A CHINA É DIFERENTE?
PEQUIM - Os 277 atletas brasileiros que vão viver a olimpíada chinesa terão a chance de aprender uma grande lição filosófica. Que não é de Confúcio e muito menos de Mao Tse Tung. Chinês não é tudo igual. Chinês é diferente. Mas diferente de quem? De quê? O que é ser diferente?
Sou um rapaz latino-americano, careca, branco e mais nada demais. Porém, passear em Pequim é uma diversão. Para os outros. Na Praça da Paz Celestial, não passo 30 metros sem chamar a atenção da população local. E olha que deixei meus tênis coloridos no Brasil. Aqui, sou eu o diferente. No jeito de andar, na forma ocidental de se arrumar, no tamanho... nem eu sei porque eles me acham tão diferente. E é assim com a maioria dos jornalistas.
Dizem também que chinês tem hábitos estranhos. Cospem na rua. Já vi muito brasileiro fazendo isso no Rio, Recife, São Paulo, Natal... No trânsito, avançam sinal, farol, semáforo, sinaleira que é uma beleza. Será que ninguém faz isso no Brasil?
Dia desses saí bem cedo para conhecer a Cidade Proibida, que durante 500 anos serviu aos imperadores e seus amigos, deixando a população do lado de fora dos espessos muros. Nos anos 50, o acesso aos incríveis templos foi liberado. Hoje em dia, milhares de chineses, muitos deles turistas vindos de outras cidades, gastam seus cliques nos dragões dourados e caldeirões de bronze que ornam os paralelepípedos seculares. E não é que cismaram de fazer várias fotos comigo? Será que me reconheceram na fotinho do Garamblog? Outros turistas estrangeiros também sofreram o mesmo assédio.

Aqui, os velhinhos preferem caminhar cedo a ver televisão. No Brasil, aposentados adoram um carteado e uma fila no banco. Bicicletas são 10 milhões circulando pelas ruelas e gigantescas avenidas. Pequim é uma espécie de São Paulo triplicada. E tremendamente poluída. Opa. E São Paulo não?
Numa coisa a China é diferente. O animal-símbolo do país não existe. É um dragão que tem corpo de cobra, chifres de veado, orelhas de touro, garras de falcão e escamas de peixe. Já no Brasil, as aves de rapina proliferam em todas as áreas, da política ao futebol, deixando o povo triste, decepcionado, desanimado, com uma carinha de Urso Panda. Opa, mas o Urso Panda é chinês.
Moral da História: daqui a quatro dias os monumentos de Pequim mais famosos não serão mais a Porta da Pureza Celestial, o Palácio da Tranqüilidade Terrena, o Hall da Paz Imperial ou o Templo do Céu. Todo pequinês vai ter vontade de visitar o Ninho do Pássaro, e suas incríveis e inesquecíveis provas de atletismo, o Cubo D´Água, e seus embates aquáticos entre os maiores nadadores do mundo, e tantos outros locais de competição. De 8 a 24 de agosto, a China vai parar. Igual ao Brasil em época de Copa do Mundo. Ué, não éramos tão diferentes?