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Garambone

Sidney
Garambone

Jornalista

Na imprensa há 20 anos e com passagens por Jornal do Brasil, O Globo, O Dia e Istoé, é atualmente editor-chefe do Esporte Espetacular, debatedor do Arena Sportv e colunista do Diário de São Paulo. Tem mestrado em Relações Internacionais, escreveu três livros
(O Caçador de Barangas, em 2000, A Primeira Guerra Mundial e a Imprensa Brasileira, em 2003, e Eu, Deus, em 2006) e acha que futebol é cultura. globoesporte.com
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VALE O AUMENTO?

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No melhor estilo “em cima do muro”, o Garamblog joga os refletores num assunto curioso e financeiro. É justo o Fluminense dobrar o preço dos ingressos da final da Libertadores? Segundo matéria no globoesporte.com, a diretoria ainda não confirmou os valores, porém há rumores de que o valor seja o dobro dos jogos recentes. Há quem ache um absurdo, que chame os cartolas de cambistas oficiais, que se sinta oprimido por realmente não ter dinheiro para pagar e ver a partida mais importante do clube tricolor nos últimos tempos. Há quem não veja nisso nada demais, que lembre de situação semelhante protagonizada por São Paulo e Internacional, que compreenda as finanças do futebol brasileiro e de certo modo até apóie a iniciativa, oportunista, claro, mas uma espécie de oportunismo do bem.

Se confirmado o reajuste, os preços deverão ser os seguintes:

Arquibancadas verde/amarela: R$ 80
Brancas: R$ 100,00
Cadeiras azuis: R$ 60
Cadeira especial:R$ 300

Para alimentar a discussão com analogias, a LDU acaba de divulgar quanto cobrará pelo jogo de ida, em Quito, dia 25/6. Eis aí:

Geral: 30 dólares ( aproximadamente R$ 50)
Tribuna: 50 dólares ( R$ 83)
Palcos: 100 dólares ( R$ 165)

Curiosidade, também boa para discussões. No Rio, os sócios do Fluminense têm prioridade para comprar um ingresso inteiro e duas meias-entradas. Em Quito, a venda vai do dia 12 ao 14 e a prioridade é para os torcedores que assistiram às partidas da LDU contra Deportivo Azogues, Universidad Católica e San Lorenzo, cujos nomes se encontram numa base de dados. É um critério interessante, tanto pelo controle nominal do clube de seus torcedores como pela premiação à assiduidade. Apoiou? Compra na frente de quem não apoiou.

E os comentaristas do Garamblog, o que acham?
Escrito em 10/06/2008 |Comentários: »
SEX AND THE CITY AND THE SOCCER



Eu não gosto. Acho chato demais. Deus me livre se todas as mulheres que conheço fossem peruas americanas de cabelo com laquê e conversa rasa.

Mas é o futebol delas.

O seriado Sex and The City ganhou mais notoriedade com o lançamento do longa-metragem. Tenho implicância natural com seriados, por causa das claques e desta mania de segmentar as pessoas. Seriado para adolescentes, seriado para homens que gostam de mistério, seriado para universitárias, seriado para residentes de Medicina, seriado para donas de casa... Enfim, o problema é meu. No caso do tal Sex and The City, tive contato de terceiro grau zapeando. As duas vezes achei os diálogos fracos, a dramaturgia nula e o pensamento consumista bobinho bobinho.

Mas é o futebol delas.

Para não bancar o presidente da Ala dos Ranzinzas, resolvi, um dia, sozinho na imensidão da TV a Cabo, assistir a um episódio inteiro. As tais 4 mulheres incríveis e descoladas foram passear em Las Vegas. Minha tentativa saiu pela culatra. As interpretações, na minha opinião sempre, eram patéticas, o figurino exagerado, as mensagens pretensamente feministas porém bastante machistas... e desisti de vez.

Mas é o futebol delas.

