RONALDO MAX FENÔMENO MOSLEY
"Fofoquerias", quadro de Guido Viaro, 1943
O título da postagem parece ingrediente de xampu feminino ou nova fórmula de aparelho de barbear. Parece, mas não é. Que aliás, também já foi slogan de algum produto do século passado.
A troça no título, misturando os nomes do super centroavante com o do mega cartola da Fórmula 1, tem explicação óbvia. Um viu suas fantasias sexuais vazadas num jornal e na Internet. O outro viu um devaneio noturno transformar-se em algo nada gozado.
É para sair na imprensa? É.
É notícia? É.
É para condenarmos? Não.
No caso de Max Mosley, o estupefato geral do mundo esportivo ou não foi repentinamente substituído por um rol de asneiras vindo de todas as curvas do planeta. “Não fica bem”, “Um homem nesta posição”, “Ele como presidente da FIA tinha que dar o exemplo”...
Ora, ora, alegres comadres de Windsor, Mad Max não ficou pelado numa praça pública em Londres, balançando dinheiro e clamando por alguma tara. Foi entre quatro paredes e, infelizmente para ele, entre quatro paredes e uma câmera. Qual a influência que uma sandice erótica pode ter no exercício da função dele nos autódromos da vida? No máximo, o constrangimento de encontrar um gaiato como Piquet ou Patrese, por exemplo, e receber um tapinha nas costas seguido de: “Aí, Mosley, seu malandrão...”
E o Fenômeno? Apenas o mistério de uma vida milionária e de fama que ainda é capaz de provocar a solidão errante de alguém sem ter o que fazer depois de um jogo de futebol. Nada de um bom vinho com amigos. Ou de uma última sessão de cinema, também com amigos, regada a pipoca e mate. O resto? É problema dele. Para resolver com a família dele. Com os assessores de imprensa dele. Se foi uma escapulida fracassada, que o atacante do Milan seja rígido o suficiente para agüentar gracejos, provocações e, certamente, algumas musiquinhas capciosas vindas da turba criativa das arquibancadas, recentemente cabreira com tanto amor de Ronaldo declarado ao Flamengo.
A tecnologia, cada vez mais sofisticada, deveria nos tornar seres interligados, inteligentes e plurais. E não uma fábrica de fofoqueiros sem ter mais o que fazer, ou ler.
AINDA FALTA O SANTOS....Mas aí vão alguns adjetivos sobre os outros brasileiros, depois de duas vitórias, uma derrota e um empate.
Cruzeiro – Confiante
Flamengo – Empolgante
Fluminense – Decepcionante
São Paulo - Intrigante

UM DISSÍLABO CAMPEÃO CARIOCADomingão especial no Rio de Janeiro.
Joel ou Cuca? No Mário Filho, o duelo entre a confiança e a esperança. Depois do cacau mexicano dado pelo Flamengo na Libertadores, a torcida rubro-negra vai ter que contrariar a física para dividir os assentos do estádio. Já os botafoguenses, quietinhos e cautelosos, evitam oba-oba, mas garantem boa presença do outro lado da tribuna da imprensa.
E em campo?O duelo se repete. Cuca, que a cada jogo vem mostrando ser um excelente treinador e um dos melhores do Brasil atualmente, tem a missão de transformar em gols o habitual domínio alvinegro no meio-de-campo. O time-alfaiate de General Severiano costura para lá, costura para cá, toca para um, toca para outro, e de repente a bola sai alfinetada para Wellington Paulista ou Jorge Henrique concluir. E para este jogo, Cuca ainda pensa em agulhar um terceiro atacante, Fábio. Mas é uma opção que pode facilitar a vida de Joel.
Afinal, o Flamengo é movido a correria e contra-ataque. Se o Botafogo alongar o campo, pondo mais um na frente, Léo Moura e Juan não ficarão sobrecarregados com a exploração dos flancos. E a turma da meiúca rubro-negra terá uma função muito mais ativa do que a de sempre, que é marcar, marcar, marcar. Liberando Ibson para as chegadas-surpresa.
Mas, entretanto, porém, existem outras possibilidades que vão muito além das análises táticas e dos gatos-mestres de plantão. O clássico está repleto de jogadores que, de uma forma ou de outra, técnica ou espiritual, podem decidir o jogo e virar o herói da segunda-feira.
Em ambos os lados.Bruno, além de fechar o gol, pode dar na louca e repetir a façanha do gol de falta na Libertadores.
Alessandro é capaz de uma avançada alucinada e, se a trave deixar, fazer um golaço. E Leonardo Moura pode repetir a atuação contra o América do México.
Renato Silva e Fábio Luciano têm retrospecto de gols importantes.
Juan já mostrou uma vez que é bom de decisão.
Lúcio Flávio, com bola parada ou não, é mestre nos chutes-sinuca.
Túlio também costuma ser um elemento-surpresa eficiente.
E na frente, tanto Souza e Marcinho, como WP e JH podem entrar para a história.
E aí? Sem paixões. Qual o dissílabo campeão carioca de 2008?
Ainda sobre Jardel...
Jardel e Régis, depois da entrevista, em FortalezaNeste domingo, no Esporte Espetacular, a repercussão da entrevista que Jardel deu a Régis Rösing e Rafael Pirrho, semana passada, em Fortaleza. Não à toa, vários gremistas andaram berrando pelo nome do atacante, rogando por uma volta ao tricolor gaúcho. Disso tudo ficam nossas reflexões sobre a entrega de muita gente ao prazer instantâneo e a dificuldade em buscar, a posteriori, algo mais perene e eterno. E também fica um texto do companheiro Pirrho, sobre o que a reportagem despertou nele.
