patas.

Aranha é mineiro, terminou o jogo pendurado no alambrado, claro, e devolveu com juros o carinho do clube que o acolheu, vindo de Pouso Alegre, em Minas Gerais, ainda menino. Não é ponte-pretano, como outro menino, Daniel Minozzi, a quem este post é dedicado.

Daniel é o único ponte-pretano na redação de Esporte da Globo de Sampa. Nem o dicionário Houaiss tem um. Talvez o filólogo simpatize com o Guarani ou tenha esquecido de como é chamado o torcedor do centenário clube da faixa diagonal. De volta a Daniel, desde que o conheci, há uns cinco anos, jamais cogitou, falou, pensou em mudar de time. Sempre chamou sua Ponte de “macaquinha”, jamais desprezou a história de sua família com o clube e me levou, inclusive, para um inesquecível Juventus x Ponte Preta na rua Javari, onde brilhou o jovem Wellington Paulista, só que pelo time grená. De vez em quando, nas famosas resenhas onde se fala de tudo quanto é time, Daniel sofre as gozações dos adversários. Maluco, café-com-leite, sofredor são alguns dos “elogios” que recebe.
Neste sábado, num plantão perdido na sede do Brooklin Novo, um berro ecoou por volta das oito da noite. Não era uma topada na quina da mesa, nem alguém acertando a quina da Caixa. Era Daniel Minozzi celebrando, comemorando sua primeira ida a final em 28 anos de vida, completados, vejam só, ontem. Parabéns em dose dupla. Uma coisa é certa, santistas e corintianos, também alvinegros, engrossarão a torcida da Ponte nas finais. E não é uma questão cromática, é rivalidade com Palmeiras e São Paulo, claro, mas é também um reconhecimento pela história injusta de um time com mais de cem anos e sem títulos.


Escrito em 19/04/2008 |Comentários: »


Espero estar errado

Porque atualmente prefiro sempre estar errado. Pois quando estamos certos, não aprendemos nada. E sem aprendizado, não há evolução.

Enfim, espero estar errado.

Já cobri treino de seleção brasileira e de vários clubes do Brasil. Já fui como torcedor, curioso ou turista a vários coletivos país afora. E nunca, jamais, assisti a algum técnico treinando a própria equipe para a eventualidade do adversário ter um jogador expulso. Meia hora que seja, ganha, planejando alguma mudança tática face à vantagem numérica, ou mesmo preparando um reserva para imediatamente entrar no caso do cartão vermelho alheio.

Talvez pondo a equipe reserva, no treino, com um a menos, orientando assim os titulares a mudarem rapidamente a postura em campo, aproveitando eventual buraco na tática adversária. O luxo dos luxos seria um time preparado para aproveitar a expulsão do outro seja ela em que setor fosse, defesa, meio ou ataque.

Mas nunca vi.

O que tenho visto cada vez mais são times não aproveitando a repentina vantagem numérica, seja por incompetência, covardia ou simplesmente despreparo.

Porém, espero estar errado. O nível dos comentaristas do Garamblog, em sua maioria, é altíssimo. E vários tertulianos são especialistas em análises táticas e observações gerais sobre o futebol daqui e o de lá de fora.

Alguém aí já viu time treinando como jogar com um jogador a mais?
Escrito em 21/04/2008 |Comentários: »
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