Qual a graça de um jogo, numa terça-feira à noite, pela série B, entre dois times que não possuem relação afetiva alguma comigo? Toda a graça do mundo, afinal, o gol mais bonito da história pode sair daquela pelada. E futebol é bom até quando é ruim. Porém, muitas irmãs, namoradas, noivas, mães e esposas não costumam entender isso. Até mesmo as mulheres que adoram o futebol, e o Garamblog está cheio de leitoras e comentaristas tão sabichonas quanto os homens, costumam declinar desta opção por “drogas pesadas”, como um jogo de juniores num sábado de manhã, por exemplo.

Por isso é preciso muita tolerância e compreensão com esta badalação do filme das peruas vazias. Minha incompetência intelectual não permite que eu entenda as grandes questões tratadas no roteiro, como cor de calcinha, namorado egoísta, nova coleção de bolsas, importância da botinha preta no inverno... Até porque acho muito mais relevante o fim da monarquia no Nepal, a ameaça inflacionária na Argentina, as políticas intervencionistas de nações mais poderosas e o excesso de volantes na Seleção Brasileira.

Mas é o futebol delas.

O dia dos namorados pode ser a prova cabal de amor para quem anda pressionado pela moça. Se você é homem e concorda um pouquinho com este monte de parágrafos acima, surpreenda a amada, compre ingressos antecipados e vá ver o filme Sex and The City. De preferência com um jantarzinho depois. Minta, diga que gostou, ria amarelo e ainda decore o nome das quatro amigas chatas para diabo.

Mas é o futebol delas.

Se bem que... entre Sex and The City e um jogo do Manchester City... hum... sei não.
Escrito em 11/06/2008 |Comentários: »
SOBRE MENINOS E GOLEIROS



O menino se chama João. João Barbosa. Mora na periferia. Estuda em colégio público. Adora futebol e livros. Não tem namorada. Não gastou dinheiro com presente esta semana. Sua paixão mora na padaria da esquina da rua de casa. Uma reluzente televisão, comprada em 12 vezes nas Casas Bahia, pelo dono português. A semana foi agitada para João e Joaquim. O menino não almoçou dia algum. Chegava do colégio e, ainda de uniforme, ia direto para a padaria. Juntos, assistiram a todas as partidas da Eurocopa no Sportv. Nos jogos de Portugal, então, o menino ganhou lanche e refri de graça. As lições foram feitas nos intervalos.

Ontem à noite, o primo rico do bairro de bacana telefonou e chamou João para uma pelada num clube chique. A mãe fez cara feia, o pai liberou.

- Deixa o menino... não tem nada na vida. Deixa curtir o primo.

Um carro bonito e blindado foi buscar João e seu par de tênis furados. Não levou bola. Fez bem. Havia várias na quadra do clube. Novinhas. Bola do campeonato italiano, do Brasileirão, da Copa do Brasil... bolas que ele teve até vergonha de chutar e sujar.

O primo rico o recebeu com a educação de sempre. Apresentou João para seus amigos do colégio, do inglês, da natação e da oficina de artes. Dividiram os times e começaram a aquecer, bater uma bolinha.

João, tímido, só olhava os meninos. Um, vestido de Barcelona da cabeça aos pés, ensaiava dribles com a perna esquerda e falava alto enquanto chutava para o gol vazio:

“Lá vai Messi... bola com o argentino... ninguém pára... que canhota poderosa!”.

Outro, trajado com o uniforme da seleção portuguesa e usando uma crista no cabelo cheio de gel, dava dribles imaginários sobre o reluzente taco do ginásio.

“É o melhor do mundo, é Cristiano Ronaldo, habilidade pura do camisa 7 de Portugal”.

Um terceiro, fantasiado de Internazionale de Milão, batia bola na parede do ginásio, com sotaque de locutor.

“A precisão de Ibrahimovic, cracão da Suécia a serviço do campeão italiano! Que direita, que potência, que chute, que versatilidade!”

E o desfile continuava. A molecada vestindo seus ídolos do badalado futebol europeu... Henry, Beckham, Robinho, Kaká, Ballack.

Quietinho, João Barbosa envergonhava-se um pouco da própria roupa. Camiseta surrada da oficina do tio, shorts de segunda categoria e o velho Bamba nos pés.

Como se integrar? Como não ser o patinho feio? Como não sofrer preconceito? Como voltar para casa e não perturbar o pai para comprar a camisa de algum craque internacional?