Eis o depoimento de Pirrho:Jardel foi um dos vilões da minha infância. O ano era 1995, o Flamengo montara um supertime para arrebentar no ano do centenário, mas quem ganhava tudo era o Grêmio de Jardel. Com um gol dele no Maracanã e outro no Olímpico, o Grêmio eliminou o Flamengo da Copa do Brasil. E ainda fez muito mais naquele ano - conquistou a Libertadores da América com uma jogada mortal:
- O Felipão dizia assim na preleção: "Paulo Nunes, Arce, estão vendo essa cabeça aqui?" e apontava para a minha cabeça. "É aqui que vocês têm que colocar a bola" - diverte-se Jardel.
Em um ano e meio de Grêmio, Jardel fez 67 gols em 73 jogos - e olha que Felipão o proibia de bater pênalti. Ele era o símbolo de um time que era tudo o que o Flamengo não era - eficiente e (até então) sem estrelas. Por isso, quando se mandou para Europa foi um grande alívio pra mim.
No Porto, fez impressionantes 168 gols em 161 partidas. No Galatasaray, 34 gols em 44 partidas. E no Sporting, 53 gols em 49 jogos. E aí, de repente, os gols sumiram.
Para tentar entender o que aconteceu, o repórter Régis Rösing, o repórter cinematográfico Ederlecy Iamim e eu fomos até Fortaleza encontrar Jardel, sem clube há dois meses. Com uma coragem admirável, ele falou sobre a separação da primeira mulher, da depressão, do problema que teve com drogas e da vontade de voltar a um grande clube. Mostrou que nossos heróis e vilões podem ser apenas homens - na simplicidade e na grandeza da palavra.
Jardel continua sendo um dos vilões da minha infância, porque o passado a gente não muda. Mas, sorte dele, o futuro está aí pra ser escrito. E hoje, como admirador do Jardel, torço para que ele ainda faça muita criança chorar com seus gols.Rafael Pirrho
DENÚNCIA GRAVEO Garamblog não teme represálias do governo chinês. Não está preocupado com as ameaças do Partido Republicano. Muito menos tem medo de algum míssil inteligente das Indústrias Stark.
É preciso colocar o dedo na ferida.
Escancarar na imprensa cibernética o escândalo do mês.
As manchetes precisam berrar novamente, como clamou Nelson Rodrigues.
Não há adjetivos suficientes no dicionário para qualificar o que aconteceu.
Talvez seja a verdadeira razão para o negócio entre Yahoo e Microsoft micar.
Pois nem mesmo o mais pós-moderno dos filósofos seja capaz de aceitar isso. Com o perdão de Deleuze, Derrida e Baudrillard, não há desconstrução dos princípios do pensamento ocidental que suporte isso.
Intervalo de Flamengo x Botafogo. Transmissão da Globo. O narrador Luis Roberto chama o camarote dos artistas, o repórter Ícaro de Paula começa a entrevistar torcedores de Flamengo e Botafogo. Eis que uma bela aparece. Uma bela loura. Com mais curvas que a Rio-Petrópolis. Sorriso perfeito, moldado por algum aparelho ortodôntico juvenil. Sobre a omoplata, o manto sagrado rubro-negro. Uma linda bandeira do Flamengo.
Era Natália, a beleza da vez do último Big Brother Brasil.
Natália? Flamengo?

A moça confessou-se gremista de nascença. A família apareceu no Esporte Espetacular para dizer que o quarto dela era cheio de fotos do Grêmio. O irmão mais novo confirmou que ela cansou de bater ponto no Estádio Olímpico. E ao vivo, para todo o Brasil, vestiu um uniforme estilizado do tricolor gaúcho numa festa dentro da tal casa inspirada em George Orwell.
Agora vem, com a maior cara de pau, desfilar de flamenguista nas entranhas do Maracanã?
Isso não está certo.
Vejam a matéria da Zero Hora do dia 20 de março.
Grêmio convoca torcida para ajudar Natália no BBB
Pai da gaúcha visitou o vice-presidente Cesar Pacheco para pedir apoio do clube
Com o lema "Gremista ajuda gremista", o Grêmio lançou hoje, em seu site oficial, um apelo para que a torcida ajude Natália a vencer a oitava edição do Big Brother Brasil. Segundo o clube, o pai da loira, Setembrino José Casassola, foi ao Estádio Olímpico na quinta, para "pedir o apoio da nação tricolor nessa etapa final do programa".
Em visita ao vice-presidente Cesar Pacheco, Setembrino contou que a filha é apaixonada pelo Grêmio e vem ao estádio desde pequena. A família tem seus nomes registrados na calçada do torcedor. Ainda de acordo com o site do clube, em 2005, seu Setembrino chegou a fazer campanha para captação de novos sócios e conseguiu associar mais de 170 gremistas.
"Vamos votar e ajudar a tricolor gaúcha, Natália, a trazer para o Rio Grande do Sul mais essa vitória. Gremista ajuda gremista", diz a nota. A loira de Passo Fundo ficou amiga de Deborah Secco, namorada do meia Roger, quando a atriz visitou a casa do reality show. Deborah convidou Natália para irem juntas a um jogo do Grêmio.
O século 21 anda mostrando uma complacência com a perda de valores. Mas virar casaca em dois meses é o fim da picada.
A não ser que a Natália BBB tenha ficado chateada com a outra Natália, Miss Brasil, que também se diz gremista e até desfilou no lançamento do novo uniforme.
Aí, se for coisa de mulher, confesso incompetência para comentar.