

NOS TEMPOS DO VOVÔEssa é saudosista mesmo. Alguém aí lembra do
chuá? Raramente nas transmissões de basquete vemos o velho e bom chuá, lance plástico, arremessado de longe ou de meia distância, que descia rede abaixo sem encostar em nenhuma parte do aro.
Chuá!
Pois bem, recentemente tem se tornado uma saudável rotina o Garamblog receber, via comentários ou e-mail,
ponderações interessantes dos comentaristas. Não há razão para eu guardá-las comigo e dias depois sair jorrando regra como se fosse uma grande descoberta do autor do blog.
Tanto quanto eu, estes comentaristas que acabam colaboradores por um dia escrevem por paixão. Simplesmente pela mania atávica de querer ter opinião num mundo meio chato onde o diferente, cada vez mais, é um “maluco
burro sem noção”. Num post recente em seu blog, Mauricio Noriega abandonou o esporte e lascou lenha nas acusações internacionais ao Brasil sobre a produção de etanol ser a vilã da escassez de alimentos. Dias depois, a ONU se pronunciou contra mais esta hipocrisia do andar de cima do globo.
Desta vez, a proposta para uma polêmica do bem vem de Brasília, e não é de autoria de nenhum deputado, mais interessados em discutir condutas processuais e politicagem mesquinha ao invés de unir esforços para um país melhor. Talvez, para eles,
o Brasil já esteja pronto.Passe é assistência, pergunta o nobre leitor
Mário Emilio. Eis a íntegra de sua aflição:
“Colaborando com a Resistência Jurássica, por favor, escreve aí no blog! Chega de dizer que passe é "assistência". A palavra usada dessa forma não passa de uma tradução muito mal feita do inglês "assist". Fica combinado, a partir de hoje o passe volta a ser passe. Assistência, como dizem Wilson Moreira e Nei Lopes, é a ambulância do tempo de Don-don.”E aí? Eu concordo com o Mário. Acho de um tecnicismo chato demais esta história de assistência. E ainda dá um valor exagerado ao dono do último passe que, claro, merece todos os méritos, mas jamais como o do dono da chuteira que empurrou para dentro a velha e boa pelota.
Se puxarmos pela memória, claro que veremos excelentes transformações na nomenclatura boleira. Lembro-me das expressões usadas pelo meu pai: “centerforward”, “centerhalf”, “offside” e tantas outras que caíram em desuso. Mas é melhor deixar a “assistência” para o basquete. E de quebra, uma assistência com chuá!
Para quem você vai torcer?
A final do Paulistão 2008 é ímpar. Se fosse disputada entre dois grandões, já acostumados com títulos e triunfos, o resto dos torcedores estaria pagando e andando. E os cinemas lotariam nas sessões das quatro da tarde neste domingo. Mas Palmeiras x Ponte Preta é uma decisão especial. Que mexe com todos. Mesmo os que não são porquinhos ou macaquinhas.
Ou alguém aí acha que os não-palmeirenses, que não tenham nenhuma razão histórica e familiar, torcerão para Valdívia e companhia? Domingo, o mundo que não é verde será alvinegro e pontepretano!
Nem sempre. Metade de Campinas enxergará o Guarani dentro das camisas verdes do Palmeiras e torcerá muito para a teia do goleiro Aranha ser furada várias vezes por Alex Mineiro, Diego Souza, Kleber e Léo Lima. Por mais que o brinco de ouro esteja quase enferrujando, o Bugre terá sempre uma rivalidade histórica com o conterrâneo Moisés Lucarelli.
No resto do estado, quietinhos, corintianos, tricolores e santistas torcerão para Cleber Machado gritar com força: Pro goooollll.... Luis Ricardo, da Ponte Preta! É mais do que natural. Cada um com seu motivo. Não há brasileiro que veja um jogo sem torcer para um time. Se houver, não é brasileiro. Na primeira fase, o Palmeiras venceu por 2 a 1, o que não significa muita coisa. Especialistas garantem que o elenco milionário comandado pelo também afortunado Luxemburgo é disparado o favorito. E talvez seja mesmo.
Mas vá explicar isso para os 15.539 torcedores da Ponte que fizeram fila, sofreram com a desorganização absurda, foram empurrados, tratados como cachorros, porém saíram com o valioso ingressinho na mão. A fé e a confiança no melhor time dos últimos anos são tão grandes quanto os 250 quilômetros de estradas que ligam Guaratinguetá a Campinas, e que não foram distância para os apaixonados. Eles foram na semifinal decisiva, apoiaram, vibraram e calaram a maioria no estádio Dario Leite.
Agora, serão maioria. E por mais que os geólogos e geógrafos neguem, amanhã teremos mais um terremoto no Brasil. Só que desta vez, em Campinas, nas imediações das ruas Proenças, Álvaro Ribeiro, Affonso Pena e Praça Antonio Franco Cardoso.
Uma tarde antológica na história centenária da Ponte Preta. Pela primeira vez jogando uma decisão no próprio estádio. E que bom ter do outro lado um Palmeiras renovado, respeitado, bom de bola e com o melhor jogador do Brasil vestindo a camisa 10 que já foi de tanta gente boa. Mas que precisa saber que, apesar do jejum desde 1996, será apenas mais um título paulista. E no caso da Ponte, será simplesmente o primeiro título de futebol na ingrata biografia do clube.
Evitem apostas.