Simples!

João Barbosa correu para o vestiário do ginásio, onde tinha deixado a mochilinha surrada com a roupa para colocar depois do banho. Pegou a cuequinha preta, limpa e foi até o espelho. Respirou fundo, tomou coragem, lembrou do jogo Portugal e República Tcheca, na quarta-feira, e tacou a cueca na cabeça. Ajeitou os buracos, deixou as orelhas para fora e voltou para a quadra correndo.

O jogo ia começar. Os meninos olharam para ele, estupefatos, e antes que perguntassem algo sobre o que tinha em mente, além da cueca, João berrou animado!

“Em campo, Petr Cech, goleirão do Chelsea, o melhor arqueiro do mundo. Nada é capaz de impedir suas defesas brilhantes! Nem a terrível contusão que sofreu na cabeça ao chocar-se com Stephen Hunt em 2006. Orgulho do futebol tcheco!”

O time de João Cech Barbosa não levou gol algum. O menino era uma barreira intransponível, inexpugnável. Ele e sua cuequinha enterrada na cabeça. Defendeu todos os chutes de Messi, Ballack, Cristiano Ronaldo, Robinho... e provou, numa sexta-feira no bairro dos bacanas, que futebol e sonho não se constroem só com dinheiro.
Escrito em 13/06/2008 |Comentários: »


EMENDA CONSTITUCIONAL


TÍTULO I
Dos Direitos e Garantias Esportivas
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES DA SELEÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais na torcida pela seleção brasileira, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a torcer por um time mixuruca que esteja trajando o uniforme amarelo, ainda mais se combinado com o esdrúxulo short branco;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante, como por exemplo ser pressionado pelo Paraguai e humilhado pela Venezuela;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato e portanto o treinador da Seleção não tem o direito de ficar bravo;
V - é assegurado o direito de resposta do treinador, já que muitos deles proporcionaram alegrias a este mesmo cidadão que o critica;
VI - é inviolável a liberdade do meio-campo, sendo assegurado o livre exercício da habilidade, da virada de jogo e da solução criativa em caso de marcação exarcebada;
VII - é vetada, sobre todas as formas, a escalação de mais de dois volantes no meio-campo da seleção brasileira, sob pena de frustração e decepção geral de quem já foi pentacampeão;VIII - ninguém será privado de um bom passe por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, ou, em outras palavras, como faz falta um Kaká da vida;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, mas o excesso de pagode e falta de concentração não podem imperar;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem dos joagdores, que fazem o que quiser da vida deles, contanto que isso não influa seu desempenho em campo;
XI - a grande área brasileira é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do goleiro, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, como uma tentativa tresloucada de Lúcio fazer um gol de placa lá na frente;
XII - é inviolável a retaguarda brasileira, a não ser que por motivo de talento alheio ela torne-se desguarnecida e frágil;
XIII - é assegurado a todos o acesso à informação e à opinião dos craques em caso de derrota surpreendente nas eliminatórias;
XIV - é livre a locomoção dos volantes no território nacional, de preferência com passes e lançamentos capazes de eliminar eventuais retrancas adversárias;
XV - todos podem atacar, sendo necessária a coragem de se impor como futebol;
XVI – perder três vezes seguidas é dose para leão, deve-se evitar;
XVII – cabe ao treinador escalar os melhores, estejam eles na Europa Ocidental, Oriental ou Mato Grosso do Sul;
XVIII - as convocações não podem estar ligadas a competições anteriores ou a fidelidades;
XIX – mesmo perdendo, a Seleção deve ser motivo de orgulho pela sua forma de atuar e jamais ser incapaz de fazer um gol num adversário com um atleta a menos;
XX – é obrigação de todos os envolvidos tentar marcar amistosos também em território brasileiro, a fim de não distanciar o torcedor de seus ídolos, de preferência sem esquecer palcos tradicionais de exibições de outrora, como por exemplo, o Maracanã, deixando-se de lado interesses políticos, partidários e pecuniários;


Escrito em 16/06/2008 |Comentários: »
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